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sexta-feira, 26 de agosto de 2016



"Cada dia a natureza produz o suficiente para nossa carência. 
Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, 
não havia pobreza no mundo e ninguém morreria de fome."

Mahatma Gandhi

sábado, 28 de março de 2015

Esta água, passarinho bebe?


A sabedoria popular desenvolvida na convivência e na observação da Natureza, possibilitou às populações tradicionais a possibilidade de sobreviver, enquanto espécie, ao longo de milênios. Nossos ancestrais que viviam no campo, nas florestas e nas montanhas não bebiam água que passarinho não bebe, não comiam frutos e folhas que os animais não tocavam, corriam para seus abrigos quando viam as manadas em disparada, prenúncio seguro de temporais, ciclones e tsunamis. 

Transmitiam seus conhecimentos às novas gerações, que os retransmitiam aos seus descendentes mesmo quando estes já viviam na polis, na urbe. Mas nos últimos 250 anos, mais especialmente a partir da revolução industrial, quando o modelo de desenvolvimento adotado já começava a produzir pobreza e exclusão social, as populações passaram a se concentrar em grandes aglomerados urbanos, o que tornou a possibilidade de observância dos ciclos e fluxos da Natureza, cada vez mais rara. 

Assim, geração a geração, fomos esquecendo o que nossos ancestrais sabiam e intuíam e nos lançamos na consolidação de um inconseqüente paradigma civilizatório em que fizemos do Oikos, do Lar Terra, apenas uma fonte de recursos naturais.Em nossa ignorância, imaginamos que estes eram inesgotáveis e que podíamos impunemente seguir nossa trajetória de destruição. 

Conquistando novos territórios a cada vez que exauríamos o anterior, extraindo dele suas riquezas minerais, cortando e queimando suas florestas para construir nossas casas e obter a energia que necessitávamos, produzindo riquezas e descartando os resíduos em qualquer local, desde que fosse longe de nós. 

Voltamos as costas aos rios e demais cursos d’água, tratando-os como canais que levariam para longe, muito longe, os desagradáveis restos do que consumíamos. E os anos foram passando... Enquanto procriávamos íamos a busca de mais horizontes, de mais riquezas naturais, mais espaço. Inventamos novas tecnologias, descobrimos a força e o poder da energia fóssil que arrancamos do fundo da Terra, processamos, industrializamos e passamos a queimar diuturnamente nos quatro cantos do planeta. 

A ciência e a tecnologia nos trouxeram mais conforto, eliminaram distâncias físicas, nos possibilitaram cruzar os céus, até para a Lua fomos, e prosseguimos em nossa trajetória de glória e poder até que um dia, de repente (terá sido de repente?), a Natureza, esta que há tanto havíamos domado, nos mostra sua face mais dura, expõe a instabilidade de seus humores. 

Ataca e mata impiedosamente, sem aviso prévio, sorrateiramente, coloca-nos armadilhas. 

Comemos seus peixes e eles nos envenenam, bebemos sua água e adoecemos, vamos à praia e somos afogados por ondas gigantes, seus ventos varrem nossas casas, os rios ora secam, ora transbordam, transformam nossas cidades em depósitos de lixo, (de onde vem mesmo tanta sujeira?), o ar que respiramos nos destrói os pulmões, nos faz arder os olhos. 

Lembramo-nos então daqueles que há décadas vinham nos alertando sobre os perigos à espreita, demo-nos conta de que desde há muito, milhares, milhões de pessoas estavam à margem deste glorioso e triunfante processo de conquista do Universo e já enfrentavam, nas inóspitas regiões em que habitam sérias dificuldades de sobrevivência.

Mas quem se importaria então com a seca, com a fome, com as enchentes, com as pragas, as doenças de veiculação hídrica, com a exclusão, com a tragédia da miséria que assolavam sistematicamente algumas partes do Planeta?

Elas se passavam longe, muito longe de nós... 

Mas agora, quando a ciência que criamos e que julgávamos capaz de solucionar todo e qualquer problema dos humanos, começa a nos mostrar que, pela primeira vez na história da humanidade, está posta em xeque a continuidade da nossa caminhada enquanto espécie no Planeta Terra, sentimo-nos desamparados, indefesos, fragilizados.

A perplexidade toma conta de nós, quando, finalmente, percebemos a íntima relação entre o nosso modelo civilizatório predatório excludente, a destruição do meio ambiente, o rompimento do equilíbrio ecológico que a Natureza teceu em milhões de anos de trabalho cósmico e o caos que ameaça a todos em todos os recantos do mundo, sem distinção de etnia, de classe social, de gênero, de nacionalidade, de escolaridade. 

O que fazer agora, qual o papel de cada um de nós, cidadãos do Planeta? Como prosseguir à luz da tragédia anunciada? Como partir do temor que paralisa para a ação que pode trazer alternativas de caminhos, de soluções? O Dia Mundial da Água é um excelente momento para que façamos esta reflexão. Sem razões para comemorar, dediquemo-nos a pensar como vamos cuidar deste bem imprescindível para a nossa sobrevivência, vida e de todas as espécies que conosco compartilham a Terra. 

Lembremos-nos que Planeta Terra é azul quando visto do espaço, mas não tenhamos ilusões, uma vez que 97% dos 2/3 de sua superfície composta de água é salgada! Dos 3% restantes, a maior parte está nos icebergs em forma de gelo. Assim a água acessível ao consumo humano, que é encontrada em rios, lagos e alguns reservatórios subterrâneos, somam apenas 0,3%, ou 100 mil km³. 

