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sexta-feira, 2 de maio de 2014

Esta torre puxa água potável do ar


O designer industrial Arturo Vittori inventou uma torre que pode proporcionar mais de 95 litros de água potável por dia a aldeias remotas de todo o mundo.

Em algumas partes da Etiópia, encontrar água potável é uma jornada de seis horas. Além de demorar pra chegar até ela, quando as pessoas encontram água, muitas vezes ela não é segura para beber, já que é coletada de lagoas ou lagos repletos de bactérias infecciosas, contaminados com resíduos de animais ou outras substâncias nocivas.
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A escassez de água afeta quase 1 bilhão de pessoas só na África. Esse problema tem atraído a atenção de grandes nomes filantropos, como o ator e cofundador da organização Water.org Matt Damon e o confundador da Microsoft Bill Gates que, através de suas respectivas entidades sem fins lucrativos, já gastaram milhões de dólares em pesquisa para chegar a soluções como um sistema que converte água do vaso sanitário em água potável.


Os críticos, no entanto, têm suas dúvidas sobre como integrar essas tecnologias complexas em vilarejos remotos que não têm sequer acesso a água. Os custos e a manutenção podem tornar muitas dessas ideias impraticáveis.

Outras invenções de baixa tecnologia podem não ser tão complicadas, mas ainda dependem dos usuários encontrarem uma fonte de água, o que, como já foi estabelecido, é um grande problema na Etiópia, por exemplo.

Foi pensando neste dilema – achar uma forma prática e conveniente de levar água a esses locais – que Vittori, junto com seu colega Andreas Vogler, criou a torre.

A estrutura de baixo custo e facilmente montável chama-se Warka Water (nomeada a partir de uma figueira nativa da Etiópia). O invólucro exterior rígido de 9,15 metros de altura é composto por hastes leves e elásticas, colocadas em um padrão que oferece estabilidade em face de rajadas de vento forte, mas que permite que o ar flua. Uma rede de malha, feita de nylon ou polipropileno, paira dentro da torre, recolhendo as gotas de orvalho que se formam ao longo da sua superfície. Conforme ar frio se condensa, as gotículas rolam para baixo dentro de um recipiente, na parte inferior da torre. A água neste recipiente, em seguida, passa através de um tubo que funciona como uma torneira, transportando-a para aqueles que estão no chão.

Usar malha para capturar água potável não é um conceito totalmente novo. Alguns anos atrás, um estudante do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA) projetou um dispositivo para “colher” nevoeiro. A invenção de Vittori produz mais água a um custo mais baixo, no entanto.

“Na Etiópia, infraestruturas públicas não existem e a construção de algo como um poço não é fácil. Para encontrar água, é preciso perfurar profundamente o solo, muitas vezes tanto quanto 490 metros. Então, é tecnicamente difícil e caro. Além disso, as bombas precisam de eletricidade para funcionar, bem como o acesso a peças de reposição no caso de quebra”, explica Vittori.

Já a torre de água Warka pode fornecer mais de 95 litros de água ao longo de um dia de forma barata e simples. Como o fator mais importante na coleta e condensação é a diferença de temperatura entre o anoitecer e o amanhecer, as torres funcionam bem inclusive no deserto, onde as temperaturas podem variar até 27 graus Celsius em 24 horas.

A estrutura, feita a partir de materiais biodegradáveis, é fácil de limpar e pode ser erguida sem ferramentas mecânicas em menos de uma semana. Além disso, uma vez que os habitantes locais aprenderem a montá-la, serão capazes de ensinar outras aldeias e comunidades a construir sua própria Warka.

Ao todo, cada torre custa cerca de US$ 500 (cerca de R$ 1.100) para ser montada – menos de um quarto do custo de algo como o vaso sanitário conversor, que sai cerca de US$ 2.200 (R$ 4.860) para instalar, e mais para manter. Se for produzida em massa, o preço seria ainda menor.

A equipe de Vittori espera instalar duas torres Warka na Etiópia até o próximo ano, e está atualmente à procura de investidores interessados em levar a tecnologia de captação de água a toda a região.

