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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

JARDINEIRA CHOCÓLATRA



Família em casa no fim de semana, e a jardineira chocólatra juntou a gula com a vontade de plantar. A ideia dos vasinhos foi da Mari, irmã cozinheira especializada em eventos, e veio junto com a sugestão de montar a mousse de chocolate em copinhos de pinga. Mas na semana passada encontrei à venda mini vasinhos de vidro no tamanho ideal para porções individuais. Poderia ser mais perfeito?
A receita da mousse é da Patricia Scarpin, do delicioso Technicolor Kitchen, de onde saem atualmente todas as receitas de doce que faço. É levíssima, fácil e rápida de preparar.


Mousse de chocolate com especiarias
180g de chocolate amargo (70% cacau) picado  
3 ovos em temperatura ambiente, claras e gemas separadas  
3 colheres de sopa de açúcar refinado  
1/4 de colher de chá de canela em pó
1/4 de colher de chá de noz moscada moída na hora 225ml de creme de leite fresco batido até formar picos suaves

Coloque o chocolate em uma tigela refratária e derreta-o em banho-maria. Retire do fogo e deixe esfriar. Acrescente as gemas e mexa - a mistura vai ficar espessa. Junte as especiarias e misture. Acrescente o creme de leite e misture delicadamente, de baixo para cima, com o auxílio de uma espátula de borracha/silicone. Na tigela grande da batedeira bata as claras em neve até que formem picos suaves. Junte o açúcar e bata para incorporar. Misture as claras delicadamente ao creme de chocolate, novamente misturando de baixo para cima com a espátula - a mousse deve ficar homogênea tanto na textura quanto na cor. Transfira para seis potinhos ou copinhos com capacidade para meia xícara (120ml) cada e leve à geladeira por 3 horas ou até firmar.

O acabamento com efeito de pedrinhas fiz com amêndoas cruas picadas, mas você pode usar amendoim, castanha de caju, do Pará, farofa para sorvete ou o que tiver em casa. E a plantinha aqui é hortelã, mas seus vasinhos também podem ser de menta, melissa, tomilho ou qualquer outra plantinha não tóxica que tiver à mão. Vale até flor.

Depois de ouvir todos os ahs e ohs das visitas encantadas, você vai ver como é uma delícia curtir a fama de anfitriã caprichosa! 

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Fonte: De Verde Casa

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Produção de mel colorido intriga apicultores na França

Sindicato acredita que restos de corantes usados em doces sejam a causa 


A produção de mel colorido está intrigando apicultores na França. Recentemente, os produtores encontraram mel em cores bastante incomuns – há mel marrom, verde e até azul. O incidente ocorreu na cidade de Ribeauvillé, na Alsácia, no nordeste do país.

Jornais franceses destacaram que, além de curiosa, a situação pode gerar grande prejuízo aos produtores, já que eles não vão conseguir vender o mel. Preocupado, o sindicato dos apicultores da cidade fez uma pesquisa para tentar descobrir a origem do mel colorido.

 
 Apicultor francês mostra potes de mel colorido (Foto: Vincent Kessler/Reuters)

 
Em uma usina de reaproveitamento de dejetos, eles encontraram grandes concentrações de produtos com mesmas cores que chamaram a atenção nas colmeias. Nessa usina, mantida pela empresa Agrivalor, restos de outros produtos são transformados em biogás, entre outros tipos de aproveitamento.

Em entrevista ao “Le Monde”, Alain Frieh, presidente do sindicato local de apicultores, acredita que o mel colorido tenha relação com um dos produtos reciclados pela empresa.

“Os recipientes contêm resíduos da confeitaria industrial dos estabelecimentos Mars”, afirmou. A multinacional produz os chocolates M&M’s, que têm corantes azuis, verdes e marrons, como os que foram encontrados no mel.

A Agrivalor não quis comentar a reportagem do “Le Monde”, mas confirmou ao jornal que “valoriza” restos da produção de doces. Ainda segundo o jornal, a empresa disse aos apicultores que “lamenta muito sinceramente a situação” e prometeu melhorar as condições de armazenamento dos dejetos.



