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sábado, 25 de março de 2017
sexta-feira, 26 de agosto de 2016
sábado, 28 de março de 2015
Esta água, passarinho bebe?
A sabedoria popular desenvolvida na
convivência e na observação da Natureza, possibilitou às populações
tradicionais a possibilidade de sobreviver, enquanto espécie, ao longo
de milênios. Nossos ancestrais que viviam no campo, nas florestas e nas
montanhas não bebiam água que passarinho não bebe, não comiam frutos e
folhas que os animais não tocavam, corriam para seus abrigos quando viam
as manadas em disparada, prenúncio seguro de temporais, ciclones e
tsunamis.
Transmitiam seus conhecimentos às novas gerações, que os retransmitiam aos seus descendentes mesmo quando estes já viviam na polis, na urbe. Mas nos últimos 250 anos, mais especialmente a partir da revolução industrial, quando o modelo de desenvolvimento adotado já começava a produzir pobreza e exclusão social, as populações passaram a se concentrar em grandes aglomerados urbanos, o que tornou a possibilidade de observância dos ciclos e fluxos da Natureza, cada vez mais rara.
Assim, geração a geração, fomos esquecendo o que nossos ancestrais sabiam e intuíam e nos lançamos na consolidação de um inconseqüente paradigma civilizatório em que fizemos do Oikos, do Lar Terra, apenas uma fonte de recursos naturais.Em nossa ignorância, imaginamos que estes eram inesgotáveis e que podíamos impunemente seguir nossa trajetória de destruição.
Conquistando novos territórios a cada vez que exauríamos o anterior, extraindo dele suas riquezas minerais, cortando e queimando suas florestas para construir nossas casas e obter a energia que necessitávamos, produzindo riquezas e descartando os resíduos em qualquer local, desde que fosse longe de nós.
Voltamos as costas aos rios e demais cursos d’água, tratando-os como canais que levariam para longe, muito longe, os desagradáveis restos do que consumíamos. E os anos foram passando... Enquanto procriávamos íamos a busca de mais horizontes, de mais riquezas naturais, mais espaço. Inventamos novas tecnologias, descobrimos a força e o poder da energia fóssil que arrancamos do fundo da Terra, processamos, industrializamos e passamos a queimar diuturnamente nos quatro cantos do planeta.
A ciência e a tecnologia nos trouxeram mais conforto, eliminaram distâncias físicas, nos possibilitaram cruzar os céus, até para a Lua fomos, e prosseguimos em nossa trajetória de glória e poder até que um dia, de repente (terá sido de repente?), a Natureza, esta que há tanto havíamos domado, nos mostra sua face mais dura, expõe a instabilidade de seus humores.
Ataca e mata impiedosamente, sem aviso prévio, sorrateiramente, coloca-nos armadilhas.
Comemos seus peixes e eles nos envenenam, bebemos sua água e adoecemos, vamos à praia e somos afogados por ondas gigantes, seus ventos varrem nossas casas, os rios ora secam, ora transbordam, transformam nossas cidades em depósitos de lixo, (de onde vem mesmo tanta sujeira?), o ar que respiramos nos destrói os pulmões, nos faz arder os olhos.
Lembramo-nos então daqueles que há décadas vinham nos alertando sobre os perigos à espreita, demo-nos conta de que desde há muito, milhares, milhões de pessoas estavam à margem deste glorioso e triunfante processo de conquista do Universo e já enfrentavam, nas inóspitas regiões em que habitam sérias dificuldades de sobrevivência.
Mas quem se importaria então com a seca, com a fome, com as enchentes, com as pragas, as doenças de veiculação hídrica, com a exclusão, com a tragédia da miséria que assolavam sistematicamente algumas partes do Planeta?
Elas se passavam longe, muito longe de nós...
Mas agora, quando a ciência que criamos e que julgávamos capaz de solucionar todo e qualquer problema dos humanos, começa a nos mostrar que, pela primeira vez na história da humanidade, está posta em xeque a continuidade da nossa caminhada enquanto espécie no Planeta Terra, sentimo-nos desamparados, indefesos, fragilizados.
A perplexidade toma conta de nós, quando, finalmente, percebemos a íntima relação entre o nosso modelo civilizatório predatório excludente, a destruição do meio ambiente, o rompimento do equilíbrio ecológico que a Natureza teceu em milhões de anos de trabalho cósmico e o caos que ameaça a todos em todos os recantos do mundo, sem distinção de etnia, de classe social, de gênero, de nacionalidade, de escolaridade.
O que fazer agora, qual o papel de cada um de nós, cidadãos do Planeta? Como prosseguir à luz da tragédia anunciada? Como partir do temor que paralisa para a ação que pode trazer alternativas de caminhos, de soluções? O Dia Mundial da Água é um excelente momento para que façamos esta reflexão. Sem razões para comemorar, dediquemo-nos a pensar como vamos cuidar deste bem imprescindível para a nossa sobrevivência, vida e de todas as espécies que conosco compartilham a Terra.
Lembremos-nos que Planeta Terra é azul quando visto do espaço, mas não tenhamos ilusões, uma vez que 97% dos 2/3 de sua superfície composta de água é salgada! Dos 3% restantes, a maior parte está nos icebergs em forma de gelo. Assim a água acessível ao consumo humano, que é encontrada em rios, lagos e alguns reservatórios subterrâneos, somam apenas 0,3%, ou 100 mil km³.
