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domingo, 2 de outubro de 2016
sexta-feira, 2 de maio de 2014
Esta torre puxa água potável do ar
O designer industrial Arturo Vittori inventou uma torre que pode
proporcionar mais de 95 litros de água potável por dia a aldeias remotas
de todo o mundo.
Em algumas partes da Etiópia, encontrar água potável é uma jornada de
seis horas. Além de demorar pra chegar até ela, quando as pessoas
encontram água, muitas vezes ela não é segura para beber, já que é
coletada de lagoas ou lagos repletos de bactérias infecciosas,
contaminados com resíduos de animais ou outras substâncias nocivas.
____________________________
A escassez de água afeta quase 1 bilhão de pessoas só na África. Esse
problema tem atraído a atenção de grandes nomes filantropos, como o
ator e cofundador da organização Water.org Matt Damon e o confundador da
Microsoft Bill Gates que, através de suas
respectivas entidades sem fins lucrativos, já gastaram milhões de
dólares em pesquisa para chegar a soluções como um sistema que converte
água do vaso sanitário em água potável.
Os críticos, no entanto, têm suas dúvidas sobre como integrar essas tecnologias complexas
em vilarejos remotos que não têm sequer acesso a água. Os custos e a
manutenção podem tornar muitas dessas ideias impraticáveis.
Outras invenções de baixa tecnologia podem não ser tão complicadas,
mas ainda dependem dos usuários encontrarem uma fonte de água, o que,
como já foi estabelecido, é um grande problema na Etiópia, por exemplo.
Foi pensando neste dilema – achar uma forma prática e conveniente de
levar água a esses locais – que Vittori, junto com seu colega Andreas
Vogler, criou a torre.
A estrutura de baixo custo e facilmente montável chama-se Warka Water
(nomeada a partir de uma figueira nativa da Etiópia). O invólucro
exterior rígido de 9,15 metros de altura é composto por hastes leves e
elásticas, colocadas em um padrão que oferece estabilidade em face de
rajadas de vento forte, mas que permite que o ar flua. Uma rede de
malha, feita de nylon ou polipropileno, paira dentro da torre,
recolhendo as gotas de orvalho que se formam ao longo da sua superfície.
Conforme ar frio se condensa, as gotículas rolam para baixo dentro de
um recipiente, na parte inferior da torre. A água neste recipiente, em
seguida, passa através de um tubo que funciona como uma torneira,
transportando-a para aqueles que estão no chão.
Usar malha para capturar água potável não é um conceito totalmente
novo. Alguns anos atrás, um estudante do Instituto de Tecnologia de
Massachusetts (EUA) projetou um dispositivo para “colher” nevoeiro. A
invenção de Vittori produz mais água a um custo mais baixo, no entanto.
“Na Etiópia, infraestruturas públicas não existem e a construção de
algo como um poço não é fácil. Para encontrar água, é preciso perfurar
profundamente o solo, muitas vezes tanto quanto 490 metros. Então, é
tecnicamente difícil e caro. Além disso, as bombas precisam de
eletricidade para funcionar, bem como o acesso a peças de reposição no
caso de quebra”, explica Vittori.
Já a torre de água Warka pode fornecer mais de 95 litros de água ao
longo de um dia de forma barata e simples. Como o fator mais importante
na coleta e condensação é a diferença de temperatura entre o anoitecer e
o amanhecer, as torres funcionam bem inclusive no deserto, onde as
temperaturas podem variar até 27 graus Celsius em 24 horas.
A estrutura, feita a partir de materiais biodegradáveis, é fácil de
limpar e pode ser erguida sem ferramentas mecânicas em menos de uma
semana. Além disso, uma vez que os habitantes locais aprenderem a
montá-la, serão capazes de ensinar outras aldeias e comunidades a
construir sua própria Warka.
