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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Pesquisadores fazem esgoto doméstico virar adubo

Esgoto: o lodo produzido em estações de tratamento de esgoto se mostrou 
mais eficiente como adubo que os fertilizantes comerciais 
 Stock.XCHNG

Em vez de ser descartado nos aterros, o lodo vira matéria-prima para a produção do fertilizante, por ser fonte de matéria orgânica e nutrientes         para as plantas

 

Rio de Janeiro - O esgoto doméstico pode se tornar um aliado da agricultura. Pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF) estão desenvolvendo um adubo, feito com lodo produzido em estações de tratamento de esgoto, que se mostrou mais eficiente que os fertilizantes comerciais.

Fruto de parceria da UFF com a prefeitura de Volta Redonda (RJ) e o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) da cidade, os experimentos vêm sendo conduzidos em uma estação de tratamento do município desde 2011.

Segundo a pesquisadora Fabiana Soares dos Santos, que coordena a equipe de cinco professores da UFF e alunos de iniciação científica, o uso agrícola do lodo é uma boa ideia porque "alia o baixo custo com o impacto ambiental extremamente positivo".

O lodo de esgoto doméstico é o resíduo gerado no tratamento do esgoto sanitário e pode causar sérios problemas ambientais se disposto de forma inadequada. Em vez de ser descartado nos aterros, ele vira matéria-prima para a produção do fertilizante, por ser fonte de matéria orgânica e nutrientes para as plantas.

Mas esse lodo pode conter certas substâncias que, em determinadas concentrações, são nocivas ao meio ambiente e à saúde. Por isso, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) publicou em 2006 a Resolução n.º 375, que define quais são os níveis máximos de poluentes que o lodo de esgoto pode ter para ser usado na agricultura.

O fertilizante feito pela equipe da UFF foi criado com base uma mistura desse lodo com resíduos das podas de árvores feitas pela prefeitura. Durante quatro meses, os pesquisadores fizeram a compostagem desses materiais e analisaram se os agentes contaminantes orgânicos, inorgânicos (metais pesados) e biológicos (coliformes, ovos de helmintos, salmonela) estavam adequados aos níveis da resolução.

Concluída essa etapa, iniciaram os experimentos com o cultivo de milho e de aroeira, uma espécie arbórea utilizada em projetos de reflorestamento. Nessa fase, os pesquisadores cultivaram as duas plantas em cinco diferentes tipos de solo: um adubado com o fertilizante desenvolvido por eles, um com o substrato comercial, e os outros três utilizando combinações desses dois adubos em diferentes proporções.


Resultados

A equipe de Fabiana constatou que as plantas se desenvolveram melhor nos tratamentos que continham as proporções mais concentradas do composto de lodo de esgoto. "No caso do milho, a diferença foi bem marcante entre o tratamento com o substrato comercial puro quando comparado com o lodo de esgoto. O lodo teve um efeito significativo no desenvolvimento das plantas."

Agora, eles se debruçam sobre os dados coletados e analisam, em laboratório, os pigmentos e a concentração dos nutrientes nas folhas para comprovar fisiologicamente a diferença que já pode ser constatada só de olhar.


 Fonte: Exame.com

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Voltando às origens: plantio em pequena escala pode significar alimento mais saudável na mesa do consumidor


Comprar alimentos de produtores certificados incentiva a economia de pequena escala 
e reduz o risco de se consumir produtos que não estejam de acordo com as 
“boas práticas agrícolas”. (Foto: Shutterstock)
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O alerta sobre resíduos de agrotóxicos em diversos produtos vindos do campo, como o pimentão e o morango, dá força a movimentos que defendem a agricultura familiar orgânica, agroecológica e sustentável como modelo agrário.

A produção de alimentos tem ganhado destaque nas discussões globais e locais em um planeta que ganha cada vez mais habitantes. Como alimentar uma população que deve chegar a 9 bilhões em 2050, segundo estimativas das Nações Unidas, com ameaças de instabilidades climáticas e tendência de aumento nos preços das commodities agrícolas?