Ao mesmo tempo em que aumentamos o consumo de água em nossas atividades produtivas e em nosso cotidiano, continuamos, de forma inadmissível, poluindo com lixo, esgoto e agrotóxicos, os recursos hídricos de que dispomos. Esquecemos, neste processo perverso, que a quantidade de água na Terra é praticamente invariável há 500 milhões de anos. 

As mudanças que ocorrem são em sua distribuição, pois a água não permanece imóvel, se recicla por meio do Ciclo Hidrológico, cujo equilíbrio encontra-se ameaçado pelo aquecimento global, pelo desmatamento e pela poluição. 

Enquanto isto a escassez de água potável já atinge 20% da população e a ONU afirma que se a população mundial continuar aumentando 80 milhões de habitantes por ano, entre os anos de 2025 e 2050, 40% da população já estará sem acesso à água potável. Somente nos últimos 50 anos, aconteceram em todo o mundo cerca de 500 conflitos armados tendo como causa prima à disputa pela água. 

Metade do leito dos hospitais é ocupada por doenças veiculadas pela água. A cada ano as doenças provocadas por ela causam 03 milhões de mortos no mundo, crianças na maioria, e provocam mais de 1 bilhão de enfermidades. No Brasil, que detém 12% da água doce do mundo, 80% das doenças são causadas ou disseminadas pela falta de saneamento e 40% das torneiras dos nossos lares derramam água com qualidade não confiável. 

São Paulo, a megalópole emblemática, resume em seus números toda fragilidade de um modelo de distribuição territorial que se esqueceu de levar em conta a geografia da Natureza. Aqui vivem 22% da população do Brasil e aqui só estão 1,6% da água de nosso país, consumimos 210 milhões de litros de água por hora (116 piscinas olímpicas) que vamos buscar a mais de 80 km de distância da capital. 

No dia de hoje, deveríamos parar tudo para debater em fóruns, na praça pública, nos palácios, este que é, ao lado das mudanças climáticas, o maior desafio do século XXI, o acesso à água de boa qualidade, o gerenciamento adequado dos recursos hídricos de que ainda dispomos.

A partir da reflexão, do debate, (e do medo), quem sabe tomamos juízo e passamos a agir como cidadãos conscientes, adequando nossas atividades cotidianas a padrões de sustentabilidade, participando ativamente da organização de nossa comunidade, articulando-nos nacionalmente para influenciar políticas públicas sérias e ecologicamente corretas, fiscalizando, reivindicando, sentindo-nos parte da imensa e maravilhosa comunidade biótica. 

*Miriam Duailibi é presidente do Ecoar, uma das principais ativistas ambientais brasileiras da atualidade. Autora de diversos livros, artigos e textos sobre o tema é reconhecida internacionalmente por seus inovadores projetos socioambientais. Fundou em 92 a Ecoar, organização sem fins lucrativos da qual faz parte o Instituto Ecoar para Cidadania, o Centro Ecoar de Educação para Sociedades Sustentáveis e o a Associação Ecoar Florestal, responsável pela produção anual de 2 milhões de mudas para a reposição de florestas no Brasil. 

AUTORIA: Miriam Duailibi 

Sobre o Instituto Ecoar para a Cidadania:

O Instituto Ecoar é uma organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP), sem fins lucrativos, que atua com educação ambiental, cidadania e projetos florestais. Sua missão é contribuir para a construção de sociedades sustentáveis e em equilíbrio com a natureza. 

Fundada por um grupo de ambientalistas e pesquisadores após a Eco-92 e o Fórum Global, é responsável pela implantação de mais de 50 projetos de meio ambiente e educação em todo país. Credenciada pelo IBAMA e DPRN para desenvolver o Programa de Reposição Florestal Obrigatória no Estado de São Paulo, possui dois viveiros que juntos produzem mais de 02 milhões de mudas por ano. 

Por.: Miriam Duailibi
Fonte: Trama Web / Site ANIMAL LIVRE
Matéria publicada em Hospital Espiritual do Mundo


sexta-feira, 2 de maio de 2014

Esta torre puxa água potável do ar


O designer industrial Arturo Vittori inventou uma torre que pode proporcionar mais de 95 litros de água potável por dia a aldeias remotas de todo o mundo.

Em algumas partes da Etiópia, encontrar água potável é uma jornada de seis horas. Além de demorar pra chegar até ela, quando as pessoas encontram água, muitas vezes ela não é segura para beber, já que é coletada de lagoas ou lagos repletos de bactérias infecciosas, contaminados com resíduos de animais ou outras substâncias nocivas.
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A escassez de água afeta quase 1 bilhão de pessoas só na África. Esse problema tem atraído a atenção de grandes nomes filantropos, como o ator e cofundador da organização Water.org Matt Damon e o confundador da Microsoft Bill Gates que, através de suas respectivas entidades sem fins lucrativos, já gastaram milhões de dólares em pesquisa para chegar a soluções como um sistema que converte água do vaso sanitário em água potável.


Os críticos, no entanto, têm suas dúvidas sobre como integrar essas tecnologias complexas em vilarejos remotos que não têm sequer acesso a água. Os custos e a manutenção podem tornar muitas dessas ideias impraticáveis.

Outras invenções de baixa tecnologia podem não ser tão complicadas, mas ainda dependem dos usuários encontrarem uma fonte de água, o que, como já foi estabelecido, é um grande problema na Etiópia, por exemplo.