Ao todo, cada torre custa cerca de US$ 500 (cerca de R$ 1.100) para
ser montada – menos de um quarto do custo de algo como o vaso sanitário
conversor, que sai cerca de US$ 2.200 (R$ 4.860) para instalar, e mais
para manter. Se for produzida em massa, o preço seria ainda menor.
A equipe de Vittori espera instalar duas torres Warka na Etiópia até o
próximo ano, e está atualmente à procura de investidores interessados
em levar a tecnologia de captação de água a toda a região.
“Não é apenas a incidência de doenças que estamos tentando diminuir.
Muitas crianças etíopes de aldeias rurais passam várias horas por dia
buscando água, tempo que poderiam investir em atividades mais produtivas
e em educação”, diz Vittori. [SMag]
______________________________
Fonte: hypescience.com
domingo, 14 de julho de 2013
Divisões político-administrativas de uma cidade
Gisela Santana
Penedo da Igreja Nossa Senhora da Pena
Foto Cartão Postal
Foto Cartão Postal
No dia 17 de maio de 2013 foi publicado
no Diário Oficial do Município do Rio de Janeiro o decreto nº 37158 de 16 de
maio de 2013 que cria a Área Especial de Interesse Ambiental da Freguesia em
Jacarepaguá – AEIA da Freguesia (1).
Esta publicação é um alento para os
moradores da Freguesia de Jacarepaguá. Há alguns anos vêm pleiteando a revisão do
Projeto de Estruturação Urbana da Taquara, PEU Taquara, que incentivou
enormemente os empreendimentos imobiliários na região; a ponto de comprometer a
qualidade de vida e o sistema infraestrutural local. Em artigo publicado em
agosto de 2012 (2), apresentei as razões dos moradores e havia sugerido o
congelamento das licenças e a revisão do PEU que, além da Freguesia e da
Taquara também inclui os bairros do Pechincha e do Tanque (3).
O decreto que cria a AEIA da Freguesia
não altera o PEU – Taquara, apesar de congelar por 60 dias (a contar da data de
publicação) as novas licenças para demolição, construção, acréscimo ou
modificação, reforma, transformação de uso, parcelamento do solo ou abertura de
logradouro. Aponta para o fato de que não haverá alteração dos índices
construtivos do PEU, sugere apenas que alterações de índices na Freguesia serão
estudadas, o que não necessariamente resolve a questão.
O que está proposto pelo decreto é que
durante esses 60 dias serão aprofundados estudos para o possível estabelecimento
de novos índices urbanísticos apenas para a Freguesia, dentro da área
delimitada pelo polígono definido pelo decreto.
Desenho esquemático do limite estabelecido pelo decreto n. 37158, 16 maio 2013, da AEIA da Freguesia
Adaptado do Google Earth por Gisela Santana
Adaptado do Google Earth por Gisela Santana
Entretanto, as justificativas
apresentadas para proposição do decreto demonstram algumas incoerências e
inconsistências para a delimitação do polígono que define a AEIA, que poderia
abranger uma área bem maior. A seguir, comento as considerações que motivaram a
promulgação do decreto:
Traçado esquemático da Trilha ecológica Transcarioca
Adaptado do Google Earth por Gisela Santana
Adaptado do Google Earth por Gisela Santana
2. “O bairro apresenta bens culturais
tombados que constituem um valioso testemunho de várias fases de sua ocupação”.
Este argumento também justificaria a inclusão do bairro da Taquara que, segundo
dados do Armazém de dados da Prefeitura, também apresenta exemplares com
tombamento federal: a Casa da Fazenda da Taquara e a Capela de N.S. dos
Remédios e da Exaltação de Santa Cruz. Além de outras áreas de Jacarepaguá que
também guardam testemunho de várias fases de sua ocupação, como pode ser
verificado no site da Prefeitura (4), no item que se refere ao Patrimônio
histórico, artístico e cultural relativo aos bens tombados.