“Não é apenas a incidência de doenças que estamos tentando diminuir. Muitas crianças etíopes de aldeias rurais passam várias horas por dia buscando água, tempo que poderiam investir em atividades mais produtivas e em educação”, diz Vittori. [SMag]

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Fonte: hypescience.com

domingo, 14 de julho de 2013

Divisões político-administrativas de uma cidade




Gisela Santana


 Penedo da Igreja Nossa Senhora da Pena
Foto Cartão Postal



No dia 17 de maio de 2013 foi publicado no Diário Oficial do Município do Rio de Janeiro o decreto nº 37158 de 16 de maio de 2013 que cria a Área Especial de Interesse Ambiental da Freguesia em Jacarepaguá – AEIA da Freguesia (1).


Esta publicação é um alento para os moradores da Freguesia de Jacarepaguá. Há alguns anos vêm pleiteando a revisão do Projeto de Estruturação Urbana da Taquara, PEU Taquara, que incentivou enormemente os empreendimentos imobiliários na região; a ponto de comprometer a qualidade de vida e o sistema infraestrutural local. Em artigo publicado em agosto de 2012 (2), apresentei as razões dos moradores e havia sugerido o congelamento das licenças e a revisão do PEU que, além da Freguesia e da Taquara também inclui os bairros do Pechincha e do Tanque (3).


O decreto que cria a AEIA da Freguesia não altera o PEU – Taquara, apesar de congelar por 60 dias (a contar da data de publicação) as novas licenças para demolição, construção, acréscimo ou modificação, reforma, transformação de uso, parcelamento do solo ou abertura de logradouro. Aponta para o fato de que não haverá alteração dos índices construtivos do PEU, sugere apenas que alterações de índices na Freguesia serão estudadas, o que não necessariamente resolve a questão.


O que está proposto pelo decreto é que durante esses 60 dias serão aprofundados estudos para o possível estabelecimento de novos índices urbanísticos apenas para a Freguesia, dentro da área delimitada pelo polígono definido pelo decreto.
 
 
 Desenho esquemático do limite estabelecido pelo decreto n. 37158, 16 maio 2013, da AEIA da Freguesia
Adaptado do Google Earth por Gisela Santana



Entretanto, as justificativas apresentadas para proposição do decreto demonstram algumas incoerências e inconsistências para a delimitação do polígono que define a AEIA, que poderia abranger uma área bem maior. A seguir, comento as considerações que motivaram a promulgação do decreto:


1. “A localização do bairro da Freguesia junto aos contrafortes do Maciço da Tijuca, na Zona de Amortecimento do sítio declarado Patrimônio da Humanidade na categoria Paisagem Cultural Urbana pela Unesco” e “a qualidade paisagística da baixada de Jacarepaguá, ambiente urbano composto por morros e vales”. Por esses argumentos as áreas limítrofes à Freguesia principalmente aquelas mais à sudeste, no costão de serra, também deveriam ter sido incluídos na AEIA. Assim como o “istmo” verde, que liga os dois maciços da Tijuca e da Pedra Branca, ainda mais se considerarmos que existe projeto da prefeitura que contemplam os corredores verdes para unir estes maciços, e o recém-lançado projeto da trilha Transcarioca, definido pelo Estado que conecta partes de um grande corredor ecológico que une áreas da Zona Oeste a Zona Sul, passando pelo encontro desses maciços que se dá nas imediações a Noroeste da linha poligonal definida pela AEIA da Freguesia.


Traçado esquemático da Trilha ecológica Transcarioca
Adaptado do Google Earth por Gisela Santana


2. “O bairro apresenta bens culturais tombados que constituem um valioso testemunho de várias fases de sua ocupação”. Este argumento também justificaria a inclusão do bairro da Taquara que, segundo dados do Armazém de dados da Prefeitura, também apresenta exemplares com tombamento federal: a Casa da Fazenda da Taquara e a Capela de N.S. dos Remédios e da Exaltação de Santa Cruz. Além de outras áreas de Jacarepaguá que também guardam testemunho de várias fases de sua ocupação, como pode ser verificado no site da Prefeitura (4), no item que se refere ao Patrimônio histórico, artístico e cultural relativo aos bens tombados.