O tema fez parte das mesas de discussão do 42º Fórum Econômico Mundial, que aconteceu neste final de janeiro em Davos, na Suíça. Segurança alimentar, sustentabilidade ambiental e fomento às oportunidades econômicas por meio da agricultura estiveram no centro do debate. Produzir mais com menos recursos é a tônica. Isso, em contrapartida, pode comprometer a integridade dos alimentos e do solo, com o uso cada vez mais intenso de defensivos agrícolas, que entram no sistema para aumentar a produtividade das lavouras.

Na mesma Comunidade Europeia, outro segmento da população se manifesta contra o modelo que prioriza a produção em larga escala. Na Alemanha, por exemplo, 40 organizações e iniciativas de diversas áreas, entre elas agricultura, nutrição, proteção à natureza e desenvolvimento, lideram uma campanha que pede um basta ao agronegócio e defende a agricultura familiar baseada nos princípios da sustentabilidade.

O movimento, preocupado com os impactos do atual modelo para a nossa sociedade, saúde e meio ambiente, incentiva um diálogo mais próximo entre produtores e consumidores, ideia que também ecoa em terras brasileiras. Aqui, uma das ações do Ministério do Desenvolvimento para incentivar o escoamento direto da produção de agricultores familiares é a certificação pelo Selo de Identificação da Participação da Agricultura Familiar (Sipaf).

O mercado é expressivo. O último censo agropecuário realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgado em 2009, mostra que a agricultura familiar representava em 2006 cerca de 80% do total dos estabelecimentos agropecuários. A produção em pequena escala, ocupando apenas 24,3% da área agropecuária brasileira, já era responsável por 87% da produção nacional de mandioca, 70% da produção de feijão e 46% de milho. A cultura com menor participação da agricultura familiar foi a soja (16%).

Comprar alimentos desses produtores certificados incentiva a economia de pequena escala e, para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), reduz o risco de se consumir produtos que não estejam de acordo com as “boas práticas agrícolas”.

A ANVISA fez um alerta em dezembro do ano passado, quando divulgou dados de seu Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos de Alimentos. Das 18 culturas pesquisadas, 28% foram consideradas insatisfatórias. Em alguns casos, foi constatada nos alimentos a presença de agrotóxicos que não são autorizados pela Agência ou que estavam em níveis acima dos autorizados. Com a repercussão nacional da notícia, o pimentão, o morango, o pepino, a alface e a cenoura, que estão no topo da lista de alimentos com resíduos de agrotóxicos, entraram na mira da população.

Há quem oriente o consumidor a lavar bem as frutas e verduras, retirando a casca e as partes externas, como forma de reduzir a presença de agrotóxicos na alimentação. Mas há uma série de organizações no Brasil que, como as da Alemanha, defendem a produção de alimentos orgânicos e agroecológicos como a única opção para uma vida saudável (tanto para o trabalhador rural quanto para o consumidor), além de uma terra sempre produtiva e um futuro livre de doenças e contaminações decorrentes de práticas abusivas do agronegócio.

A “Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida” foi lançada nacionalmente em abril de 2011 e já se espalha em comitês regionais pelos principais Estados brasileiros, promovendo principalmente ações de articulação, comunicação e formação profissional. “É importante ressaltar que as culturas que mais utilizam agrotóxicos são justamente aquelas produzidas no modelo do agronegócio, cultivadas em grandes áreas de monocultivo e voltadas para a exportação, como é o caso da soja, que é responsável por 51% do volume total de agrotóxicos comercializados no país”, afirma Cleber Folgado, secretário-geral da campanha e dirigente do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA).

A tendência é realmente que o consumidor se aproxime cada vez mais da produção, saiba de onde vem o alimento, quem o planta e como, e consiga comprar diretamente do agricultor.

No livro A Terceira Onda, o futurista Alvin Toffler vai além e prevê uma civilização que começará a “cicatrizar a ruptura histórica entre o produtor e o consumidor”, gerando o que ele classifica como a “economia do prossumidor”, ou seja, aquela pessoa que já não depende de supermercados e redes de comércio para se alimentar ou adquirir mercadorias. Essas pessoas já existem: mesmo no ambiente urbano, elas cultivam hortaliças e legumes em quintais, varandas ou mesmo telhados, tendo assim a garantia da saúde em seus pratos de comida.
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Fonte: Sustentabilidade Allianz - http://sustentabilidade.allianz.com.br