3. “Os riscos que o recente processo de
adensamento desse bairro apresenta à manutenção da qualidade ambiental, à
paisagem urbana e à qualidade de vida do bairro da Freguesia”. Como se pode
verificar no artigo publicado em agosto de 2012, no blog Urbecarioca, e
em uma verificação e análise da delimitação da AEIA; no que tange aos riscos,
eles abrangem não apenas o bairro da Freguesia, mas já se materializaram e
transbordam para as áreas limítrofes, como no caso do bairro do Pechincha e da
Taquara, que sofrem igualmente os impactos viários e de abastecimentos de água,
esgoto e energia elétrica. É preciso lembrar que o limite físico, político e
administrativo do bairro da Freguesia, não corresponde ao limite simbólico do
bairro. Um exemplo claro da variação do limite imaginário e simbólico é a linha
tênue que divide a Barra da Tijuca e o Bairro de Jacarepaguá, no que se refere,
por exemplo, ao trecho dividido pela Av. Abelardo Bueno, onde de um lado se
localizava o antigo autódromo de Jacarepaguá e do outro, novos condomínios e
empreendimentos se multiplicam. A ADEMI inclui simbolicamente esta área como
Barra da Tijuca, porém para a divisão político administrativa do município, a
área corresponde a Jacarepaguá. Outro aspecto relativo a esta justificativa
sobre a manutenção da qualidade de vida e da paisagem, diz respeito à questão
dos congestionamentos de trânsito e saturação do sistema viário. Vale lembrar
que o sistema é uma rede de vias interligadas, que se tocam e que se impactam
mutuamente. A definição dos limites da AEIA passa em determinadas vias e as
exclui como a Retiro dos Artistas e a Edgar Werneck, por exemplo. Estas já se
encontram extremamente saturadas, nelas existem áreas verdes de grande porte.
Portanto, não garantindo a salvaguarda da qualidade de vida nem ambiental, nem
cultural do bem tombado. As mesmas vias estão recebendo novos empreendimentos
de gabarito elevado e que obstruem a visão da Igreja Nossa Senhora da Pena,
tombada pelo IPHAN. Ou seja, o limite definido não equaciona logicamente o
problema da qualidade de vida do bairro, nem tão pouco a preservação cultural
do bem tombado referido na justificativa, uma vez que os empreendimentos
poderão continuar sendo licenciados na via e consequentemente, obstruindo a
visão da igreja e contribuindo para o aumento do fluxo viário.
4. “Considerando o disposto no artigo
70, III, da Lei Complementar nº 111 de 01 de fevereiro de 2011 que instituiu o
Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano Sustentável do Município do Rio de
Janeiro”. Esta consideração relativa ao artigo que estabelece orientações sobre
as “Áreas de Especial Interesse, permanentes ou transitórias” nos informa que
“são espaços da Cidade perfeitamente delimitados sobrepostos em uma ou mais
Zonas ou Subzonas, que serão submetidos a regime urbanístico específico,
relativo à implementação de políticas públicas de desenvolvimento urbano e
formas de controle que prevalecerão sobre os controles definidos para as Zonas
e Subzonas que as contêm”. O presente artigo do Plano Diretor sugere que as
Áreas especiais prevalecerão e poderão se sobrepor a uma ou mais Zonas ou
Subzonas. Portanto, a AEIA da Freguesia pode perfeitamente incluir outras
áreas, desde que estabelecidas em sua delimitação. O Inciso III do referido
artigo estabelece que “área de Especial Interesse Ambiental – AEIA é aquela destinada
à criação de Unidade de Conservação ou à Área de Proteção do Ambiente Cultural,
visando à proteção do meio ambiente natural e cultural” sendo assim, não fica
claro qual o motivo da não inclusão da Secretaria de Meio Ambiente, uma vez que
a AEIA da Freguesia envolve tanto a proteção natural quanto a proteção cultural
por conter elementos destas duas categorias.