Foi pensando neste dilema – achar uma forma prática e conveniente de levar água a esses locais – que Vittori, junto com seu colega Andreas Vogler, criou a torre.

A estrutura de baixo custo e facilmente montável chama-se Warka Water (nomeada a partir de uma figueira nativa da Etiópia). O invólucro exterior rígido de 9,15 metros de altura é composto por hastes leves e elásticas, colocadas em um padrão que oferece estabilidade em face de rajadas de vento forte, mas que permite que o ar flua. Uma rede de malha, feita de nylon ou polipropileno, paira dentro da torre, recolhendo as gotas de orvalho que se formam ao longo da sua superfície. Conforme ar frio se condensa, as gotículas rolam para baixo dentro de um recipiente, na parte inferior da torre. A água neste recipiente, em seguida, passa através de um tubo que funciona como uma torneira, transportando-a para aqueles que estão no chão.

Usar malha para capturar água potável não é um conceito totalmente novo. Alguns anos atrás, um estudante do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA) projetou um dispositivo para “colher” nevoeiro. A invenção de Vittori produz mais água a um custo mais baixo, no entanto.

“Na Etiópia, infraestruturas públicas não existem e a construção de algo como um poço não é fácil. Para encontrar água, é preciso perfurar profundamente o solo, muitas vezes tanto quanto 490 metros. Então, é tecnicamente difícil e caro. Além disso, as bombas precisam de eletricidade para funcionar, bem como o acesso a peças de reposição no caso de quebra”, explica Vittori.

Já a torre de água Warka pode fornecer mais de 95 litros de água ao longo de um dia de forma barata e simples. Como o fator mais importante na coleta e condensação é a diferença de temperatura entre o anoitecer e o amanhecer, as torres funcionam bem inclusive no deserto, onde as temperaturas podem variar até 27 graus Celsius em 24 horas.

A estrutura, feita a partir de materiais biodegradáveis, é fácil de limpar e pode ser erguida sem ferramentas mecânicas em menos de uma semana. Além disso, uma vez que os habitantes locais aprenderem a montá-la, serão capazes de ensinar outras aldeias e comunidades a construir sua própria Warka.

Ao todo, cada torre custa cerca de US$ 500 (cerca de R$ 1.100) para ser montada – menos de um quarto do custo de algo como o vaso sanitário conversor, que sai cerca de US$ 2.200 (R$ 4.860) para instalar, e mais para manter. Se for produzida em massa, o preço seria ainda menor.

A equipe de Vittori espera instalar duas torres Warka na Etiópia até o próximo ano, e está atualmente à procura de investidores interessados em levar a tecnologia de captação de água a toda a região.

“Não é apenas a incidência de doenças que estamos tentando diminuir. Muitas crianças etíopes de aldeias rurais passam várias horas por dia buscando água, tempo que poderiam investir em atividades mais produtivas e em educação”, diz Vittori. [SMag]

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Fonte: hypescience.com

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

O PRIMEIRO ECOLOGISTA





Ecologia é a ciência que estuda a relação entre os seres vivos e o ambiente em que vivem. O termo foi utilizado, pela primeira vez, no ano de 1869, pelo cientista alemão Ernst Haeckel.

Contudo, no estudo dos Evangelhos, encontramos o mais excelente ecologista.  Muito antes dos homens se preocuparem com a sua casa terrena, com as questões ecológicas, um Sábio Galileu demonstrou o viver saudável e a interação com o meio ambiente.

Ele nasceu num estábulo, apropriado para abrigar os animais. E um boi e um burro dividiram o espaço com Ele.

Seu primeiro berço foi improvisado numa manjedoura, utilizando-se, os pais, do feno reservado aos animais.

Seus primeiros visitantes foram homens que guardavam as ovelhas, no campo.

Iniciou Seu messianato, identificando-se, conforme as Escrituras, nas águas do rio Jordão.

Embora frequentasse as sinagogas e o templo, em Jerusalém, foi no altar da natureza que teceu as mais belas considerações a respeito do reino que veio implantar no coração dos homens.

Subiu a um monte e pronunciou o poema jamais igualado das bem-aventuranças.

No poço de Jacó, na Samaria, serviu-se do precioso líquido para tecer uma analogia e ofertar a água viva, que dessedenta para sempre.

Falando a respeito da fé, a comparou ao minúsculo grão de mostarda que, semeado, se transforma em frondosa árvore, onde se vêm abrigar as aves.

Lecionando a humildade, declamou versos a respeito dos lírios dos campos, que não tecem, nem fiam, mas que se vestem com maior pompa do que o grande rei Salomão.

Ensinando a confiança na Providência Divina, referiu-se às aves do céu, que não semeiam, nem colhem e, no entanto, o Pai lhes provê o alimento diário.

Em meio à tempestade, que atemorizava os companheiros, Ele se ergueu e falou aos ventos, ordenando aos Espíritos que atuam na natureza, para que cessassem a sua ação.

Comparou-se a uma videira, adjetivando Seus discípulos como os ramos, Ele próprio distribuindo a seiva que os há de alimentar.

Denominou-se o ramo verde, o que viceja, dá flores, frutifica. Demonstrando o conhecimento intrínseco do ofício, ofereceu-se como o Bom Pastor, aquele que, ao contrário do mercenário que foge ante o perigo, dá a Sua vida pela das Suas ovelhas.