3. “Os riscos que o recente processo de adensamento desse bairro apresenta à manutenção da qualidade ambiental, à paisagem urbana e à qualidade de vida do bairro da Freguesia”. Como se pode verificar no artigo publicado em agosto de 2012, no blog Urbecarioca, e em uma verificação e análise da delimitação da AEIA; no que tange aos riscos, eles abrangem não apenas o bairro da Freguesia, mas já se materializaram e transbordam para as áreas limítrofes, como no caso do bairro do Pechincha e da Taquara, que sofrem igualmente os impactos viários e de abastecimentos de água, esgoto e energia elétrica. É preciso lembrar que o limite físico, político e administrativo do bairro da Freguesia, não corresponde ao limite simbólico do bairro. Um exemplo claro da variação do limite imaginário e simbólico é a linha tênue que divide a Barra da Tijuca e o Bairro de Jacarepaguá, no que se refere, por exemplo, ao trecho dividido pela Av. Abelardo Bueno, onde de um lado se localizava o antigo autódromo de Jacarepaguá e do outro, novos condomínios e empreendimentos se multiplicam. A ADEMI inclui simbolicamente esta área como Barra da Tijuca, porém para a divisão político administrativa do município, a área corresponde a Jacarepaguá. Outro aspecto relativo a esta justificativa sobre a manutenção da qualidade de vida e da paisagem, diz respeito à questão dos congestionamentos de trânsito e saturação do sistema viário. Vale lembrar que o sistema é uma rede de vias interligadas, que se tocam e que se impactam mutuamente. A definição dos limites da AEIA passa em determinadas vias e as exclui como a Retiro dos Artistas e a Edgar Werneck, por exemplo. Estas já se encontram extremamente saturadas, nelas existem áreas verdes de grande porte. Portanto, não garantindo a salvaguarda da qualidade de vida nem ambiental, nem cultural do bem tombado. As mesmas vias estão recebendo novos empreendimentos de gabarito elevado e que obstruem a visão da Igreja Nossa Senhora da Pena, tombada pelo IPHAN. Ou seja, o limite definido não equaciona logicamente o problema da qualidade de vida do bairro, nem tão pouco a preservação cultural do bem tombado referido na justificativa, uma vez que os empreendimentos poderão continuar sendo licenciados na via e consequentemente, obstruindo a visão da igreja e contribuindo para o aumento do fluxo viário.


4. “Considerando o disposto no artigo 70, III, da Lei Complementar nº 111 de 01 de fevereiro de 2011 que instituiu o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano Sustentável do Município do Rio de Janeiro”. Esta consideração relativa ao artigo que estabelece orientações sobre as “Áreas de Especial Interesse, permanentes ou transitórias” nos informa que “são espaços da Cidade perfeitamente delimitados sobrepostos em uma ou mais Zonas ou Subzonas, que serão submetidos a regime urbanístico específico, relativo à implementação de políticas públicas de desenvolvimento urbano e formas de controle que prevalecerão sobre os controles definidos para as Zonas e Subzonas que as contêm”. O presente artigo do Plano Diretor sugere que as Áreas especiais prevalecerão e poderão se sobrepor a uma ou mais Zonas ou Subzonas. Portanto, a AEIA da Freguesia pode perfeitamente incluir outras áreas, desde que estabelecidas em sua delimitação. O Inciso III do referido artigo estabelece que “área de Especial Interesse Ambiental – AEIA é aquela destinada à criação de Unidade de Conservação ou à Área de Proteção do Ambiente Cultural, visando à proteção do meio ambiente natural e cultural” sendo assim, não fica claro qual o motivo da não inclusão da Secretaria de Meio Ambiente, uma vez que a AEIA da Freguesia envolve tanto a proteção natural quanto a proteção cultural por conter elementos destas duas categorias.