Ao mesmo tempo em que aumentamos o consumo de água em nossas atividades produtivas e em nosso cotidiano, continuamos, de forma inadmissível, poluindo com lixo, esgoto e agrotóxicos, os recursos hídricos de que dispomos. Esquecemos, neste processo perverso, que a quantidade de água na Terra é praticamente invariável há 500 milhões de anos.
As mudanças que ocorrem são em sua distribuição, pois a água não permanece imóvel, se recicla por meio do Ciclo Hidrológico, cujo equilíbrio encontra-se ameaçado pelo aquecimento global, pelo desmatamento e pela poluição.
Enquanto isto a escassez de água potável já atinge 20% da população e a ONU afirma que se a população mundial continuar aumentando 80 milhões de habitantes por ano, entre os anos de 2025 e 2050, 40% da população já estará sem acesso à água potável. Somente nos últimos 50 anos, aconteceram em todo o mundo cerca de 500 conflitos armados tendo como causa prima à disputa pela água.
Metade do leito dos hospitais é ocupada por doenças veiculadas pela água. A cada ano as doenças provocadas por ela causam 03 milhões de mortos no mundo, crianças na maioria, e provocam mais de 1 bilhão de enfermidades. No Brasil, que detém 12% da água doce do mundo, 80% das doenças são causadas ou disseminadas pela falta de saneamento e 40% das torneiras dos nossos lares derramam água com qualidade não confiável.
São Paulo, a megalópole emblemática, resume em seus números toda fragilidade de um modelo de distribuição territorial que se esqueceu de levar em conta a geografia da Natureza. Aqui vivem 22% da população do Brasil e aqui só estão 1,6% da água de nosso país, consumimos 210 milhões de litros de água por hora (116 piscinas olímpicas) que vamos buscar a mais de 80 km de distância da capital.
No dia de hoje, deveríamos parar tudo para debater em fóruns, na praça pública, nos palácios, este que é, ao lado das mudanças climáticas, o maior desafio do século XXI, o acesso à água de boa qualidade, o gerenciamento adequado dos recursos hídricos de que ainda dispomos.
A partir da reflexão, do debate, (e do medo), quem sabe tomamos juízo e passamos a agir como cidadãos conscientes, adequando nossas atividades cotidianas a padrões de sustentabilidade, participando ativamente da organização de nossa comunidade, articulando-nos nacionalmente para influenciar políticas públicas sérias e ecologicamente corretas, fiscalizando, reivindicando, sentindo-nos parte da imensa e maravilhosa comunidade biótica.
*Miriam Duailibi é presidente do Ecoar, uma das principais ativistas ambientais brasileiras da atualidade. Autora de diversos livros, artigos e textos sobre o tema é reconhecida internacionalmente por seus inovadores projetos socioambientais. Fundou em 92 a Ecoar, organização sem fins lucrativos da qual faz parte o Instituto Ecoar para Cidadania, o Centro Ecoar de Educação para Sociedades Sustentáveis e o a Associação Ecoar Florestal, responsável pela produção anual de 2 milhões de mudas para a reposição de florestas no Brasil.
AUTORIA: Miriam Duailibi
Sobre o Instituto Ecoar para a Cidadania:
O Instituto Ecoar é uma organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP), sem fins lucrativos, que atua com educação ambiental, cidadania e projetos florestais. Sua missão é contribuir para a construção de sociedades sustentáveis e em equilíbrio com a natureza.
Fundada por um grupo de ambientalistas e pesquisadores após a Eco-92 e o Fórum Global, é responsável pela implantação de mais de 50 projetos de meio ambiente e educação em todo país. Credenciada pelo IBAMA e DPRN para desenvolver o Programa de Reposição Florestal Obrigatória no Estado de São Paulo, possui dois viveiros que juntos produzem mais de 02 milhões de mudas por ano.
Artigo.: Esta água, passarinho bebe?
Por.: Miriam Duailibi
Matéria publicada em Hospital Espiritual do Mundo
sábado, 30 de agosto de 2014
sexta-feira, 2 de maio de 2014
Esta torre puxa água potável do ar
O designer industrial Arturo Vittori inventou uma torre que pode
proporcionar mais de 95 litros de água potável por dia a aldeias remotas
de todo o mundo.
Em algumas partes da Etiópia, encontrar água potável é uma jornada de
seis horas. Além de demorar pra chegar até ela, quando as pessoas
encontram água, muitas vezes ela não é segura para beber, já que é
coletada de lagoas ou lagos repletos de bactérias infecciosas,
contaminados com resíduos de animais ou outras substâncias nocivas.
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A escassez de água afeta quase 1 bilhão de pessoas só na África. Esse
problema tem atraído a atenção de grandes nomes filantropos, como o
ator e cofundador da organização Water.org Matt Damon e o confundador da
Microsoft Bill Gates que, através de suas
respectivas entidades sem fins lucrativos, já gastaram milhões de
dólares em pesquisa para chegar a soluções como um sistema que converte
água do vaso sanitário em água potável.
Os críticos, no entanto, têm suas dúvidas sobre como integrar essas tecnologias complexas
em vilarejos remotos que não têm sequer acesso a água. Os custos e a
manutenção podem tornar muitas dessas ideias impraticáveis.
Outras invenções de baixa tecnologia podem não ser tão complicadas,
mas ainda dependem dos usuários encontrarem uma fonte de água, o que,
como já foi estabelecido, é um grande problema na Etiópia, por exemplo.
Foi pensando neste dilema – achar uma forma prática e conveniente de
levar água a esses locais – que Vittori, junto com seu colega Andreas
Vogler, criou a torre.