E contou a história da ovelha perdida, das noventa e nove em segurança no redil, da alegria do Pastor ao encontrar a Sua ovelha, carregando-a aos ombros.

Vivendo no ambiente da carpintaria, enquanto crescia, agonizou e entregou Seu Espírito ao Senhor da Vida pregado a um madeiro.

*  *   *

Jesus ecologista. Jesus, amante da natureza. Ressurgindo na manhã do domingo, Ele aguardou no jardim e se deu a conhecer a Maria Madalena.

E, em plena natureza, em meio à assembleia de cinco centenas de discípulos, alçou-se e desapareceu dos olhos humanos, adentrando o reino do Pai, deixando-nos a lição de amor ao semelhante e à natureza.

Natureza que Ele ensinou a apreciar em seus detalhes, a prestar atenção a coisas que parecem insignificantes mas que integram o meio ambiente em que nos movimentamos, em que vivemos.

Jesus, Modelo e Guia. Ecologista de primeira grandeza.



Redação do Momento Espírita.

domingo, 2 de junho de 2013

Identificado novo inseticida mortal para as abelhas

O pesticida fabricado pela BASF é acusado de causar a morte de abelhas
Photo Pin



Bruxelas - A Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA) emitiu um parecer desfavorável ao Fipronil, inseticida fabricado pelo grupo alemão BASF, pois seu uso para proteger os cultivos de milho tem causado a morte de abelhas, importantes polinizadoras.

Apenas cinco países da UE ainda usam este inseticida para o milho: Espanha, Hungria, Bulgária, República Checa e Eslováquia.

A Comissão Europeia havia solicitado esta decisão à EFSA em agosto de 2012. Está incompleta, mas aponta "um risco elevado" comprovado para o tratamento do milho.

O grupo BASF agora tem três semanas para responder a esta decisão. A Comissão Europeia submeterá em breve o caso do Fipronil a um comitê de especialistas da UE para uma decisão em 15 ou 16 de julho, informaram os serviços do comissário europeu encarregado da saúde, Tonio Borg.

A Comissão Europeia (CE) já decidiu proibir durante dois anos, a partir de dezembro, o uso de três pesticidas mortais para as abelhas, comercializados pela farmacêutica alemã Bayer e pela suíça Sygenta.

O veto começa em 1º de dezembro e se baseia em um informe da Agência Europeia de Segurança alimentar. Envolve três praguicidas da família dos neonicotinoides comercializados na Europa por Bayer e Syngenta: clotianidina, tiametoxam e imidacloprid, que podem ser mortais para as abelhas, mas não causam danos à saúde do ser humano.


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Fonte: Info Exame, por AFP, em 28 de maio de 2013


sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Ecologia - O Grito das Crianças



A Assembléia Geral da ONU, reunida em Estocolmo, capital da Suécia, em 1972, instituiu na abertura da Conferência sobre Meio Ambiente Humano, o dia 5 de junho como"Dia Internacional do Meio Ambiente”.
A Estância hidromineral de Cambuquira, em Minas Gerais, assim como muitas cidades de Santa Catarina, é exemplo de preservação ambiental para qualquer município brasileiro. Lá assistimos, no dia 5 de junho, peça teatral apresentada por atores-mirins, alunos de uma escola municipal,que honra a memória de Pestalozzi. Beleza, plasticidade e compromisso com a preservação da natureza, estiveram presentes na fala, na dança, no cantar e no entusiasmo das crianças que, em seguida, plantaram juntamente com outros colegas de todas as escolas municipais, milhares de mudas por toda a cidade...

Aquele espetáculo infantil, reacendeu as esperanças de que uma nova mentalidade, construída junto com a geração porvir, pode redimir o Planeta.

Da obra Atualidade do Pensamento Espírita, 1ª edição, publicada em 1998, extraímos da página 62, item 2.4, pergunta 55, o seguinte: "A agricultura moderna, com o uso exagerado de máquinas, produtos químicos e sementes transgênicas, vem causando impactos nocivos no meio ambiente e na saúde humana. A agricultura sustentavel, sem riscos ecológicos e boa produtividade, será um dia realidade?" Resposta do Espírito Vianna de Carvalho, através do médium Divaldo Franco:

"A consciência de si fará com que o homem respeite a vida em todas as suas manifestações, mudando as técnicas agrícolas, passando a utilizar-se de máquinas que não poluam a atmosfera, de recursos orgânicos que substituam as substâncias químicas venenosas e os hormônios que deformam os animais, em razão da ganância argentária. A raiz de toda poluição, de toda destruição da vida, é de natureza moral, respondendo pela avareza que predomina na criatura humana...”