Por outro lado, as licenças que já foram
dadas, que não sabemos ao certo onde e nem que volume de unidades e área
representam, pelo visto, permanecem como estão, e continuarão impactando a
área. Infelizmente!
A delimitação da AEIA parece avançar no
que se refere à intenção da preservação da área ambiental e elementos culturais
remanescentes, porém é uma pena que outros bairros vizinhos e do próprio PEU
Taquara não tenham sido incluídos na área de interesse ambiental e cultural.
Como se pode ver no mapa, áreas verdes ao lado da área delimitada não foram
incluídas. Infelizmente, a tendência é que as novas construções e
licenciamentos se direcionem para os bairros vizinhos, utilizando os discursos
ligados ao imaginário urbano da proximidade com a Freguesia agora em ambos os
casos, com preços muito mais inflacionados devido à delimitação da área
“Especial” e lamentavelmente, continuando a causar perdas ambientais nas áreas
contíguas e impactos ao trânsito já tão saturado.
Apesar
disso, espera-se que a publicação deste decreto renove as esperanças da
população para continuar lutando por melhores condições de vida na Freguesia,
nos bairros vizinhos e quiçá em outras áreas da cidade. Na esperança de que as
novas diretrizes sejam estabelecidas para a área atendam à qualidade de vida da
população e à preservação cultural e ambiental do bairro e, principalmente, que
predomine as boas intenções.
notas
1
Decreto n. 37158. Diário Oficial do Município do Rio de Janeiro, 16 de maio de 2013 <http://doweb.rio.rj.gov.br/visualizar_pdf.php?reload=ok&edi_id=00002075&page=3&search=freguesia>.
Decreto n. 37158. Diário Oficial do Município do Rio de Janeiro, 16 de maio de 2013 <http://doweb.rio.rj.gov.br/visualizar_pdf.php?reload=ok&edi_id=00002075&page=3&search=freguesia>.
2
SANTANA, Gisela. PEU Taquara – antes que seja tarde demais! Urbe Carioca, 28 ago. 2012 <http://urbecarioca.blogspot.com.br/2012/08/peu-taquara-antes-que-seja-tarde-demais.html>.
SANTANA, Gisela. PEU Taquara – antes que seja tarde demais! Urbe Carioca, 28 ago. 2012 <http://urbecarioca.blogspot.com.br/2012/08/peu-taquara-antes-que-seja-tarde-demais.html>.
3
Ver: Lei Complementar n. 70, de 06 jul. 2004, que institui o Peu Taquara – Projeto de Estruturação Urbana (Peu) dos Bairros de Freguesia, Pechincha, Taquara e Tanque <www2.rio.rj.gov.br/smu/imagens/doc/Lei%20Complementar_70_060704.pdf>.
Ver: Lei Complementar n. 70, de 06 jul. 2004, que institui o Peu Taquara – Projeto de Estruturação Urbana (Peu) dos Bairros de Freguesia, Pechincha, Taquara e Tanque <www2.rio.rj.gov.br/smu/imagens/doc/Lei%20Complementar_70_060704.pdf>.
4
Armazém de Dados, Instituto Pereira Passos <www.armazemdedados.rio.rj.gov.br>.
Armazém de Dados, Instituto Pereira Passos <www.armazemdedados.rio.rj.gov.br>.
sobre a autora
Gisela Santana, Arquiteta
Urbanista,
Mestre em Desenvolvimento Urbano, Doutora em Psicologia Social, autora
do
livro Marketing da “sustentabilidade” habitacional, e coordenadora do
'Movimento Comunitário Nosso Bairro Nosso Mundo' em defesa da qualidade
de vida de Jacarepaguá.
_______________________________________________
Fonte: Urbe Carioca - http://urbecarioca.blogspot.com.br/2013/07/artigo-divisoes-politico.html
terça-feira, 26 de março de 2013
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
O Zelador da Fonte
Conta uma lenda austríaca que em determinado povoado, havia um pacato
habitante da floresta que foi contratado pelo Conselho Municipal para
cuidar das piscinas que guarneciam a fonte de água da comunidade.