A estrutura de baixo custo e facilmente montável chama-se Warka Water
(nomeada a partir de uma figueira nativa da Etiópia). O invólucro
exterior rígido de 9,15 metros de altura é composto por hastes leves e
elásticas, colocadas em um padrão que oferece estabilidade em face de
rajadas de vento forte, mas que permite que o ar flua. Uma rede de
malha, feita de nylon ou polipropileno, paira dentro da torre,
recolhendo as gotas de orvalho que se formam ao longo da sua superfície.
Conforme ar frio se condensa, as gotículas rolam para baixo dentro de
um recipiente, na parte inferior da torre. A água neste recipiente, em
seguida, passa através de um tubo que funciona como uma torneira,
transportando-a para aqueles que estão no chão.
Usar malha para capturar água potável não é um conceito totalmente
novo. Alguns anos atrás, um estudante do Instituto de Tecnologia de
Massachusetts (EUA) projetou um dispositivo para “colher” nevoeiro. A
invenção de Vittori produz mais água a um custo mais baixo, no entanto.
“Na Etiópia, infraestruturas públicas não existem e a construção de
algo como um poço não é fácil. Para encontrar água, é preciso perfurar
profundamente o solo, muitas vezes tanto quanto 490 metros. Então, é
tecnicamente difícil e caro. Além disso, as bombas precisam de
eletricidade para funcionar, bem como o acesso a peças de reposição no
caso de quebra”, explica Vittori.
Já a torre de água Warka pode fornecer mais de 95 litros de água ao
longo de um dia de forma barata e simples. Como o fator mais importante
na coleta e condensação é a diferença de temperatura entre o anoitecer e
o amanhecer, as torres funcionam bem inclusive no deserto, onde as
temperaturas podem variar até 27 graus Celsius em 24 horas.
A estrutura, feita a partir de materiais biodegradáveis, é fácil de
limpar e pode ser erguida sem ferramentas mecânicas em menos de uma
semana. Além disso, uma vez que os habitantes locais aprenderem a
montá-la, serão capazes de ensinar outras aldeias e comunidades a
construir sua própria Warka.
Ao todo, cada torre custa cerca de US$ 500 (cerca de R$ 1.100) para
ser montada – menos de um quarto do custo de algo como o vaso sanitário
conversor, que sai cerca de US$ 2.200 (R$ 4.860) para instalar, e mais
para manter. Se for produzida em massa, o preço seria ainda menor.
A equipe de Vittori espera instalar duas torres Warka na Etiópia até o
próximo ano, e está atualmente à procura de investidores interessados
em levar a tecnologia de captação de água a toda a região.
“Não é apenas a incidência de doenças que estamos tentando diminuir.
Muitas crianças etíopes de aldeias rurais passam várias horas por dia
buscando água, tempo que poderiam investir em atividades mais produtivas
e em educação”, diz Vittori. [SMag]
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Fonte: hypescience.com
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
O PRIMEIRO ECOLOGISTA
Ecologia é a ciência que estuda a relação entre os seres vivos e o
ambiente em que vivem. O termo foi utilizado, pela primeira vez, no ano
de 1869, pelo cientista alemão Ernst Haeckel.
Contudo, no estudo dos Evangelhos, encontramos o mais excelente
ecologista. Muito antes dos homens se preocuparem com a sua casa
terrena, com as questões ecológicas, um Sábio Galileu demonstrou o viver
saudável e a interação com o meio ambiente.
Ele nasceu num estábulo, apropriado para abrigar os animais. E um boi e um burro dividiram o espaço com Ele.
Seu primeiro berço foi improvisado numa manjedoura, utilizando-se, os pais, do feno reservado aos animais.
Seus primeiros visitantes foram homens que guardavam as ovelhas, no campo.
Iniciou Seu messianato, identificando-se, conforme as Escrituras, nas águas do rio Jordão.
Embora frequentasse as sinagogas e o templo, em Jerusalém, foi no
altar da natureza que teceu as mais belas considerações a respeito do
reino que veio implantar no coração dos homens.
Subiu a um monte e pronunciou o poema jamais igualado das bem-aventuranças.
No poço de Jacó, na Samaria, serviu-se do precioso líquido para tecer
uma analogia e ofertar a água viva, que dessedenta para sempre.
Falando a respeito da fé, a comparou ao minúsculo grão de mostarda
que, semeado, se transforma em frondosa árvore, onde se vêm abrigar as
aves.
Lecionando a humildade, declamou versos a respeito dos lírios dos
campos, que não tecem, nem fiam, mas que se vestem com maior pompa do
que o grande rei Salomão.
Ensinando a confiança na Providência Divina, referiu-se às aves do
céu, que não semeiam, nem colhem e, no entanto, o Pai lhes provê o
alimento diário.
Em meio à tempestade, que atemorizava os companheiros, Ele se ergueu e
falou aos ventos, ordenando aos Espíritos que atuam na natureza, para
que cessassem a sua ação.
Comparou-se a uma videira, adjetivando Seus discípulos como os ramos, Ele próprio distribuindo a seiva que os há de alimentar.
Denominou-se o ramo verde, o que viceja, dá flores, frutifica.
Demonstrando o conhecimento intrínseco do ofício, ofereceu-se como o Bom
Pastor, aquele que, ao contrário do mercenário que foge ante o perigo,
dá a Sua vida pela das Suas ovelhas.
E contou a história da ovelha perdida, das noventa e nove em
segurança no redil, da alegria do Pastor ao encontrar a Sua ovelha,
carregando-a aos ombros.
Vivendo no ambiente da carpintaria, enquanto crescia, agonizou e entregou Seu Espírito ao Senhor da Vida pregado a um madeiro.