O brado da Ciência que clama por um freio moral que estanque a sangria nas veias da Terra, rasgadas pela nossa geração, começa a ser ouvido.O G-8 cuja meta é dinheiro e "desenvolvimento", é composto por nações que isoladamente e em conjunto, estão produzindo a falência ecológica da nossa Casa Maior. Não obstante, em seu último encontro, emitiu sinais de preocupação, face ao Relatório assinado por muitos cientistas de países do 1º Mundo, denunciando o Aquecimento Global. Cabe à opinião pública mundial, o exercício da pressão legítima para que a preocupação se transforme em atitudes, em atos concretos, que interrompam a destruição do Planeta.Nossas crianças, que foram nossos bisavós em encarnações passadas, e seremos nós mesmos em futuras encarnações, serão as herdeiras do que estamos plantando. Aliás, já dizia o Cristo: "Tudo o que homem plantar, isto também colherá". Está no Evangelho. O que estamos plantando para a colheita futura? Leia o que disse uma criança canadense, na abertura da ECO-92, no Rio de Janeiro: "Sou SEVERN SUZUKI . Estou aqui com um grupo de crianças canadenses de 12 e 13 anos, tentando fazer a nossa parte. Viemos de tão longe para dizer que vocês adultos têm que mudar o modo de agir. Ao vir aqui hoje não preciso disfarçar meu objetivo: estou lutando pelo meu futuro. Não ter garantia quanto ao meu futuro não é o mesmo que perder uma eleição ou alguns pontos na Bolsa de Valores. Estou aqui para falar em nome das gerações que estão por vir . Estou aqui para defender as crianças com fome, cujos apelos não são ouvidos. Estou aqui para falar em nome dos incontáveis animais, morrendo em todo o Planeta porque já não têm para onde ir. Não podemos mais permanecer ignoradas. Hoje tenho medo do sol por causa dos buracos na camada de ozônio. Tenho medo de respirar este ar porque não sei que substâncias químicas o estão contaminando. Eu costumava pescar com meu pai em Vancouver, até o dia em que pescamos um peixe com câncer... Temos conhecimento de que animais e plantas estão sendo destruídas a cada dia e, em vias de extinção. Sou apenas uma criança e não tenho as soluções, mas quero que saibam que vocês também não têm. Vocês não sabem como tapar os buracos na camada de ozônio; vocês não sabem como salvar os salmões das águas poluídas; vocês não podem ressuscitar os animais extintos; vocês não podem recuperar as florestas que um dia existiram onde hoje é deserto... Se vocês não podem recuperar nada disto então, por favor, parem de destruir... "


Daniel Valois

valois35@terra.com.br

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Jardins Orientais

Jardim Japonês do Bosque/Zoo “Dr. Fábio Barreto”, em Ribeirão Preto

“O rio atinge seus objetivos porque aprendeu a contornar obstáculos” Lao Tsé
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Uma das grandes diferenças entre o paisagismo desenvolvido na Ásia e aquele que cresceu no Ocidente é o caráter místico e religioso que está presente nos chineses, nos japoneses e nos coreanos. Esses povos tiveram, desde os primórdios da civilização, uma preocupação muito forte de manter uma ligação com a natureza; Lao Tse, por exemplo, ilustrava com frequência suas metáforas com exemplos tirados da paisagem. Em uma de suas citações, ele diz que a gente deve deslizar na vida como se estivesse em um rio, ou seja, de uma maneira mansa e até despreocupada. Recentemente Barry Stevens (1902 – 1985), psicóloga e escritora que desenvolveu sua própria forma de Gestalt-Terapia (um trabalho corporal, com base no conhecimento dos processos do corpo, trabalhando com personalidades como Carl Rogers, Bertrand Russell e Aldous Huxley) escreveu um best seller, que titulou “Não Apresse o Rio”, transformando-se em uma espécie de bíblia da Gestalt terapia, seguramente com muitos dos princípios de Lao Tse, do Zen-budismo e da filosofia de Krishnamurti.

Confúcio, que foi contemporâneo de Lao Tse, também ensinava o caminho para alcançar a liberdade e a calma espiritual através da contemplação.

Quando mais tarde os seguidores de Buda semearam os ensinamentos do mestre por toda China, já encontraram um campo fértil, porque o povo estava consciente de seu misticismo e amava a natureza.

Mas existem outras diferenças entre a arquitetura paisagística do Oriente e os jardins de outros continentes; enquanto estes procuram a beleza usando a simetria, as uniformidades e as proporções muitas vezes até rígidas demais, os orientais exploram essa capacidade inata de romper formas e surpreender a cada passo com novas perspectivas causando assim no observador uma sucessão de percepções na medida que passeia pelo jardim.

Antigamente era muito comum entre os chineses visitar periodicamente lugares remotos, geralmente montanhosos e com uma paisagem que devia ser sempre grandiosa e bucólica; eles iam para estas regiões, por uma série de motivos: para fugir do cotidiano, para descansar, mas fundamentalmente para meditar e se dedicar às coisas da alma, como escrever poemas e fazer sacrifícios que ofereciam aos deuses e antepassados.

O problema era chegar ao destino: eles enfrentavam longas e torturantes caminhadas, especialmente para as mulheres, que na época usavam calçados apertados para não permitir o crescimento normal dos pés.

Foi então que eles começaram a reproduzir essa paisagem, perto das casas onde moravam, para sentir a mesma emoção que sentiam quando viajavam para aqueles campos remotos. Dessa maneira surgiram os primeiros jardins orientais.

Pessoalmente me sinto muito ligado a todas as coisas que vêm do Japão; desde minha infância mantenho uma relação muito forte com produtores de plantas que nasceram lá ou que são herdeiros desta arte, por causa dos pais ou dos avôs.

Eu arriscaria dizer que os chineses ficaram um pouco para traz no desenvolvimento da cultura paisagística; desde o momento em que o budismo entrou no Japão, houve uma proposta por parte dos nipônicos de ir longe a tudo o que fosse inerente a natureza cultivada. E a partir do século VI até o século XV, houve uma evolução fantástica envolvendo uma tradição, hoje tão admirada.