Apicultores acreditam que o mel colorido tenha relação com 
produtos químicos liberados no ar (Foto: Vincent Kessler/Reuters)

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Fonte: Do Globo Natureza, em São Paulo, em 05/outubro/2012


segunda-feira, 3 de setembro de 2012

VIVENDO SEM CARNE

O quanto o Vegetarianismo é Saudável ?

Apesar de geneticamente programado para ser carnívoro, o panda gigante sobrevive
com uma dieta exclusivamente de bambu (Foto: Reuters) 
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Sabe o que Einstein, Gandhi, Paul McCartney e a sua mãe têm em comum? Eles sabem que "legumes são bons para você!". Mas será que eles são o suficiente?

Há muitas razões para alguém se tornar vegetariano. Os vegetarianos preocupados com o clima fazem objeção ao uso maciço de terras, água e outros recursos necessários para produzir carne. O gado também emite muito metano, um potente gás de efeito estufa.

Os ativistas dos direitos dos animais apontam o que consideram como condições cruéis e antinaturais na maioria das fazendas de criação de gado e matadouros. E muita gente simplesmente não quer matar animais por razões éticas ou religiosas. Os hinduístas na Índia, por exemplo, compartilham esse ponto de vista de que comer carne é assassinato.


Não é de surpreender, portanto, que o vegetarianismo ocorra em muitas e diferentes variações. Os veganos, por exemplo, rejeitam qualquer coisa de origem animal, até mesmo ovos e laticínios. Já os chamados ovolactovegetarianos só evitam carnes.


O que os une, no entanto, é a crença de que uma dieta vegetariana ou vegana é mais
saudável do que a alternativa onívora. Mas isso tem algum fundamento?

O guia da pirâmide alimentar, uma ferramenta usada por muitas autoridades de saúde no mundo todo, propõe ao menos uma porção diária de carne. A carne é uma fonte importante de proteínas, ferro e alguns nutrientes que são raros nas plantas.


Porém a carne pode ser substituída, afirma a nutricionista Andrea Gahler, que organiza as palestras sobre alimentação na matriz alemã da Allianz. A pirâmide em si não muda – trata-se de intercambiar alguns elementos. Carne e laticínios estão no mesmo nível, então, em vez de comer um filé, os vegetarianos poderiam ingerir um copo a mais de leite, um pouco de iogurte ou queijo para compensar.

 
Conheça os nutrientes
Nutrientes importantes como a vitamina B12, que é comum na carne, mas rara nas plantas, pode ser obtida a partir de ovos e derivados de leite. Outro mito do senso comum que facilmente cai por terra é o de que a carne é necessária para obter proteínas. "A melhor fonte de proteína é um prato de ovos e batatas. Com isso você pode dispensar até o filé", afirma Gahler.

Já os veganos, que não comem ovos e laticínios, têm uma certa dificuldade. Muitos vegetais contêm alguma quantia de vitamina B12, mas não em níveis suficientes. E as proteínas encontradas na soja ou nas leguminosas não são um substituto adequado para as proteínas animais.


Essa deficiência pode levar os veganos à desnutrição. Isso é especialmente perigoso no caso de crianças, cujo desenvolvimento físico poderá ser afetado de modo negativo.


O ferro também é uma questão complicada. Diferentemente daquele presente na carne e no leite, o ferro nas plantas não pode ser absorvido de forma eficaz pelo corpo humano. Alguns dos maiores índices mundiais de anemia – que é a falta de ferro – são registrados entre mulheres e crianças indianas, muitas das quais comem pouca ou nenhuma carne. Portanto, os vegetarianos precisam escolher seus alimentos com muito cuidado para obterem a quantidade de ferro de que precisam.


Isso não significa necessariamente que eles tenham de tomar pílulas de suplemento vitamínico. Uma refeição com verduras ricas em ferro será mais bem digerida junto com um copo grande de suco de laranja, pois a vitamina C ajuda a decompor o ferro.


É inegável que os vegetarianos precisam dedicar uma atenção especial a seus hábitos alimentares. "Todo vegetariano deveria ir ao médico periodicamente para checar as taxas no sangue", recomenda Gahler. "Esse é o jeito mais simples de assegurar que você está comendo bem".


O lado leve da vida

A despeito dessas preocupações, um estilo de vida vegetariano traz uma série de vantagens para a saúde. Esse tipo de alimentação leva automaticamente a um consumo reduzido de gorduras, especialmente as nada salutares gorduras saturadas, e a uma diminuição no colesterol ruim. Isso reduz significativamente os riscos de doenças cardiovasculares, infarto ou diabetes.