O cavalheiro com silenciosa regularidade, inspecionava as colinas, retirava folhas e galhos secos, limpava o limo que poderia contaminar o fluxo da corrente de água fresca.
Ninguém lhe observava as longas horas de caminhada ao redor das colinas, nem o esforço para a retirada de entulhos.
Aos poucos, o povoado começou a atrair turistas. Cisnes graciosos passaram a nadar pela água cristalina.
Rodas d´água de várias empresas da região começaram a girar dia e noite.
As plantações eram naturalmente irrigadas, a paisagem vista dos restaurantes era de uma beleza extraordinária.
Os anos foram passando. Certo dia, o Conselho da cidade se reuniu, como fazia semestralmente.
Um dos membros do Conselho resolveu inspecionar o orçamento e colocou os olhos no salário pago ao zelador da fonte.
De imediato, alertou aos demais e fez um longo discurso a respeito de como aquele velho estava sendo pago há anos, pela cidade.
E para quê? O que é que ele fazia, afinal? Era um estranho guarda da reserva florestal, sem utilidade alguma.
Seu discurso a todos convenceu. O Conselho Municipal dispensou o trabalho do zelador da fonte de imediato.
Nas semanas seguintes, nada de novo. Mas no outono, as árvores começaram a perder as folhas.
Pequenos galhos caíam nas piscinas formadas pelas nascentes.
Certa tarde, alguém notou uma coloração meio amarelada na fonte. Dois dias depois, a água estava escura.
Mais uma semana e uma película de lodo cobria toda a superfície ao longo das margens.
O mau cheiro começou a ser exalado. Os cisnes emigraram para outras bandas. As rodas d´água começaram a girar lentamente, depois pararam.
Os turistas abandonaram o local. A enfermidade chegou ao povoado.
O Conselho Municipal tornou a se reunir, em sessão extraordinária e reconheceu o erro grosseiro cometido.
Imediatamente, tratou de novamente contratar o zelador da fonte.
Algumas semanas depois, as águas do autêntico rio da vida começaram a clarear. As rodas d´água voltaram a funcionar.
Voltaram os cisnes e a vida foi retomando seu curso.
* * *
Assim como o Conselho da pequena cidade, somos muitos de nós que não consideramos determinados servidores.
Aqueles que se desdobram todos os dias para que o pão chegue à nossa mesa, o mercado tenha as prateleiras abarrotadas; os corredores do hospital e da escola se mantenham limpos.
Há quem limpe as ruas, recolha o lixo, dirija o ônibus, abra os portões da empresa.
Servidores anônimos. Quase sempre passamos por eles sem vê-los.
Mas, sem seu trabalho, o nosso não poderia ser realizado ou a vida seria inviável.
O mundo é uma gigantesca empresa, onde cada um tem uma tarefa específica, mas indispensável.
Se alguém não executar o seu papel, o todo perecerá.
Dependemos uns dos outros. Para viver, para trabalhar, para ser felizes!
Pensemos nisso!
O cavalheiro com silenciosa regularidade, inspecionava as colinas, retirava folhas e galhos secos, limpava o limo que poderia contaminar o fluxo da corrente de água fresca.
Ninguém lhe observava as longas horas de caminhada ao redor das colinas, nem o esforço para a retirada de entulhos.
Aos poucos, o povoado começou a atrair turistas. Cisnes graciosos passaram a nadar pela água cristalina.
Rodas d´água de várias empresas da região começaram a girar dia e noite.
As plantações eram naturalmente irrigadas, a paisagem vista dos restaurantes era de uma beleza extraordinária.
Os anos foram passando. Certo dia, o Conselho da cidade se reuniu, como fazia semestralmente.
Um dos membros do Conselho resolveu inspecionar o orçamento e colocou os olhos no salário pago ao zelador da fonte.