* * *
Jesus ecologista. Jesus, amante da natureza. Ressurgindo na manhã do
domingo, Ele aguardou no jardim e se deu a conhecer a Maria Madalena.
E, em plena natureza, em meio à assembleia de cinco centenas de
discípulos, alçou-se e desapareceu dos olhos humanos, adentrando o reino
do Pai, deixando-nos a lição de amor ao semelhante e à natureza.
Natureza que Ele ensinou a apreciar em seus detalhes, a prestar
atenção a coisas que parecem insignificantes mas que integram o meio
ambiente em que nos movimentamos, em que vivemos.
Jesus, Modelo e Guia. Ecologista de primeira grandeza.
Redação do Momento Espírita.
domingo, 2 de junho de 2013
Identificado novo inseticida mortal para as abelhas
O pesticida fabricado pela BASF é acusado de causar a morte de abelhas
Photo Pin
Bruxelas - A Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA) emitiu
um parecer desfavorável ao Fipronil, inseticida fabricado pelo grupo
alemão BASF, pois seu uso para proteger os cultivos de milho tem causado
a morte de abelhas, importantes polinizadoras.
Apenas cinco países da UE ainda usam este inseticida para o milho: Espanha, Hungria, Bulgária, República Checa e Eslováquia.
A Comissão Europeia havia solicitado esta decisão à EFSA em agosto de
2012. Está incompleta, mas aponta "um risco elevado" comprovado para o
tratamento do milho.
O grupo BASF agora tem três semanas para responder a esta
decisão. A Comissão Europeia submeterá em breve o caso do Fipronil a um
comitê de especialistas da UE para uma decisão em 15 ou 16 de julho,
informaram os serviços do comissário europeu encarregado da saúde, Tonio
Borg.
A Comissão Europeia (CE) já decidiu proibir durante dois anos,
a partir de dezembro, o uso de três pesticidas mortais para as abelhas,
comercializados pela farmacêutica alemã Bayer e pela suíça Sygenta.
O veto começa em 1º de dezembro e se baseia em um informe da
Agência Europeia de Segurança alimentar. Envolve três praguicidas da
família dos neonicotinoides comercializados na Europa por Bayer e
Syngenta: clotianidina, tiametoxam e imidacloprid, que podem ser mortais
para as abelhas, mas não causam danos à saúde do ser humano.
_________________________
Fonte: Info Exame, por AFP, em 28 de maio de 2013
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Ecologia - O Grito das Crianças
A
Assembléia Geral da ONU, reunida em Estocolmo, capital da Suécia, em
1972, instituiu na abertura da Conferência sobre Meio Ambiente Humano, o
dia 5 de junho como"Dia Internacional do Meio Ambiente”.
A Estância hidromineral de Cambuquira, em Minas Gerais, assim como muitas cidades de Santa Catarina, é exemplo de preservação ambiental para qualquer município brasileiro. Lá assistimos, no dia 5 de junho, peça teatral apresentada por atores-mirins, alunos de uma escola municipal,que honra a memória de Pestalozzi. Beleza, plasticidade e compromisso com a preservação da natureza, estiveram presentes na fala, na dança, no cantar e no entusiasmo das crianças que, em seguida, plantaram juntamente com outros colegas de todas as escolas municipais, milhares de mudas por toda a cidade...
A Estância hidromineral de Cambuquira, em Minas Gerais, assim como muitas cidades de Santa Catarina, é exemplo de preservação ambiental para qualquer município brasileiro. Lá assistimos, no dia 5 de junho, peça teatral apresentada por atores-mirins, alunos de uma escola municipal,que honra a memória de Pestalozzi. Beleza, plasticidade e compromisso com a preservação da natureza, estiveram presentes na fala, na dança, no cantar e no entusiasmo das crianças que, em seguida, plantaram juntamente com outros colegas de todas as escolas municipais, milhares de mudas por toda a cidade...
Aquele espetáculo infantil, reacendeu as esperanças de que uma nova mentalidade, construída junto com a geração porvir, pode redimir o Planeta.
Da obra Atualidade do Pensamento Espírita, 1ª edição, publicada em 1998, extraímos da página 62, item 2.4, pergunta 55, o seguinte: "A agricultura moderna, com o uso exagerado de máquinas, produtos químicos e sementes transgênicas, vem causando impactos nocivos no meio ambiente e na saúde humana. A agricultura sustentavel, sem riscos ecológicos e boa produtividade, será um dia realidade?" Resposta do Espírito Vianna de Carvalho, através do médium Divaldo Franco:
"A consciência de si fará com que o homem respeite a vida em todas as suas manifestações, mudando as técnicas agrícolas, passando a utilizar-se de máquinas que não poluam a atmosfera, de recursos orgânicos que substituam as substâncias químicas venenosas e os hormônios que deformam os animais, em razão da ganância argentária. A raiz de toda poluição, de toda destruição da vida, é de natureza moral, respondendo pela avareza que predomina na criatura humana...”