Por outro lado, as licenças que já foram dadas, que não sabemos ao certo onde e nem que volume de unidades e área representam, pelo visto, permanecem como estão, e continuarão impactando a área. Infelizmente!


A delimitação da AEIA parece avançar no que se refere à intenção da preservação da área ambiental e elementos culturais remanescentes, porém é uma pena que outros bairros vizinhos e do próprio PEU Taquara não tenham sido incluídos na área de interesse ambiental e cultural. Como se pode ver no mapa, áreas verdes ao lado da área delimitada não foram incluídas. Infelizmente, a tendência é que as novas construções e licenciamentos se direcionem para os bairros vizinhos, utilizando os discursos ligados ao imaginário urbano da proximidade com a Freguesia agora em ambos os casos, com preços muito mais inflacionados devido à delimitação da área “Especial” e lamentavelmente, continuando a causar perdas ambientais nas áreas contíguas e impactos ao trânsito já tão saturado.


Apesar disso, espera-se que a publicação deste decreto renove as esperanças da população para continuar lutando por melhores condições de vida na Freguesia, nos bairros vizinhos e quiçá em outras áreas da cidade. Na esperança de que as novas diretrizes sejam estabelecidas para a área atendam à qualidade de vida da população e à preservação cultural e ambiental do bairro e, principalmente, que predomine as boas intenções.
 
 
notas
1
Decreto n. 37158. Diário Oficial do Município do Rio de Janeiro, 16 de maio de 2013 <
http://doweb.rio.rj.gov.br/visualizar_pdf.php?reload=ok&edi_id=00002075&page=3&search=freguesia>.

2
SANTANA, Gisela. PEU Taquara – antes que seja tarde demais! Urbe Carioca, 28 ago. 2012 <
http://urbecarioca.blogspot.com.br/2012/08/peu-taquara-antes-que-seja-tarde-demais.html>.

3
Ver: Lei Complementar n. 70, de 06 jul. 2004, que institui o Peu Taquara – Projeto de Estruturação Urbana (Peu) dos Bairros de Freguesia, Pechincha, Taquara e Tanque <
www2.rio.rj.gov.br/smu/imagens/doc/Lei%20Complementar_70_060704.pdf>.

4
Armazém de Dados, Instituto Pereira Passos <
www.armazemdedados.rio.rj.gov.br>.


sobre a autora
Gisela Santana, Arquiteta Urbanista, Mestre em Desenvolvimento Urbano, Doutora em Psicologia Social, autora do livro Marketing da “sustentabilidade” habitacional, e coordenadora do 'Movimento Comunitário Nosso Bairro Nosso Mundo' em defesa da qualidade de vida de Jacarepaguá.

 
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 Fonte: Urbe Carioca - http://urbecarioca.blogspot.com.br/2013/07/artigo-divisoes-politico.html

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

O Zelador da Fonte


Conta uma lenda austríaca que em determinado povoado, havia um pacato habitante da floresta que foi contratado pelo Conselho Municipal para cuidar das piscinas que guarneciam a fonte de água da comunidade. 
O cavalheiro com silenciosa regularidade, inspecionava as colinas, retirava folhas e galhos secos, limpava o limo que poderia contaminar o fluxo da corrente de água fresca. 

Ninguém lhe observava as longas horas de caminhada ao redor das colinas, nem o esforço para a retirada de entulhos. 

Aos poucos, o povoado começou a atrair turistas. Cisnes graciosos passaram a nadar pela água cristalina. 

Rodas d´água de várias empresas da região começaram a girar dia e noite. 

As plantações eram naturalmente irrigadas, a paisagem vista dos restaurantes era de uma beleza extraordinária. 

Os anos foram passando. Certo dia, o Conselho da cidade se reuniu, como fazia semestralmente. 

Um dos membros do Conselho resolveu inspecionar o orçamento e colocou os olhos no salário pago ao zelador da fonte. 

De imediato, alertou aos demais e fez um longo discurso a respeito de como aquele velho estava sendo pago há anos, pela cidade. 