De imediato, alertou aos demais e fez um longo discurso a respeito de como aquele velho estava sendo pago há anos, pela cidade.
E para quê? O que é que ele fazia, afinal? Era um estranho guarda da reserva florestal, sem utilidade alguma.
Seu discurso a todos convenceu. O Conselho Municipal dispensou o trabalho do zelador da fonte de imediato.
Nas semanas seguintes, nada de novo. Mas no outono, as árvores começaram a perder as folhas.
Pequenos galhos caíam nas piscinas formadas pelas nascentes.
Certa tarde, alguém notou uma coloração meio amarelada na fonte. Dois dias depois, a água estava escura.
Mais uma semana e uma película de lodo cobria toda a superfície ao longo das margens.
O mau cheiro começou a ser exalado. Os cisnes emigraram para outras bandas. As rodas d´água começaram a girar lentamente, depois pararam.
Os turistas abandonaram o local. A enfermidade chegou ao povoado.
O Conselho Municipal tornou a se reunir, em sessão extraordinária e reconheceu o erro grosseiro cometido.
Imediatamente, tratou de novamente contratar o zelador da fonte.
Algumas semanas depois, as águas do autêntico rio da vida começaram a clarear. As rodas d´água voltaram a funcionar.
Voltaram os cisnes e a vida foi retomando seu curso.
* * *
Assim como o Conselho da pequena cidade, somos muitos de nós que não consideramos determinados servidores.
Aqueles que se desdobram todos os dias para que o pão chegue à nossa mesa, o mercado tenha as prateleiras abarrotadas; os corredores do hospital e da escola se mantenham limpos.
Há quem limpe as ruas, recolha o lixo, dirija o ônibus, abra os portões da empresa.
Servidores anônimos. Quase sempre passamos por eles sem vê-los.
Mas, sem seu trabalho, o nosso não poderia ser realizado ou a vida seria inviável.
O mundo é uma gigantesca empresa, onde cada um tem uma tarefa específica, mas indispensável.
Se alguém não executar o seu papel, o todo perecerá.
Dependemos uns dos outros. Para viver, para trabalhar, para ser felizes!
Pensemos nisso!
Redação do Momento Espírita com base no cap. O zelador da fonte, de
Charles R. Swindoll, do livro Histórias para o coração, de Alice Gray,
ed. United Press.
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Consciência Sócio-Ambiental
A produção de resíduos é inerente à condição humana e inexorável.
MAS A LATA DE LIXO NÃO É UM DESINTEGRADOR MÁGICO DE MATÉRIA !
O lixo continua existindo depois que o jogamos na lixeira.
Não há como não produzir lixo, mas podemos diminuir essa produção.
Como? Reduzindo o desperdício, reutilizando sempre que possível e separando os materiais recicláveis para a coleta seletiva.
Tem coisas que a gente só não faz por não saber como.
Navegando no Lixo.com.br você vai ter uma idéia de como a coisa funciona. É importante conhecer o processo e as regras quando queremos fazer a diferença.
A idéia é construirmos um mundo melhor, certo? Cremos que um futuro melhor seja o resultado de um presente mais responsável.
Individualmente responsável.
Boa sorte!
Fonte: Lixo.com.br
domingo, 19 de agosto de 2012
Consciência Ambiental
Consciência ambiental no país quadruplicou, diz pesquisa
Na média nacional, 34% sabem o que é consumo sustentável atualmente
Stock.xchng
Garota assopra planta dente-de-leão: nessa projeção, a população da Região Sul
mostrou-se mais engajada ambientalmente
Brasília - Os brasileiros estão mais conscientes sobre a importância do meio ambiente
do que há 20 anos. Na comparação entre os primeiros e últimos
resultados, divulgados em junho, a pesquisa O Que o Brasileiro Pensa do
Meio Ambiente e do Consumo Sustentável, realizada desde 1992, mostrou
que a consciência ambiental no país quadruplicou.
