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sábado, 17 de dezembro de 2016

Em um ano, Amazônia perdeu 859 árvores por minuto


Enviado em 14 de dezembro de 2016 | No programa: Ação Planeta |
 Escrito por André Trigueiro | Publicado por Vanessa Cavalcanti


Entre agosto de 2015 e julho de 2016, a Amazônia perdeu 859 árvores por minuto. Esses 7.989 km² de destruição equivalem a cinco vezes a área total do município de São Paulo e confirmam uma perigosa tendência de descontrole sobre o desmatamento, já que este é o terceiro ano seguido de aumento da destruição da floresta.

Na opinião de especialistas, há uma relação desses dados com o Código Florestal aprovado em 2012 sob as bênçãos do então relator, o deputado Aldo Rabelo, que o dedicou “aos agricultores brasileiros”.

De nada adiantaram as advertências de que o texto fragilizava os mecanismos de proteção das áreas verdes, os protestos da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, a denúncia da Agência Nacional de Águas de que o texto aprovado ameaçava a resiliência das bacias hidrográficas, a veemente crítica de Aziz Ab’Saber –um dos maiores cientistas do país– de que o código favorecia os que têm mais dinheiro.

Aprovada e sancionada, a nova lei estabelecia um prazo para que os proprietários rurais preenchessem o CAR (Cadastro Ambiental Rural) e, dessa forma, se enquadrassem nas regras de proteção que definiam um percentual de área verde preservada que variava de acordo com o bioma onde estivesse inserida (80% de proteção na Amazônia, 35% no cerrado, 20% nos Campos Gerais, e 20% em biomas das demais regiões do país).

O prazo definido para o preenchimento do CAR já expirou sem que a totalidade dos proprietários tenham cumprido a lei, o que obrigou o governo a prorrogar a data final de entrega do documento para 31/12/2017.

Para o Ministério do Meio Ambiente, proprietários rurais estariam desmatando áreas de floresta antes de formalizarem a entrega do CAR, o que explicaria em parte o avanço do desmatamento (outra causa possível é a falta de recursos, que paralisa a fiscalização).

O ministério assegurou dispor de meios que permitem flagrar essa tentativa de fraudar a produção de dados, e afirmou aguardar o sinal verde da Controladoria Geral da União para divulgar os números já reunidos, permitindo assim que qualquer um possa monitorar eventuais desmatamentos ilegais. O anúncio elevou a tensão entre os ruralistas.

Para ler esse texto até aqui, caro leitor, você consumiu tempo suficiente para a destruição de mais 1.289 árvores. Até hoje, uma área verde equivalente a metade do Estado do Amazonas já foi destruída na maior floresta tropical do mundo. Desmatamento ilegal é crime. Mas quem vai para a rua pedir o fim dessa impunidade?


Fonte: Folha de S. Paulo
Publicação: mundosustentavel.com.br

Foto ilustrativa: pexels.com

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Amazônia de espécies hiperdominantes

Pesquisadores estimam que os 6 milhões de quilômetros quadrados da floresta Amazônica chegam a ter 390 bilhões de árvores. (Foto: Reuters)
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Estudo mostra o que é a chamada Hiperdominância na Floresta Amazônica, onde, entre as 16 mil espécies registradas, há hiperdominância de apenas 227.

Um artigo publicado na Revista Science em outubro levou os olhos do mundo para a Floresta Amazônica. Através de anos de estudos de mais de 120 pesquisadores, foram publicadas as quantidades de indivíduos e a variabilidade de espécies de árvores da região.

O artigo, intitulado "Hyperdominance in the Amazonian Tree Flora” (Hiperdominância na Floresta Amazônica), estima que os 6 milhões de quilômetros quadrados da floresta chegam a ter 390 bilhões de árvores, em termos de quantidade de indivíduos de espécies variadas. Há aproximadamente 16 mil espécies diferentes, mas, desse total, 227 espécies são dominantes. Entre as espécies mais encontradas estão o açaí-do-amazonas, o matamatá-branco e diferentes espécies de palmeiras.