E para quê? O que é que ele fazia, afinal? Era um estranho guarda da reserva florestal, sem utilidade alguma. 

Seu discurso a todos convenceu. O Conselho Municipal dispensou o trabalho do zelador da fonte de imediato. 

Nas semanas seguintes, nada de novo. Mas no outono, as árvores começaram a perder as folhas. 

Pequenos galhos caíam nas piscinas formadas pelas nascentes. 

Certa tarde, alguém notou uma coloração meio amarelada na fonte. Dois dias depois, a água estava escura. 

Mais uma semana e uma película de lodo cobria toda a superfície ao longo das margens. 

O mau cheiro começou a ser exalado. Os cisnes emigraram para outras bandas. As rodas d´água começaram a girar lentamente, depois pararam. 

Os turistas abandonaram o local. A enfermidade chegou ao povoado. 

O Conselho Municipal tornou a se reunir, em sessão extraordinária e reconheceu o erro grosseiro cometido. 

Imediatamente, tratou de novamente contratar o zelador da fonte. 

Algumas semanas depois, as águas do autêntico rio da vida começaram a clarear. As rodas d´água voltaram a funcionar. 

Voltaram os cisnes e a vida foi retomando seu curso. 

* * * 

Assim como o Conselho da pequena cidade, somos muitos de nós que não consideramos determinados servidores. 

Aqueles que se desdobram todos os dias para que o pão chegue à nossa mesa, o mercado tenha as prateleiras abarrotadas; os corredores do hospital e da escola se mantenham limpos. 

Há quem limpe as ruas, recolha o lixo, dirija o ônibus, abra os portões da empresa. 

Servidores anônimos. Quase sempre passamos por eles sem vê-los. 

Mas, sem seu trabalho, o nosso não poderia ser realizado ou a vida seria inviável. 

O mundo é uma gigantesca empresa, onde cada um tem uma tarefa específica, mas indispensável. 

Se alguém não executar o seu papel, o todo perecerá. 

Dependemos uns dos outros. Para viver, para trabalhar, para ser felizes! 

Pensemos nisso!


Redação do Momento Espírita com base no cap. O zelador da fonte, de Charles R. Swindoll, do livro Histórias para o coração, de Alice Gray, ed. United Press.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Consciência Sócio-Ambiental

A produção de resíduos é inerente à condição humana  e inexorável.

MAS A LATA DE LIXO NÃO É UM DESINTEGRADOR MÁGICO DE MATÉRIA !

O lixo continua existindo depois que o jogamos na lixeira.


Não há como não produzir lixo, mas podemos diminuir essa produção.
Como? Reduzindo o desperdício, reutilizando sempre que possível e separando os materiais recicláveis para a coleta seletiva.
Tem coisas que a gente só não faz por não saber como.
Navegando no Lixo.com.br você vai ter uma idéia de como a coisa funciona. É importante conhecer o processo e as regras quando queremos fazer a diferença.

A idéia é construirmos um mundo melhor, certo? Cremos que um futuro melhor seja o resultado de um presente mais responsável.
Individualmente responsável.

Boa sorte!

Fonte: Lixo.com.br

 

domingo, 19 de agosto de 2012

Consciência Ambiental

Consciência ambiental no país quadruplicou, diz pesquisa 

Na média nacional, 34% sabem o que é consumo sustentável atualmente


Stock.xchng

Garota assopra planta dente-de-leão: nessa projeção, a população da Região Sul 
mostrou-se mais engajada ambientalmente



Brasília - Os brasileiros estão mais conscientes sobre a importância do meio ambiente do que há 20 anos. Na comparação entre os primeiros e últimos resultados, divulgados em junho, a pesquisa O Que o Brasileiro Pensa do Meio Ambiente e do Consumo Sustentável, realizada desde 1992, mostrou que a consciência ambiental no país quadruplicou.

As versões do levantamento mostram, que enquanto na primeira edição, que ocorreu durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio 92, 47% dos entrevistados não sabiam identificar os problemas ambientais. Este ano, apenas 10% ignoravam a questão.