A própria cerimônia do chá, começou a adquirir hábito só no século XIV e no século XV, ajudando muito a arquitetura paisagística, porque as casas de chá sempre estavam muito bem rodeadas de jardins cuidadosamente projetados.

Inclusive a arte do arranjo floral, o Ikebana, começou há 13 séculos e se destinava a simbolizar certos conceitos filosóficos do Budismo. Porém no decorrer do tempo, o lado religioso acabou desaparecendo enfatizando-se especialmente o lado mais naturalista do Ikebana.





Nessa época algumas flores eram muito valorizadas como ameixeira, a glicínia e o crisântemo, mas nunca deixavam de lado as árvores e arbustos que davam à paisagem um efeito permanente, como era o caso do Acer e da Azaléia, que eram tratados com podas de maneira a criar formas originais. Tanto se dedicaram a esta tarefa de interferir no livre crescimento das árvores inventando o bonsai, que ajustou perfeitamente a necessidade de ter a paisagem cada vez mais perto dos olhos e mais próximos da alma dos japoneses.

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Fonte: Jardim das Idéias
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terça-feira, 28 de agosto de 2012

Ecologia


Três grandes megacidades
 contaminarão menos


Atualmente 600 bilhões de dólares são utilizados para subsidiar 
os combustíveis fósseis e isto altera os custos ambientais 
de certas formas de produção.
Alberto Barlocci
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Buenos Aires / Ecologia – Buenos Aires, Cidade do México e São Paulo assinaram um documento no qual se comprometem a reduzir as consequências do efeito estufa sobre estas megacidades. O acordo foi feito durante uma jornada de trabalhos do Rio+C40, efetuada no contexto da Cúpula desenvolvido na cidade brasileira do Rio de Janeiro, conhecida pela sigla Rio+20.

A rede C40 reúne quarenta grandes cidades cujos administradores dedicaram uma jornada ao tema da mudança climática e como enfrentá-la. Adalberto Maluf, diretor do C40 em São Paulo, anunciou que o acordo prevê a cooperação das três grandes metrópoles sobre alguns temas principais como: a governabilidade, a qualidade de vida, os espaços públicos, a mobilidade, a poluição urbana, o uso eficiente da energia, a água e o uso do solo.
Cerca de 50 milhões de habitantes vivem em Buenos Aires, São Paulo e Cidade do México, considerando as respectivas periferias. Já são proverbiais os problemas dos vizinhos da capital mexicana devido à concentração de ozônio no ar da cidade causada pela contaminação atmosférica. Mas nem a cidade paulista, nem a capital portenha estão isentas de graves problemas de contaminação, que reduzem notavelmente a qualidade de vida de seus habitantes.
O acordo foi assinado durante a Cúpula Rio+20, que tem cada vez menos oportunidades de conseguir uma tomada de consciência sobre a urgência de enfrentar os problemas ambientais do planeta. Prova disso é a ausência dos principais líderes mundiais no evento do Rio de Janeiro. E isto acontece ao mesmo tempo em que a OCDE informa num documento que se nos próximos anos não forem tomadas decisões radicais para reduzir as emissões poluentes, os cenários para 2050 serão preocupantes, já que nos próximos 30 anos cerca de 4 milhões de pessoas por ano morrerão nas grandes cidades devido â poluição do ar que respiram.
Para Camilla Toulmin, diretora da ONG International Institute for Environement and Development com sede em Londres, um passo importante seria o de incluir os custos ambientais na estrutura e a formação dos preços, a fim de incluí-los nos custos de produção e de consumo. " Hoje 600 bilhões de dólares são utilizados para subsidiar os combustíveis fósseis e isto altera os custos ambientais de certas formas de produção". Seriam apenas os primeiros passos para evitar avançar para a irreversibilidade de alguns problemas ambientais.
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Alberto Barlocci. Diretor da revista Ciudad Nueva. Publicado em Ciudad Nueva, www.ciudadnueva.org
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Fonte: Miradaglobal.com