O estudo levanta diversas questões que ainda serão largamente pesquisadas, como a razão e as consequências dessa dominância. É possível que sejam espécies mais adaptadas e resistentes a pragas e doenças, por exemplo. Conhecer a fundo a diversidade de espécies amazônicas é fundamental para maiores programas de conservação. O pesquisador brasileiro Rafael de Paiva Salomão, do Museu Paraense Emílio Goeldi, participou do estudo e confirma: "Como ficou comprovado, existem cerca de 5.800 espécies cujas respectivas populações são inferiores a mil árvores para todos os seis milhões de km² de abrangência do bioma Amazônia. Encontrá-las é mais difícil do que achar uma agulha em palheiro. Muitas dessas espécies serão perdidas sem antes serem pelo menos descritas pela Ciência. Um melhor planejamento da localização das unidades de conservação pode pelo menos atenuar essas perdas".

Salomão afirma que foram várias dificuldades, dentre elas fazer a validação dos nomes científicos das espécies arbóreas, incluindo as palmeiras e, acima de tudo, conseguir a união e a confiança de 120 pesquisadores sob a liderança de Hans ter Steege. "Um pesquisador de muita competência e que inspira muita confiança em seus pares", completa.

Ao ser perguntado sobre os próximos passos, Salomão conta: "Encaminhamos em 01/11 um projeto de pesquisa para o Programa Ciência Sem Fronteira cujo objetivo é termos Hans ter Steege como Pesquisador Visitante Estrangeiro no Museu Emílio Goeldi, um dos institutos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, na Amazônia, por um período de três anos para desenvolvermos, em parceria, o projeto Código de Barras para as espécies de árvores da Amazônia".

É possível concluir o tamanho da importância do estudo para maior conhecimento e conservação da Amazônia. Foram anos de trabalho em equipe com profissionais de diversos locais do mundo, e o Brasil esteve muito bem representado entre esses talentosos e persistentes pesquisadores.

Entendendo brevemente a Floresta Amazônica

Em seus 6 milhões de quilômetros quadrados, a Amazônia estende-se por nove países da América do Sul, sendo mais de 60% em território brasileiro. No Brasil, abrange os Estados do Acre, do Amapá, do Amazonas, do Mato Grosso, do Pará, de Rondônia, de Roraima e de Tocantins, e parte do Estado do Maranhão. É a chamada Amazônia Legal.

Além dos Estados do Brasil, a Amazônia abrange partes dos territórios da Bolívia, do Peru, do Equador, da Colômbia, da Venezuela, da Guiana, do Suriname e da Guiana Francesa. É a chamada Amazônia Continental.

Trata-se de uma imensa floresta tropical pluvial, abrigando a Bacia Amazônica, a maior do mundo, com 1.100 afluentes. A bacia é formada por todos os rios e córregos que deságuam no Rio Amazonas. Embora seja algo mais complexo, é possível classificar a floresta em três tipos, de acordo com a distância e a influência dos cursos d'água:

Mata de terra firme: Mais distante dos cursos de água, compreende locais que não estão sujeitos a inundação.

Mata de Igapó: Por ser muito perto de rios, permanece inundada. A vegetação é totalmente adaptada.

Mata de várzea: Também sofre inundações, mas não são permanentes. Ocorrem durante as épocas de cheias dos rios.

Importância econômica
Além de abrigar imensa parcela de água doce do mundo e regular o regime de chuvas em todo o País, a floresta oferece rico estoque de castanhas, borracha e grãos. Segundo a Sudam – Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia –, há ainda grande importância econômica nas áreas de ecoturismo, piscicultura, fruticultura, pecuária, entre diversas outras atividades econômicas.

Ameaças
Extração ilegal de madeira, grilagem, agropecuária, biopirataria e tráfico de animais são alguns exemplos de ameaças a esse imenso tesouro tropical. É possível acessar o monitoramento de desmatamento pelo site do IPAM – Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia. Não se pode esquecer que, através do desmatamento e das queimadas, o carbono que compõe cerca de metade da biomassa florestal é liberado em forma de CO2, um gás de efeito estufa.

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Fonte: Sustentabilidade Allianz, por Paula Leme Warkentin, em 11 de dezembro de 2013 
http://sustentabilidade.allianz.com.br

domingo, 20 de outubro de 2013

O grito da floresta




Quando o machado se agita
A motosserra se inflama
A floresta em versos grita
Não maltrate quem te ama


A inspiração divina
Nos doou esse convênio
Eu importo gás carbônico
E exporto oxigênio


Agasalho os passarinhos
Que nos fazem tanto bem
As águas de nossos rios
Eu as protejo também


No verão forneço sombra
Na primavera fragrância
Por favor, não me devastem
Isso é falta de elegância


Se alguém corta uma árvore
Devia pensar primeiro
Um pouquinho de saúde
Não se compra com dinheiro


Pense nos seus netinhos
Naqueles que tanto amamos
Pense nos passarinhos
E no ar que respiramos


Os homens maus do passado
Para fazer uma cruz
Feriram a árvore primeiro
Para fazer o madeiro
Para depois ferir Jesus.