O brado da Ciência que clama por um freio moral que estanque a sangria nas veias da Terra, rasgadas pela nossa geração, começa a ser ouvido.O G-8 cuja meta é dinheiro e "desenvolvimento", é composto por nações que isoladamente e em conjunto, estão produzindo a falência ecológica da nossa Casa Maior. Não obstante, em seu último encontro, emitiu sinais de preocupação, face ao Relatório assinado por muitos cientistas de países do 1º Mundo, denunciando o Aquecimento Global. Cabe à opinião pública mundial, o exercício da pressão legítima para que a preocupação se transforme em atitudes, em atos concretos, que interrompam a destruição do Planeta.Nossas crianças, que foram nossos bisavós em encarnações passadas, e seremos nós mesmos em futuras encarnações, serão as herdeiras do que estamos plantando. Aliás, já dizia o Cristo: "Tudo o que homem plantar, isto também colherá". Está no Evangelho. O que estamos plantando para a colheita futura? Leia o que disse uma criança canadense, na abertura da ECO-92, no Rio de Janeiro: "Sou SEVERN SUZUKI . Estou aqui com um grupo de crianças canadenses de 12 e 13 anos, tentando fazer a nossa parte. Viemos de tão longe para dizer que vocês adultos têm que mudar o modo de agir. Ao vir aqui hoje não preciso disfarçar meu objetivo: estou lutando pelo meu futuro. Não ter garantia quanto ao meu futuro não é o mesmo que perder uma eleição ou alguns pontos na Bolsa de Valores. Estou aqui para falar em nome das gerações que estão por vir . Estou aqui para defender as crianças com fome, cujos apelos não são ouvidos. Estou aqui para falar em nome dos incontáveis animais, morrendo em todo o Planeta porque já não têm para onde ir. Não podemos mais permanecer ignoradas. Hoje tenho medo do sol por causa dos buracos na camada de ozônio. Tenho medo de respirar este ar porque não sei que substâncias químicas o estão contaminando. Eu costumava pescar com meu pai em Vancouver, até o dia em que pescamos um peixe com câncer... Temos conhecimento de que animais e plantas estão sendo destruídas a cada dia e, em vias de extinção. Sou apenas uma criança e não tenho as soluções, mas quero que saibam que vocês também não têm. Vocês não sabem como tapar os buracos na camada de ozônio; vocês não sabem como salvar os salmões das águas poluídas; vocês não podem ressuscitar os animais extintos; vocês não podem recuperar as florestas que um dia existiram onde hoje é deserto... Se vocês não podem recuperar nada disto então, por favor, parem de destruir... "
Daniel Valois
valois35@terra.com.br
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
Jardins Orientais
Jardim Japonês do Bosque/Zoo “Dr. Fábio Barreto”, em Ribeirão Preto
“O rio atinge seus objetivos porque aprendeu a contornar obstáculos” Lao Tsé
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Uma das grandes diferenças entre o
paisagismo desenvolvido na Ásia e aquele que cresceu no Ocidente é o
caráter místico e religioso que está presente nos chineses, nos
japoneses e nos coreanos. Esses povos tiveram, desde os primórdios da
civilização, uma preocupação muito forte de manter uma ligação com a
natureza; Lao Tse, por exemplo, ilustrava com frequência suas metáforas
com exemplos tirados da paisagem. Em uma de suas citações, ele diz que a
gente deve deslizar na vida como se estivesse em um rio, ou seja, de
uma maneira mansa e até despreocupada. Recentemente Barry Stevens (1902 –
1985), psicóloga e escritora que desenvolveu sua própria forma de
Gestalt-Terapia (um trabalho corporal, com base no conhecimento dos
processos do corpo, trabalhando com personalidades como Carl Rogers,
Bertrand Russell e Aldous Huxley) escreveu um best seller, que titulou
“Não Apresse o Rio”, transformando-se em uma espécie de bíblia da
Gestalt terapia, seguramente com muitos dos princípios de Lao Tse, do
Zen-budismo e da filosofia de Krishnamurti.
Confúcio, que foi contemporâneo de Lao
Tse, também ensinava o caminho para alcançar a liberdade e a calma
espiritual através da contemplação.
Quando mais tarde os seguidores de Buda
semearam os ensinamentos do mestre por toda China, já encontraram um
campo fértil, porque o povo estava consciente de seu misticismo e amava a
natureza.
Mas existem outras diferenças entre a
arquitetura paisagística do Oriente e os jardins de outros continentes;
enquanto estes procuram a beleza usando a simetria, as uniformidades e
as proporções muitas vezes até rígidas demais, os orientais exploram
essa capacidade inata de romper formas e surpreender a cada passo com
novas perspectivas causando assim no observador uma sucessão de
percepções na medida que passeia pelo jardim.
Antigamente era muito comum entre os
chineses visitar periodicamente lugares remotos, geralmente montanhosos e
com uma paisagem que devia ser sempre grandiosa e bucólica; eles iam
para estas regiões, por uma série de motivos: para fugir do cotidiano,
para descansar, mas fundamentalmente para meditar e se dedicar às coisas
da alma, como escrever poemas e fazer sacrifícios que ofereciam aos
deuses e antepassados.
O problema era chegar ao destino: eles
enfrentavam longas e torturantes caminhadas, especialmente para as
mulheres, que na época usavam calçados apertados para não permitir o
crescimento normal dos pés.
Foi então que eles começaram a
reproduzir essa paisagem, perto das casas onde moravam, para sentir a
mesma emoção que sentiam quando viajavam para aqueles campos remotos.
Dessa maneira surgiram os primeiros jardins orientais.
Pessoalmente me sinto muito ligado a
todas as coisas que vêm do Japão; desde minha infância mantenho uma
relação muito forte com produtores de plantas que nasceram lá ou que são
herdeiros desta arte, por causa dos pais ou dos avôs.
Eu arriscaria dizer que os chineses
ficaram um pouco para traz no desenvolvimento da cultura paisagística;
desde o momento em que o budismo entrou no Japão, houve uma proposta por
parte dos nipônicos de ir longe a tudo o que fosse inerente a natureza
cultivada. E a partir do século VI até o século XV, houve uma evolução
fantástica envolvendo uma tradição, hoje tão admirada.