Na média nacional, 34% sabem o que é consumo sustentável atualmente. “Esta é uma pesquisa que mostra claramente tendências”, explicou a secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Samyra Brollo de Serpa Crespo.

Nessa projeção, a população da Região Sul mostrou-se mais engajada ambientalmente. Mais da metade dos sulistas sabem o que é consumo sustentável. “A diferença do Sul é impressionante em termos dos mais altos índices não só de acertos mas de atitudes corretamente ambientais”, disse .

Ao longo de duas décadas, os mais jovens e os mais velhos são os que menos conhecem a realidade ambiental, mas a consciência aumentou. Há 20 anos, quase 40% dos entrevistados entre 16 e 24 anos não opinaram sobre problemas ambientais, assim como mais de 60% dos brasileiros com 51 anos ou mais. Este ano, as proporções caíram para 6% entre os jovens e 16,5% entre os mais velhos.

“Isso tende a mudar ainda mais, porque agora temos todo um trabalho de educação ambiental nas escolas, o que vai refletir nas faixas seguintes ao longo dos anos”, disse Samyra, acrescentando que o nível de consciência ambiental “cresce à medida que a população é mais informada e mora em áreas urbanas, porque significa acesso à informação. E, na área rural, ainda há o habito de queimar o lixo”.

Atitudes ambientalmente corretas
Samyra afirma que os resultados mostram que a população, além de mais consciente, mostra maior disposição em relação a atitudes ambientalmente corretas e preocupação com o consumo.

A questão relacionada ao lixo, por exemplo, é um dos problemas que mais ganhou posições no ranking dos desafios ambientais montado pelos brasileiros. O destino, seleção, coleta e outros processos relativos aos resíduos que preocupavam 4% das pessoas entrevistadas em 1992, agora são alvos da atenção de 28% das pessoas.

Este ano, 48% dos entrevistados, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, afirmaram que fazem a separação dos resíduos nas residências. “Muitas vezes a disposição da população não encontra acolhimento de politicas públicas. Muitas vezes o cidadão separa em casa e a coleta do lixo vai e mistura os resíduos”, disse a secretária.

Na análise geral do país, os índices ainda são baixos, sendo que menos de 500 municípios têm coleta seletiva implantada. Enquanto a separação do lixo é um habito de quase 80% das pessoas que vivem na Região Sul atualmente e de mais da metade dos moradores de cidades do Sudeste. No Norte e Nordeste, mais de 60% não separam resíduos.

Entre os problemas ambientais apontados, o desmatamento das florestas continua no topo da lista elaborada pelos entrevistados. “A preocupação com rios e mares [que continua na segunda posição do ranking] se eleva a partir de 2006. Já é impacto da Politica Nacional de Resíduos Sólidos [criada em 2010]”, disse ela.

“O bioma Amazônia continua sendo considerado o mais ameaçado na opinião das pessoas”, disse Samyra Crespo, comparando as edições da pesquisa. Em 2006, por exemplo, 38% dos entrevistados estavam dispostos a contribuir financeiramente para a preservação do bioma. Este ano, o índice cresceu para 51%.

Samyra Crespo ainda aposta que a Política Nacional de Resíduos Sólidos vai provocar mudanças econômicas, criando um ambiente de estímulo à reciclagem. “Temos que trabalhar tanto na desoneração da cadeia produtiva, como com a conscientização ambiental. Os produtos corretos concorrem hoje nas mesmas condições”, disse ela, acrescentando que “não é tão simples porque você trabalha toda a cadeia do produto e temos poucos estudos de ciclos do produto”.

No decorrer dos últimos vinte anos, a população também mudou a forma como distribui as responsabilidades sobre meio ambiente. “Em 1992, o governo federal era o maior responsável. Isso vai diminuindo e a responsabilidade foi sendo atribuída às prefeituras. Continua a tendência a achar que é o governo [federal], mas cada vez mais o governo local é priorizado”, disse Samyra Crespo.