Na média nacional, 34% sabem o que é consumo sustentável atualmente. “Esta é uma pesquisa que mostra claramente tendências”, explicou a secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Samyra Brollo de Serpa Crespo.
Nessa projeção, a população da Região Sul mostrou-se mais engajada ambientalmente. Mais da metade dos sulistas sabem o que é consumo sustentável. “A diferença do Sul é impressionante em termos dos mais altos índices não só de acertos mas de atitudes corretamente ambientais”, disse .
Ao longo de duas décadas, os mais jovens e os mais velhos são os que menos conhecem a realidade ambiental, mas a consciência aumentou. Há 20 anos, quase 40% dos entrevistados entre 16 e 24 anos não opinaram sobre problemas ambientais, assim como mais de 60% dos brasileiros com 51 anos ou mais. Este ano, as proporções caíram para 6% entre os jovens e 16,5% entre os mais velhos.
“Isso tende a mudar ainda mais, porque agora temos todo um trabalho de educação ambiental nas escolas, o que vai refletir nas faixas seguintes ao longo dos anos”, disse Samyra, acrescentando que o nível de consciência ambiental “cresce à medida que a população é mais informada e mora em áreas urbanas, porque significa acesso à informação. E, na área rural, ainda há o habito de queimar o lixo”.
Atitudes ambientalmente corretas
Samyra afirma que os resultados mostram que a população, além de mais consciente, mostra maior disposição em relação a atitudes ambientalmente corretas e preocupação com o consumo.
A questão relacionada ao lixo, por exemplo, é um dos problemas que mais ganhou posições no ranking dos desafios ambientais montado pelos brasileiros. O destino, seleção, coleta e outros processos relativos aos resíduos que preocupavam 4% das pessoas entrevistadas em 1992, agora são alvos da atenção de 28% das pessoas.
Este ano, 48% dos entrevistados, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, afirmaram que fazem a separação dos resíduos nas residências. “Muitas vezes a disposição da população não encontra acolhimento de politicas públicas. Muitas vezes o cidadão separa em casa e a coleta do lixo vai e mistura os resíduos”, disse a secretária.
Na análise geral do país, os índices ainda são baixos, sendo que menos de 500 municípios têm coleta seletiva implantada. Enquanto a separação do lixo é um habito de quase 80% das pessoas que vivem na Região Sul atualmente e de mais da metade dos moradores de cidades do Sudeste. No Norte e Nordeste, mais de 60% não separam resíduos.
Entre os problemas ambientais apontados, o desmatamento das florestas continua no topo da lista elaborada pelos entrevistados. “A preocupação com rios e mares [que continua na segunda posição do ranking] se eleva a partir de 2006. Já é impacto da Politica Nacional de Resíduos Sólidos [criada em 2010]”, disse ela.
“O bioma Amazônia continua sendo considerado o mais ameaçado na opinião das pessoas”, disse Samyra Crespo, comparando as edições da pesquisa. Em 2006, por exemplo, 38% dos entrevistados estavam dispostos a contribuir financeiramente para a preservação do bioma. Este ano, o índice cresceu para 51%.
Samyra Crespo ainda aposta que a Política Nacional de Resíduos Sólidos vai provocar mudanças econômicas, criando um ambiente de estímulo à reciclagem. “Temos que trabalhar tanto na desoneração da cadeia produtiva, como com a conscientização ambiental. Os produtos corretos concorrem hoje nas mesmas condições”, disse ela, acrescentando que “não é tão simples porque você trabalha toda a cadeia do produto e temos poucos estudos de ciclos do produto”.
No decorrer dos últimos vinte anos, a população também mudou a forma como distribui as responsabilidades sobre meio ambiente. “Em 1992, o governo federal era o maior responsável. Isso vai diminuindo e a responsabilidade foi sendo atribuída às prefeituras. Continua a tendência a achar que é o governo [federal], mas cada vez mais o governo local é priorizado”, disse Samyra Crespo.
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