A própria cerimônia do chá, começou a
adquirir hábito só no século XIV e no século XV, ajudando muito a
arquitetura paisagística, porque as casas de chá sempre estavam muito
bem rodeadas de jardins cuidadosamente projetados.
Inclusive a arte do arranjo floral, o
Ikebana, começou há 13 séculos e se destinava a simbolizar certos
conceitos filosóficos do Budismo. Porém no decorrer do tempo, o lado
religioso acabou desaparecendo enfatizando-se especialmente o lado mais
naturalista do Ikebana.
Nessa época algumas flores eram muito valorizadas como ameixeira, a
glicínia e o crisântemo, mas nunca deixavam de lado as árvores e
arbustos que davam à paisagem um efeito permanente, como era o caso do
Acer e da Azaléia, que eram tratados com podas de maneira a criar formas
originais. Tanto se dedicaram a esta tarefa de interferir no livre
crescimento das árvores inventando o bonsai, que ajustou perfeitamente a
necessidade de ter a paisagem cada vez mais perto dos olhos e mais
próximos da alma dos japoneses.
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Fonte: Jardim das Idéias
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terça-feira, 28 de agosto de 2012
Ecologia
Três grandes megacidades
contaminarão menos
Atualmente 600 bilhões de dólares são utilizados para subsidiar
os combustíveis fósseis e isto altera os custos ambientais
de certas formas de produção.
os combustíveis fósseis e isto altera os custos ambientais
de certas formas de produção.
Alberto Barlocci
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A rede C40 reúne quarenta grandes cidades cujos administradores
dedicaram uma jornada ao tema da mudança climática e como enfrentá-la.
Adalberto Maluf, diretor do C40 em São Paulo, anunciou que o acordo
prevê a cooperação das três grandes metrópoles sobre alguns temas
principais como: a governabilidade, a qualidade de vida, os espaços
públicos, a mobilidade, a poluição urbana, o uso eficiente da energia, a
água e o uso do solo.
Cerca de 50 milhões de habitantes vivem em Buenos Aires, São Paulo e
Cidade do México, considerando as respectivas periferias. Já são
proverbiais os problemas dos vizinhos da capital mexicana devido à
concentração de ozônio no ar da cidade causada pela contaminação
atmosférica. Mas nem a cidade paulista, nem a capital portenha estão
isentas de graves problemas de contaminação, que reduzem notavelmente a
qualidade de vida de seus habitantes.
O acordo foi assinado durante a Cúpula Rio+20, que tem cada vez menos
oportunidades de conseguir uma tomada de consciência sobre a urgência de
enfrentar os problemas ambientais do planeta. Prova disso é a ausência
dos principais líderes mundiais no evento do Rio de Janeiro. E isto
acontece ao mesmo tempo em que a OCDE informa num documento que se nos
próximos anos não forem tomadas decisões radicais para reduzir as
emissões poluentes, os cenários para 2050 serão preocupantes, já que nos
próximos 30 anos cerca de 4 milhões de pessoas por ano morrerão nas
grandes cidades devido â poluição do ar que respiram.
Para Camilla Toulmin, diretora da ONG International Institute for
Environement and Development com sede em Londres, um passo importante
seria o de incluir os custos ambientais na estrutura e a formação dos
preços, a fim de incluí-los nos custos de produção e de consumo. " Hoje
600 bilhões de dólares são utilizados para subsidiar os combustíveis
fósseis e isto altera os custos ambientais de certas formas de
produção". Seriam apenas os primeiros passos para evitar avançar para a
irreversibilidade de alguns problemas ambientais.
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Alberto Barlocci. Diretor da revista Ciudad Nueva. Publicado em Ciudad Nueva, www.ciudadnueva.org
________
Fonte: Miradaglobal.com
domingo, 26 de agosto de 2012
Alimentação
A comida como direito humano em risco
As pessoas deveriam ter a oportunidade de cultivar seus próprios
alimentos;
por sua vez, os alimentos básicos deveriam estar ao alcance
de todos
e estes também deveriam estar isentos de qualquer substância
nociva.
Jessica Nitschke
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Bruxelas / Ecologia – 830 milhões de pessoas sofrem de
fome no mundo. A previsão é de que a população mundial continue
aumentando nas próximas décadas, atingindo a cifra de 9 bilhões em 2050.
Isto é um problema importante. Como assegurar comida para toda esta
população no futuro? A mudança no sistema de produção mundial de
alimentos é importante não só para os seres humanos senão que também
para o meio ambiente. Sob a pressão crescente da mudança climática, é
uma questão crucial manter a alimentação da população de uma maneira
sustentável.
Para discutir este tema, a ONG Compassion in World Farming em
colaboração com a FAO (Organização para a Agricultura e a Alimentação)
das Nações Unidas organizou em Bruxelas uma conferência internacional.
Em 20 de março estiveram presentes diplomatas, políticos e membros do
parlamento europeu para discutir o tema a respeito de “Garantir uma
alimentação correta e uma agricultura ecológica para o futuro”.
Uma das propostas para assegurar o fornecimento de alimentos no futuro é
reduzir o consumo de carne. Nos últimos anos, o consumo de carne
aumentou em todo mundo, inclusive nos países em que há pouco tempo era
considerado um luxo. Produzir um quilo de carne (dependendo do tipo de
carne) precisa aproximadamente de 16 quilos de grãos.