domingo, 26 de agosto de 2012

Alimentação

A comida como direito humano em risco

As pessoas deveriam ter a oportunidade de cultivar seus próprios alimentos; 
por sua vez, os alimentos básicos deveriam estar ao alcance de todos 
e estes também deveriam estar isentos de qualquer substância nociva.
Jessica Nitschke
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Bruxelas / Ecologia – 830 milhões de pessoas sofrem de fome no mundo. A previsão é de que a população mundial continue aumentando nas próximas décadas, atingindo a cifra de 9 bilhões em 2050. Isto é um problema importante. Como assegurar comida para toda esta população no futuro? A mudança no sistema de produção mundial de alimentos é importante não só para os seres humanos senão que também para o meio ambiente. Sob a pressão crescente da mudança climática, é uma questão crucial manter a alimentação da população de uma maneira sustentável.
Para discutir este tema, a ONG Compassion in World Farming em colaboração com a FAO (Organização para a Agricultura e a Alimentação) das Nações Unidas organizou em Bruxelas uma conferência internacional. Em 20 de março estiveram presentes diplomatas, políticos e membros do parlamento europeu para discutir o tema a respeito de “Garantir uma alimentação correta e uma agricultura ecológica para o futuro”.
Uma das propostas para assegurar o fornecimento de alimentos no futuro é reduzir o consumo de carne. Nos últimos anos, o consumo de carne aumentou em todo mundo, inclusive nos países em que há pouco tempo era considerado um luxo. Produzir um quilo de carne (dependendo do tipo de carne) precisa aproximadamente de 16 quilos de grãos.
Neste contexto, Compassion in World Farming descreve em seu relatório “Consumindo o Planeta”, que a redução do consumo mundial de carne poderia liberar um milhão de quilômetros quadrados de terras de cultivo. Também significaria menores emissões de gases de efeito estufa. A redução de consumo de carne é ao mesmo tempo benéfica para o meio ambiente e uma medida de justiça social.
De maneira similar há uma necessidade de sensibilizar a população a respeito do problema da comida. Um terço da comida mundial termina sendo desperdiçado, diz a FAO das Nações Unidas, ascendendo a quase 1,3 milhões de toneladas por ano. Portanto os recursos destinados à produção de alimentos acabam sendo desperdiçados.
A segunda perspectiva a respeito da crise de alimentos é que, sob a perspectiva das pessoas em situação de pobreza, a segurança alimentícia se transformou num problema muito importante. A produção de comida precisa poder satisfazer a demanda de um aumento constante da população.
O relator especial das Nações Unidas para a defesa do direito aos alimentos, Olivier De Schutter, argumenta que os três elementos principais do “direito à alimentação” são disponibilidade, acessibilidade e idoneidade. Isto significa que as pessoas deveriam ter a oportunidade de cultivar seus próprios alimentos, e que os alimentos básicos deveriam estar ao alcance de todos, e uma última condição essencial seria que os alimentos deveriam estar isentos de qualquer substância nociva. O direito universal à alimentação está ameaçado pelo uso excessivo dos produtos animais dos países ricos.
A conferência concluiu que o desenvolvimento da crise alimentícia, em um prazo mais longo, será um problema que afetará tanto os mais pobres do mundo assim como o meio ambiente, implicando uma obrigação das economias desenvolvidas de reduzir o consumo de produtos animais. Neste assunto está claro que nenhum país reconheceu este objetivo como uma política prioritária.
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Jessica Nitschke. Membro da equipe Centro Social dos Jesuítas na Europa em Bruxelas, Bélgica. Publicado em http://ecojesuit.com
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Fonte: Miradaglobal.com
 

sábado, 25 de agosto de 2012

Ecologia

Crescentes limites à mineração
 Há limites na exploração mineira emergente? 
No melhor dos casos as empresas estão começando a ter alguns critérios éticos.
Pedro Walpole, S.J. y Sylvia Miclat 
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Filipinas / Ecologia – A extração de minerais, sejam metálicos ou não metálicos, incluindo o carvão e outros combustíveis fósseis, está em contínuo debate ambiental e social no plano de políticas, e está sendo uma pílula amarga do desenvolvimento que alguns países estão obrigando-se a engolir como uma resposta à redução da pobreza.

Num marco global que presencia os preços dos metais em seu nível mais alto há décadas, mas também num contexto ambiental que há 20 anos é mais tênue e frágil, o comércio e as atividades extrativas parece que tiveram um fácil acomodo na Rio+20 há duas semanas. Sob uma perspectiva internacional e desenvolvimentista não se definiram limites à mineração, satisfeitos em ter-se reiterado os 27 princípios da Declaração de Rio sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento ou a Agenda 21 lembrados na Cúpula da Terra em 1992.

Agenda 21 definiu o enfoque global do desenvolvimento sustentável, ao entrar no século XXI. A proteção do ambiente e o princípio de precaução, as avaliações de impacto, a sustentabilidade das atividades que responda equitativamente às necessidades das gerações presentes e futuras, a tomada de decisões participativa, a legislação ambiental e a erradicação da pobreza foram alguns dos princípios que guiaram a definição que cada país fará para a implementação do desenvolvimento sustentável.

Embora não haja referência explícita à extração de recursos naturais, o Princípio 2 estabelece que:
“Os Estados têm, de conformidade com a Carta das Nações Unidas e os princípios do direito internacional, o direito soberano de explorar seus próprios recursos segundo suas próprias políticas ambientais e de desenvolvimento, e a responsabilidade de assegurar que as atividades sob sua jurisdição ou controle não causem danos ao ambiente ou a outros Estados ou a regiões localizadas além dos limites da jurisdição nacional”.

Portanto, nem a Rio 1992 nem a Rio 2012 puseram limites à mineração enquanto a especulação continua e os crescentes investimentos no setor estão produzindo algumas das práticas menos éticas, com executivos das empresas de mineração mais importantes entre os mais bem pagos de forma grosseira e vergonhosa, um dos muitos agravos que o “ Movimento Ocupa” reclamou. Com um desemprego juvenil acima de 50% nos Estados Unidos e na Europa, os salários e benefícios que recebem os diretores de alta casta dessas corporações estão alimentando o ressentimento e a ira.

DO QATAR E DA CHINA
Mas curiosamente, dois desenvolvimentos empresariais recentes parecem estar aplicando algum freio a esta louca carreira por pagamentos e compensações cada vez mais altos aos investidores e executivos.
A esperada mega-fusão de 70 bilhões de dólares do gigante de matérias-primas Glencore International e a mineradora Xstrata fracassou em 27 de junho passado, devido a duas razões principais.

Uma delas é que os representantes de Investimentos de Qatar, o segundo maior acionista de Xstrata, exigiram mais 16% de Glencore para cada ação de Xstrata. A oferta atual é de 2,8 ações da Glencore para cada ação de Xstrata, e os qataríes querem que suba a 3,25.