Isso ajuda a perder peso? Não necessariamente. "Em teoria, sim", diz Gahler, "mas na prática, a alimentação vegetariana não implica isenção de gorduras. Sempre aparecem clientes vegetarianos que me procuram porque querem perder peso".


Se consumirem os modernos alimentos industrializados, os vegetarianos irão comer tanta gordura quanto os onívoros. Em termos de calorias, não importa se suas batatinhas fritas foram feitas com banha de porco ou óleo de canola.


De acordo com a Associação Dietética Americana (
ADA - American Dietetic Association), uma dieta vegetariana bem planejada pode atender às necessidades nutricionais de todo mundo, de crianças a idosos e até gestantes. Você talvez tenha de fazer alguns ajustes aqui e ali, mas trocar o filé de carne por um prato de legumes não lhe fará mal à sua saúde e, de quebra, você ainda contribui para melhorar a saúde do planeta.

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Fonte: Allianz - http://sustentabilidade.allianz.com.br
 

DIETA BALANCEADA

Ingredientes essenciais para uma boa saúde e alimentação

Cenouras, abóboras, papaia e verduras de folhas verde-escuras contêm quantidades significativas de betacaroteno, o qual é convertido em vitamina A no corpo. (Foto: Reuters)
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O que é uma dieta saudável? Ellen Muelhoff, diretora sênior de Nutrição da FAO, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, explica quais os alimentos que precisamos e o que é melhor deixar fora do prato.
Quais são os nutrientes mais importantes para a saúde humana?

Existem macronutrientes – carboidratos, proteínas e gorduras – e micronutrientes, tais como vitaminas e minerais. A chave para uma dieta saudável é uma combinação desses itens, comendo uma grande variedade de alimentos.
Os carboidratos fornecem energia para a atividade física, gerando calor e crescimento e restaurando os tecidos corporais. As proteínas formam o corpo, elas constituem os músculos, fluidos e anticorpos, e fortalecem o sistema imunológico. As gorduras são uma fonte vital de energia para a atividade física, o crescimento e a saúde, e ajudam a absorver vitaminas lipossolúveis presentes nos alimentos, como as vitaminas A e E.

Por que essas vitaminas são tão importantes?

A vitamina A mantém os olhos saudáveis e protege contra doenças infecciosas. As vitaminas do complexo B convertem alimento em energia. O ácido fólico, que é uma das vitaminas B, pode contribuir para a prevenção de doenças do coração. As vitaminas C e E têm poderosas propriedades antioxidantes e protegem as células contra o câncer, enquanto o potássio é crucial para a saúde dos músculos e nervos.

Então quais alimentos temos de comer para obter esses nutrientes?

Os carboidratos vêm dos alimentos contendo amidos. Entre eles estão os cereais – como trigo, arroz, milho, sorgo e milhete –, as raízes e os tubérculos, como batata comum, batata-doce, mandioca e inhame.
As proteínas são fornecidas por carne, peixe, ovos e leite, mas também podem vir de alimentos de origem vegetal, como feijões, vagens e legumes, especialmente nos países em desenvolvimento, onde os alimentos de origem animal são menos acessíveis para os pobres.
Frutas, legumes e verduras são repletos de vitaminas e minerais. Por exemplo, cenouras, abóboras, papaias e legumes de folhas verde-escuras contêm quantidades significativas de betacaroteno, que é convertido em vitamina A no corpo. Também são fontes excelentes de vitamina C, potássio e ácido fólico. Fitoquímicos, como o licopeno dos tomates e os flavonoides das frutas, podem proteger contra doenças crônicas.
Frutas, legumes e verduras também fornecem fibras que ajudam a digestão e, portanto, protegem contra o câncer de intestino e podem reduzir o colesterol no sangue.

Legumes e amidos parecem bem saudáveis, mas em que alimentos encontrar gorduras saudáveis?