Neste contexto, Compassion in World Farming descreve em seu relatório
“Consumindo o Planeta”, que a redução do consumo mundial de carne
poderia liberar um milhão de quilômetros quadrados de terras de cultivo.
Também significaria menores emissões de gases de efeito estufa. A
redução de consumo de carne é ao mesmo tempo benéfica para o meio
ambiente e uma medida de justiça social.
De maneira similar há uma necessidade de sensibilizar a população a
respeito do problema da comida. Um terço da comida mundial termina sendo
desperdiçado, diz a FAO das Nações Unidas, ascendendo a quase 1,3
milhões de toneladas por ano. Portanto os recursos destinados à produção
de alimentos acabam sendo desperdiçados.
A segunda perspectiva a respeito da crise de alimentos é que, sob a
perspectiva das pessoas em situação de pobreza, a segurança alimentícia
se transformou num problema muito importante. A produção de comida
precisa poder satisfazer a demanda de um aumento constante da população.
O relator especial das Nações Unidas para a defesa do direito aos
alimentos, Olivier De Schutter, argumenta que os três elementos
principais do “direito à alimentação” são disponibilidade,
acessibilidade e idoneidade. Isto significa que as pessoas deveriam ter a
oportunidade de cultivar seus próprios alimentos, e que os alimentos
básicos deveriam estar ao alcance de todos, e uma última condição
essencial seria que os alimentos deveriam estar isentos de qualquer
substância nociva. O direito universal à alimentação está ameaçado pelo
uso excessivo dos produtos animais dos países ricos.
A conferência concluiu que o desenvolvimento da crise alimentícia, em
um prazo mais longo, será um problema que afetará tanto os mais pobres
do mundo assim como o meio ambiente, implicando uma obrigação das
economias desenvolvidas de reduzir o consumo de produtos animais. Neste
assunto está claro que nenhum país reconheceu este objetivo como uma
política prioritária.
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Jessica Nitschke. Membro da equipe Centro Social dos Jesuítas na Europa em Bruxelas, Bélgica. Publicado em http://ecojesuit.com
__________
Fonte: Miradaglobal.com
sábado, 25 de agosto de 2012
Ecologia
Crescentes limites à mineração
Há limites na exploração mineira emergente?
No melhor dos casos as empresas estão começando a ter alguns critérios éticos.
Pedro Walpole, S.J. y Sylvia Miclat
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Filipinas / Ecologia – A extração de minerais, sejam
metálicos ou não metálicos, incluindo o carvão e outros combustíveis
fósseis, está em contínuo debate ambiental e social no plano de
políticas, e está sendo uma pílula amarga do desenvolvimento que alguns
países estão obrigando-se a engolir como uma resposta à redução da
pobreza.
Num marco global que presencia os preços dos metais em seu nível mais
alto há décadas, mas também num contexto ambiental que há 20 anos é mais
tênue e frágil, o comércio e as atividades extrativas parece que
tiveram um fácil acomodo na Rio+20 há duas semanas. Sob uma perspectiva
internacional e desenvolvimentista não se definiram limites à mineração,
satisfeitos em ter-se reiterado os 27 princípios da Declaração de Rio
sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento ou a Agenda 21 lembrados na
Cúpula da Terra em 1992.
Agenda 21 definiu o enfoque global do desenvolvimento sustentável, ao
entrar no século XXI. A proteção do ambiente e o princípio de precaução,
as avaliações de impacto, a sustentabilidade das atividades que
responda equitativamente às necessidades das gerações presentes e
futuras, a tomada de decisões participativa, a legislação ambiental e a
erradicação da pobreza foram alguns dos princípios que guiaram a
definição que cada país fará para a implementação do desenvolvimento
sustentável.
Embora não haja referência explícita à extração de recursos naturais, o Princípio 2 estabelece que:
“Os Estados têm, de conformidade com a Carta das Nações Unidas e os
princípios do direito internacional, o direito soberano de explorar seus
próprios recursos segundo suas próprias políticas ambientais e de
desenvolvimento, e a responsabilidade de assegurar que as atividades sob
sua jurisdição ou controle não causem danos ao ambiente ou a outros
Estados ou a regiões localizadas além dos limites da jurisdição
nacional”.
Portanto, nem a Rio 1992 nem a Rio 2012 puseram limites à mineração
enquanto a especulação continua e os crescentes investimentos no setor
estão produzindo algumas das práticas menos éticas, com executivos das
empresas de mineração mais importantes entre os mais bem pagos de forma
grosseira e vergonhosa, um dos muitos agravos que o “ Movimento Ocupa”
reclamou. Com um desemprego juvenil acima de 50% nos Estados Unidos e na
Europa, os salários e benefícios que recebem os diretores de alta casta
dessas corporações estão alimentando o ressentimento e a ira.
DO QATAR E DA CHINA
Mas curiosamente, dois desenvolvimentos empresariais recentes parecem
estar aplicando algum freio a esta louca carreira por pagamentos e
compensações cada vez mais altos aos investidores e executivos.
A esperada mega-fusão de 70 bilhões de dólares do gigante de
matérias-primas Glencore International e a mineradora Xstrata fracassou
em 27 de junho passado, devido a duas razões principais.
Uma delas é que os representantes de Investimentos de Qatar, o segundo
maior acionista de Xstrata, exigiram mais 16% de Glencore para cada ação
de Xstrata. A oferta atual é de 2,8 ações da Glencore para cada ação de
Xstrata, e os qataríes querem que suba a 3,25.