A segunda razão é a inaceitabilidade do pacote de vários milhões de libras previsto para os altos executivos da Xstrata no momento da fusão, como reconhecimento por seus resultados passados, presentes e futuros. Os pagamentos, segundo os termos originais da fusão, ascendem a um total de 240 milhões de libras a 73 diretores de alto nível da Xstrata, com Mick Davis, diretor geral de Xstrata, atribuindo-se a si mesmo 28,8 milhões de libras durante três anos para permanecer em seu posto depois da fusão sem ter que cumprir metas.

O presidente da Xstrata, John Bond, é acusado pelos investidores e acionistas da Xstrata de estar-se esforçando por seus investimentos. Nesta situação, a Xstrata se vê obrigada a redesenhar os bônus relacionados com a fusão e oferecer novas condições. Estas poderiam incluir bônus que serão pagos integralmente em ações em vez de dinheiro vivo, vinculando os pagamentos para a alta direção, incluindo os de Davis, em nível de economia de custos obtida pela fusão.

A indústria está entre a espada e a parede. Depois de ter renunciado à ética e num mundo desenvolvido onde 50% dos jovens estão desempregados, não podemos premiar um homem, por melhor que seja, com 29 milhões de libras. Com todo respeito ao senhor Davis e suas capacidades, parece que estamos pondo o limite em 29 milhões de libras. Isto pode ser considerado uma pequena vitória para o “Movimento Ocupa”, que documentou que os executivos das companhias de mineração se encontram entre os que maiores benefícios recebem.

Uma novidade interessante é a segunda compra da London Metal Exchange (LME), mercado de 137 anos de idade, por 1,39 bilhões de libras (2,160 milhões de dólares) em 15 de junho passado pelas Bolsas e Câmara de Compensação de Hong Kong (HKEx). LME é uma das poucas bolsas de valores privadas que ainda existem e um dos últimos grandes mercados financeiros independentes da Grã-Bretanha. Espera-se que os grandes acionistas da LME: JP Morgan, Goldman Sachs, e Metdist, a corretora de metais, obtenham gigantescos e inesperados lucros. O acordo reunirá a LME, que opera 80% das opções de metais do mundo, e os contratos de futuros da China, que consome 42% dos metais do mundo.

Mesmo que as operações se mantenham em Londres, não sabemos o que isto significará, fora da entrada imediata de Hong Kong no comércio de produtos básicos no meio da crescente demanda chinesa de metais. Esta transição para mãos chinesas pressagia tempos interessantes, já que esta aquisição está ocorrendo ao mesmo tempo em que a China está acumulando minerais raros no nível mundial e comprando grandes extensões de terras na África e em outros países em desenvolvimento.

DESENVOLVENDO O SENTIDO DE RESPONSABILIDADE E ÉTICA
Rio +20 não ajudou a trazer mais ética à mineração, só reafirmou o idealismo da mineração, unicamente para mencioná-lo e tirar o tema do caminho.

Mas há uma crescente demanda de responsabilidade proveniente dos acionistas, como ficou claro com a tentativa de fusão da Xstrata com a Glencore. Sem poder controlar suas margens de lucros, encontraram excessivos os pagamentos dos executivos.

Outra área onde existe responsabilidade e que não foi tratada é o desenvolvimento da vigilância da mineração, em nível internacional e global. Esta vigilância deve-se centrar no seguimento das normas e na prevenção de violações dos direitos humanos.

As normas internacionais, aplicáveis a todos os países por igual devem ser respeitadas e controladas pela própria indústria. Em países como as Filipinas, com freqüência não existe uma base ou capacidade técnica para prevenir a corrupção e complementar os lucros de alguns implicados.

Garantir que as violações dos direitos humanos não devem ser efetuadas inclui a promoção e a prática da ética na gestão e na quantidade de dinheiro que as pessoas recebem; a ética do dano ou da responsabilidade pelos danos causados; e a ética dos direitos humanos na forma como as pessoas são tratadas antes, durante e depois das atividades mineiras. É inaceitável o assassinato de ativistas ambientais que estão acontecendo e que são conhecidos internacionalmente.

A mineração nestes tempos é muito rentável e provavelmente enriquecerá muitas pessoas, e financiará a muitos programas para redução da pobreza. Mas a mineração também está sendo explorada em ecossistemas que são muito frágeis, vulneráveis e em situação de risco; ali onde as culturas que vivem dentro destas áreas ricas em minerais são igualmente vulneráveis e se aferram a sua integridade cultural e à equidade através de suas terras e recursos.

A mineração causa impactos em tudo isto. Por sua própria natureza, a mineração tem o pior impacto social, cria divisão entre as pessoas, causando marginação. É o pior caminho de iniciação à industrialização e não vê o valor daquelas culturas que resistem à cultura global. Os desastres causados pela mineração em algumas partes do mundo ilustram estas ameaças que ainda não foram resolvidas.

Há limites na exploração mineira emergente? No melhor dos casos as empresas estão começando a ter alguns critérios éticos, mas a sociedade civil e os governos não poderiam ter esses critérios também?

* Referências: Agenda 21, The Independent, Financial Times, The Guardian, Wall Street Journal, The Telegraph, e o New York Times.
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Pedro Walpole, S.J., and Sylvia Miclat trabalham com a Ciência Ambiental para a Mudança Social, uma organização de pesquisa jesuíta nas Filipinas. Publicado em Ecojesuit, http://ecojesuit.com
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Fonte: MiradaGlobal.com