As gorduras insaturadas saudáveis vêm dos óleos vegetais, nozes, sementes de girassol, azeite de oliva e peixes gordurosos, como arenque, cavala e salmão. Abacates também são uma ótima fonte. Todos esses alimentos são muito melhores para o coração do que as gorduras saturadas presentes na manteiga, no toucinho, no queijo, na carne vermelha e na carne processada. Pior ainda são as gorduras vegetais solidificadas, encontradas em frituras, biscoitos, bolos e sorvetes comercializados.
 

Alguns alimentos atuam melhor em combinação com algum outro?
Com certeza, certas combinações são muito vantajosas. Arroz combinado com feijão e vagens mescla os aminoácidos desses diferentes alimentos e forma uma proteína de qualidade quase equivalente à que se encontra nas carnes, no leite ou nos ovos. O corpo necessita de alguma gordura ou óleo para permitir a absorção das vitaminas presentes em legumes e frutas. E as frutas frescas, ricas em vitamina C, se fizerem parte de uma refeição, ajudam o corpo a tirar o máximo proveito do ferro, tanto em alimentos de origem vegetal quanto de origem animal.

De quantas calorias precisamos diariamente?

Não existe uma resposta única para essa questão. Isso depende de idade, sexo, peso e atividade física. Porém a FAO e a OMS (Organização Mundial da Saúde) recomendam que uma mulher com medidas dentro da média, de 20 a 30 anos, que não esteja grávida ou amamentando e mantenha uma atividade moderada, deve consumir aproximadamente 2.200 calorias por dia.

Existe alguma regra infalível para distribuir melhor essas calorias entre os diferentes tipos de alimento?

Grosso modo, 55 a 75% das calorias deveriam vir dos amidos, até 35% de gorduras, e não mais de 10% de açúcar. Nós recomendamos pelo menos 400 gramas ou cinco porções de frutas e legumes diariamente. Procure comer no mínimo duas ou três porções semanais de peixe, especialmente peixes oleosos. Reduza as guloseimas, especialmente bebidas adoçadas com açúcar, e coma o máximo possível de alimentos integrais. Utilize óleos vegetais saudáveis, como o azeite de oliva. Exercite-se pelo menos meia hora por dia.

E quanto à ingestão de carne?

O consumo de carne vermelha e carnes processadas deve ser restrito. No passado, a carne vermelha era considerada muito saudável por conter muita proteína e ferro, mas agora sabemos mais sobre os seus efeitos negativos, especialmente para o coração. Procure substituir a carne vermelha por aves ou peixes.

Então os vegetarianos e veganos têm uma vida mais saudável?

Há pesquisas indicando que os vegetarianos são mais saudáveis, mas é difícil dizer se é só por causa da dieta. No geral, uma dieta vegetariana pode ser saudável, apesar de os vegetarianos poderem precisar de suplementos de ferro e zinco. Em países em desenvolvimento, onde as pessoas pobres comem poucos alimentos de origem animal, a anemia por deficiência de ferro é muito elevada, especialmente entre mulheres e crianças.
Nós não recomendaríamos uma dieta vegana, especialmente para crianças pequenas, porque é difícil obter todos os nutrientes essenciais necessários para o desenvolvimento do cérebro e o crescimento físico.

Os suplementos nutritivos são um bom substituto para certas comidas?

Eles podem ser úteis para quem tem deficiência de nutrientes e em emergências alimentares. Contudo, recomendamos sempre consultar o seu médico antes de tomar suplementos porque eles também podem envolver riscos.
Provas recentes mostram que os suplementos antioxidantes, como o betacaroteno e as vitaminas A e E, não produzem nenhum efeito protetor contra doenças crônicas e podem, na verdade, aumentar a mortalidade.

E quanto às bebidas? Café e álcool estão fora de questão?

Café e chá devem ser tomados com moderação, e, após uma refeição, eles podem interferir na absorção de ferro. Devemos também moderar a ingestão de sucos de fruta, porque eles podem ter um teor de açúcar elevado. O leite fornece cálcio que fortalece ossos e dentes, especialmente nas crianças pequenas. No entanto, para os adultos, nós recomendaríamos leite desnatado, porque os laticínios integrais têm muita gordura saturada.
Embora se considere que o vinho tinto tenha certos efeitos positivos para a saúde do coração, o conselho geral é para consumir álcool com moderação. Água pura é muito saudável e devemos tomar pelo menos 8 copos por dia.

Existem alimentos perigosos que deveríamos evitar totalmente?