A segunda razão é a inaceitabilidade do pacote de vários milhões de
libras previsto para os altos executivos da Xstrata no momento da fusão,
como reconhecimento por seus resultados passados, presentes e futuros.
Os pagamentos, segundo os termos originais da fusão, ascendem a um total
de 240 milhões de libras a 73 diretores de alto nível da Xstrata, com
Mick Davis, diretor geral de Xstrata, atribuindo-se a si mesmo 28,8
milhões de libras durante três anos para permanecer em seu posto depois
da fusão sem ter que cumprir metas.
O presidente da Xstrata, John Bond, é acusado pelos investidores e
acionistas da Xstrata de estar-se esforçando por seus investimentos.
Nesta situação, a Xstrata se vê obrigada a redesenhar os bônus
relacionados com a fusão e oferecer novas condições. Estas poderiam
incluir bônus que serão pagos integralmente em ações em vez de dinheiro
vivo, vinculando os pagamentos para a alta direção, incluindo os de
Davis, em nível de economia de custos obtida pela fusão.
A indústria está entre a espada e a parede. Depois de ter renunciado à
ética e num mundo desenvolvido onde 50% dos jovens estão desempregados,
não podemos premiar um homem, por melhor que seja, com 29 milhões de
libras. Com todo respeito ao senhor Davis e suas capacidades, parece que
estamos pondo o limite em 29 milhões de libras. Isto pode ser
considerado uma pequena vitória para o “Movimento Ocupa”, que documentou
que os executivos das companhias de mineração se encontram entre os que
maiores benefícios recebem.
Uma novidade interessante é a segunda compra da London Metal Exchange
(LME), mercado de 137 anos de idade, por 1,39 bilhões de libras (2,160
milhões de dólares) em 15 de junho passado pelas Bolsas e Câmara de
Compensação de Hong Kong (HKEx). LME é uma das poucas bolsas de valores
privadas que ainda existem e um dos últimos grandes mercados financeiros
independentes da Grã-Bretanha. Espera-se que os grandes acionistas da
LME: JP Morgan, Goldman Sachs, e Metdist, a corretora de metais,
obtenham gigantescos e inesperados lucros. O acordo reunirá a LME, que
opera 80% das opções de metais do mundo, e os contratos de futuros da
China, que consome 42% dos metais do mundo.
Mesmo que as operações se mantenham em Londres, não sabemos o que isto
significará, fora da entrada imediata de Hong Kong no comércio de
produtos básicos no meio da crescente demanda chinesa de metais. Esta
transição para mãos chinesas pressagia tempos interessantes, já que esta
aquisição está ocorrendo ao mesmo tempo em que a China está acumulando
minerais raros no nível mundial e comprando grandes extensões de terras
na África e em outros países em desenvolvimento.
DESENVOLVENDO O SENTIDO DE RESPONSABILIDADE E ÉTICA
Rio +20 não ajudou a trazer mais ética à mineração, só reafirmou o
idealismo da mineração, unicamente para mencioná-lo e tirar o tema do
caminho.
Mas há uma crescente demanda de responsabilidade proveniente dos
acionistas, como ficou claro com a tentativa de fusão da Xstrata com a
Glencore. Sem poder controlar suas margens de lucros, encontraram
excessivos os pagamentos dos executivos.
Outra área onde existe responsabilidade e que não foi tratada é o
desenvolvimento da vigilância da mineração, em nível internacional e
global. Esta vigilância deve-se centrar no seguimento das normas e na
prevenção de violações dos direitos humanos.
As normas internacionais, aplicáveis a todos os países por igual devem
ser respeitadas e controladas pela própria indústria. Em países como as
Filipinas, com freqüência não existe uma base ou capacidade técnica para
prevenir a corrupção e complementar os lucros de alguns implicados.
Garantir que as violações dos direitos humanos não devem ser efetuadas
inclui a promoção e a prática da ética na gestão e na quantidade de
dinheiro que as pessoas recebem; a ética do dano ou da responsabilidade
pelos danos causados; e a ética dos direitos humanos na forma como as
pessoas são tratadas antes, durante e depois das atividades mineiras. É
inaceitável o assassinato de ativistas ambientais que estão acontecendo e
que são conhecidos internacionalmente.
A mineração nestes tempos é muito rentável e provavelmente enriquecerá
muitas pessoas, e financiará a muitos programas para redução da pobreza.
Mas a mineração também está sendo explorada em ecossistemas que são
muito frágeis, vulneráveis e em situação de risco; ali onde as culturas
que vivem dentro destas áreas ricas em minerais são igualmente
vulneráveis e se aferram a sua integridade cultural e à equidade através
de suas terras e recursos.
A mineração causa impactos em tudo isto. Por sua própria natureza, a
mineração tem o pior impacto social, cria divisão entre as pessoas,
causando marginação. É o pior caminho de iniciação à industrialização e
não vê o valor daquelas culturas que resistem à cultura global. Os
desastres causados pela mineração em algumas partes do mundo ilustram
estas ameaças que ainda não foram resolvidas.
Há limites na exploração mineira emergente? No melhor dos casos as
empresas estão começando a ter alguns critérios éticos, mas a sociedade
civil e os governos não poderiam ter esses critérios também?
* Referências: Agenda 21, The Independent, Financial Times, The Guardian, Wall Street Journal, The Telegraph, e o New York Times.
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Pedro Walpole, S.J., and Sylvia Miclat trabalham com a Ciência
Ambiental para a Mudança Social, uma organização de pesquisa jesuíta nas
Filipinas. Publicado em Ecojesuit, http://ecojesuit.com
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Fonte: MiradaGlobal.com
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