( Sebastião Zulmair Pires)

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Até as plantas podem agravar o aquecimento global



As florestas que ainda restam no planeta têm sido tratas como a única salvação contra o aquecimento global. Graças à fotossíntese, os vegetais “sequestram carbono” do ar e o substituem por oxigênio. E o dióxido de carbono (CO2) é o gás responsável pelo efeito estufa. Mas uma pesquisa recente revela que, a partir de determinada quantidade de dióxido de carbono no ar, as plantas podem contribuir para acelerar o aquecimento global ao invés de freá-lo.

Funciona assim: quando existe muito carbono no ar, os vegetais ativam uma espécie de mecanismo. Suas folhas retêm mais água, uma água que seria liberada por evaporação e ajudaria a resfriar a atmosfera. Com o ar contendo mais CO2 do que o nível normal, os poros das folhas não precisam abrir tanto quanto antes para capturar a mesma quantidade, para a respiração. Com os poros mais fechados, menos água é liberada.

O estudo calcula que essa não-liberação do excedente de água pelos vegetais seria responsável por 16% do aquecimento (o resto é atribuído ao efeito estufa), embora alguns modelos climáticos contestem esse número. 

De qualquer modo, a origem da situação, que precisa ser combatida, é a mesma: a emissão excessiva de dióxido de carbono. Ela causa o efeito estufa, como já se sabia, e é também a vilã na descoberta desse novo problema. [Live Science]

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Ninhos de pássaros nas velhas árvores


Que seria da avifauna se não encontrasse refúgios para fazer seus abrigos?

Mais de mil espécies de aves e mamíferos usam os ocos dos troncos das árvores anciãs para criar seus filhotes, para a postura dos ovos, enfim, para fazê-los de moradia. Araras, papagaios, tucanos, corujas, pica-paus e preás, entre outros, vivem suas vidas nestas árvores que, com o passar do tempo, envelhecem e formam esses buracos.

papagaio de peito roxo

A doutora Kristina Cockle, coordenadora do Projeto Selva De Pino Paraná, da Fundação Azara-Universidad Maimónides, na Argentina, a doutora Kathy Martin na Universidade de British Columbia, Canadá, e o doutor Tomasz Wesolowski, na Universidade de Wroclaw, Polônia, organizaram grupos de trabalho integrados por pesquisadores, estagiários e voluntários para descobrir, com bastante paciência, durante um período que durou quase 25 anos, um total de 2805 cavidades em árvores de bosques e matas tropicais nos três países. Por outra parte revisaram os resultados de pesquisas similares em 17 locais de 10 países de Europa, Oceania, Ásia e América.

Esses estudos revelaram dados interessantes: 75% dos ocos usados pelos pássaros são os resultados da degradação dos troncos, produzida por fungos, insetos e ventos, nos últimos 100 ou 200 anos, enquanto que a grande família de pica-paus, e outros escavadores, como surucuás, chapins-sibilinos e pintassilgos-pinheirinho, são os grandes responsáveis pela maioria das cavidades (77%) apenas na América do Norte, onde ficam até quase uma década. Em contra partida na América do Sul e nos outros três continentes esses buracos resultantes da degradação são até 12 vezes mais duradouros.

Segundo resultados publicados no Frontiers and the Environment e comentados na revista Science, algumas dessa aberturas, nos troncos, encontradas na região de Misiones, na Argentina, servem de refúgio para quatro espécies de aves, por até sete vezes no período de cinco anos.

 Surucuá

A pesquisa singular demonstra a importância que o cuidado das velhas árvores tem para a preservação da avifauna nativa. “Se pretendemos que nossos filhos contemplem aves, como tucanos e periquitos nas matas, precisamos manter essas árvores anciãs grandes e vivas, onde são formados os ocos mais duradouros” afirmou Kristina Cockle. Sem esses refúgios, esses pássaros não conseguem reproduzir; na América do Sul há muitas espécies de aves que precisam deles para aninhar e estão em perigo de extinção, como é o caso do papagaio-do-peito-roxo e o araçari-banana. Para reverter a diminuição dessas árvores, a doutora Cockle recomendou proteger as reservas e conservar as matas.

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Fonte: Jardim das Idéias - http://www.jardimdasideias.com.br