O perigo está mais nos padrões dietéticos. O fato é que estamos comendo demais certos alimentos, como carnes gordurosas, coisas salgadas ou com açúcar, e poucas frutas e verduras.
Ao mesmo tempo, o tamanho das porções aumentou substancialmente e podemos beliscar o dia inteiro, pois há comida disponível em toda parte. Até nas escolas vemos refrigerantes e fast-food. Há comprovações inegáveis de que isso aumenta o risco de diabetes, doenças cardíacas, derrames e certos tipos de câncer.


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Fonte: Allianz - http://sustentabilidade.allianz.com.br


domingo, 26 de agosto de 2012

Alimentação

A comida como direito humano em risco

As pessoas deveriam ter a oportunidade de cultivar seus próprios alimentos; 
por sua vez, os alimentos básicos deveriam estar ao alcance de todos 
e estes também deveriam estar isentos de qualquer substância nociva.
Jessica Nitschke
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Bruxelas / Ecologia – 830 milhões de pessoas sofrem de fome no mundo. A previsão é de que a população mundial continue aumentando nas próximas décadas, atingindo a cifra de 9 bilhões em 2050. Isto é um problema importante. Como assegurar comida para toda esta população no futuro? A mudança no sistema de produção mundial de alimentos é importante não só para os seres humanos senão que também para o meio ambiente. Sob a pressão crescente da mudança climática, é uma questão crucial manter a alimentação da população de uma maneira sustentável.
Para discutir este tema, a ONG Compassion in World Farming em colaboração com a FAO (Organização para a Agricultura e a Alimentação) das Nações Unidas organizou em Bruxelas uma conferência internacional. Em 20 de março estiveram presentes diplomatas, políticos e membros do parlamento europeu para discutir o tema a respeito de “Garantir uma alimentação correta e uma agricultura ecológica para o futuro”.
Uma das propostas para assegurar o fornecimento de alimentos no futuro é reduzir o consumo de carne. Nos últimos anos, o consumo de carne aumentou em todo mundo, inclusive nos países em que há pouco tempo era considerado um luxo. Produzir um quilo de carne (dependendo do tipo de carne) precisa aproximadamente de 16 quilos de grãos.
Neste contexto, Compassion in World Farming descreve em seu relatório “Consumindo o Planeta”, que a redução do consumo mundial de carne poderia liberar um milhão de quilômetros quadrados de terras de cultivo. Também significaria menores emissões de gases de efeito estufa. A redução de consumo de carne é ao mesmo tempo benéfica para o meio ambiente e uma medida de justiça social.
De maneira similar há uma necessidade de sensibilizar a população a respeito do problema da comida. Um terço da comida mundial termina sendo desperdiçado, diz a FAO das Nações Unidas, ascendendo a quase 1,3 milhões de toneladas por ano. Portanto os recursos destinados à produção de alimentos acabam sendo desperdiçados.
A segunda perspectiva a respeito da crise de alimentos é que, sob a perspectiva das pessoas em situação de pobreza, a segurança alimentícia se transformou num problema muito importante. A produção de comida precisa poder satisfazer a demanda de um aumento constante da população.
O relator especial das Nações Unidas para a defesa do direito aos alimentos, Olivier De Schutter, argumenta que os três elementos principais do “direito à alimentação” são disponibilidade, acessibilidade e idoneidade. Isto significa que as pessoas deveriam ter a oportunidade de cultivar seus próprios alimentos, e que os alimentos básicos deveriam estar ao alcance de todos, e uma última condição essencial seria que os alimentos deveriam estar isentos de qualquer substância nociva. O direito universal à alimentação está ameaçado pelo uso excessivo dos produtos animais dos países ricos.
A conferência concluiu que o desenvolvimento da crise alimentícia, em um prazo mais longo, será um problema que afetará tanto os mais pobres do mundo assim como o meio ambiente, implicando uma obrigação das economias desenvolvidas de reduzir o consumo de produtos animais. Neste assunto está claro que nenhum país reconheceu este objetivo como uma política prioritária.
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Jessica Nitschke. Membro da equipe Centro Social dos Jesuítas na Europa em Bruxelas, Bélgica. Publicado em http://ecojesuit.com
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Fonte: Miradaglobal.com