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sábado, 22 de abril de 2017

Dia da Terra: filósofo holandês escreve Carta à Humanidade


Koert van Mensvoort, filósofo holandês – fundador da Next Nature Network e membro da ‘Next Nature’ na Universidade de Tecnologia em Eindhoven – escreveu uma ‘Carta para a Humanidade’ em apoio ao Dia Internacional da Terra, comemorado no dia 22 de abril. Em sua carta, ele convoca a humanidade a evitar se tornar escrava e vítima de sua própria tecnologia, mas empregar a tecnologia para aprimorar a raça humana.


Sua carta está endereçada a todas as 7 bilhões de pessoas na Terra. Ela foi traduzida em 25 idiomas de todo o mundo e está endossada por embaixadores internacionais como o astronauta André Kuipers, o filósofo Bas Haring, o designer Daan Roosegaarde, o apresentador da National Geographic Jason Silva e a professora de arquitetura experimental Rachel Armstrong.
Na carta, Van Mensvoort descreve como o homem entrou em uma nova fase evolucionária e que, além de criar a biosfera, atualmente também criou a suposta tecnosfera. De acordo com ele, seu impacto é semelhante à evolução dos animais há 500 milhões de anos. “Sua presença está transformando a face da Terra de maneira tão profunda que ainda será evidente daqui a milhões de anos”, escreve ele.
De acordo com ele, o Homem está numa encruzilhada e pode fazer com que sua relação com a tecnologia se transforme num sonho ou num pesadelo. No cenário do pesadelo, a tecnologia possui um efeito parasita nos seres humanos e nos tornamos a primeira espécie a causar seu próprio fim. No do sonho, a tecnologia humana está baseada nas necessidades humanas como ponto de partida e, na verdade, é usada para criar um mundo mais natural. O último caminho é recompensador para a humanidade bem como para todo o planeta.
Koert van Mensvoort é filósofo, artista e membro da ‘Next Nature’ na Universidade de Tecnologia em Eindhoven. Ele é o fundador da Next Nature Network, uma fundação que explora e visualiza até que ponto estamos rodeados por uma tecnologia que está se tornando nossa ‘next nature’. Essa rede internacional agora possui membros em vinte países.
A carta em português pode ser lida em http://lettertohumanity.org/portugues/ ou abaixo.

Carta à Humanidade

Querida Humanidade,
Parece estranho escrever-te uma carta, admito. As cartas são geralmente dirigidas a um indivíduo ou a um grupo limitado de pessoas. Não é habitual escrever para a humanidade como um todo. Tu nem tens um endereço postal, e eu duvido que recebas muita correspondência. Ainda assim, pensei que estava na hora de te escrever.
Obviamente, eu compreendo que não posso chegar completamente a todos – porque a humanidade não só consiste em cada pessoa que está viva agora, mas também em todos os que já viveram. São 107 mil milhões de pessoas. E depois há todos os outros que ainda não nasceram – espero que haja muitos deles. Voltarei a isso mais tarde, mas antes de falar sobre o futuro, gostaria de olhar para trás.
Fizemos um longo caminho, querida humanidade.
Nenhum outro animal moldou os seus arredores tão completamente como tu. Começou há algum tempo, há cerca de 200.000 anos atrás. Naquela época, não existia nenhum prémio Nobel por ter a brilhante ideia de usar peles de animais para manter o calor, ou controlar o fogo, ou inventar a lança ou o sapato. Todas estas foram invenções excecionalmente inteligentes que não apenas te permitiram sobreviver no teu indisciplinado habitat natural original, como também te permitiu moldá-lo à tua vontade e dominá-lo.
Os seres humanos nem sempre foram tão poderosos. Durante muito tempo, foste uma espécie marginal, sem importância, localizada nalgum lugar no meio da cadeia alimentar, sem mais controlo sobre o teu ambiente do que os gorilas, borboletas ou alforrecas. Mantiveste-te vivo principalmente colhendo plantas, apanhando insetos, perseguindo pequenos animais e comendo carcaças deixadas por predadores muito mais fortes, com os quais viveste em constante medo.
Sabias que há mais variação genética no grupo de chimpanzés normal do que há entre os 7 mil milhões de pessoas que vivem na Terra hoje? Os pesquisadores acreditam que isso ocorre porque os seres humanos quase se extinguiram uma vez e a população global de hoje descende de alguns sobreviventes. Esse facto obriga-nos a sermos modestos. Na realidade, é um milagre estarmos aqui.
Fisicamente, em comparação com muitos animais, os seres humanos são criaturas surpreendentemente frágeis. Que outro animal entra no mundo nu, gritando e relativamente desamparado, presa fácil para qualquer predador que apareça? Um cordeiro recém-nascido pode andar dentro de algumas horas; uma criança humana leva cerca de um ano para ficar sobre os seus próprios dois pés. Outros animais têm sentidos específicos, órgãos e reflexos que lhes permitem sobreviver em ambientes específicos, mas tu não estás naturalmente equipado para qualquer habitat em particular. No entanto, esta fraqueza aparente também provou ser uma força, permitindo-te a propagação da savana até ao Polo Norte, ao fundo do oceano e à Lua! Essa é uma conquista única.
Algumas pessoas até pensam que devias ir além da terra e povoar o universo. Por si mesmo, essa é uma ótima ideia, mesmo que seja para evitar que sejas destruído algum dia quando um meteorito maciço atingir o planeta. Isso seria uma vergonha. Para ser honesto, porém, penso que é um pouco cedo para procurares refúgio noutros mundos. Primeiro, vamos tentar resolver alguns problemas no nosso planeta natal. Porque tem que ser dito que a tua presença na terra causou problemas: aquecimento global, desflorestação, plástico nos oceanos, radiação ionizante, biodiversidade em declínio. É o suficiente para fazer uma pessoa deprimida. Às vezes parece que fazes mais mal do que bem!
Muitas vezes encontro pessoas que acreditam que o planeta seria melhor se não estivesses aqui. Espero não te ofender dizendo isso, querida humanidade, mas sinto-me obrigado a dizer-te que há aqueles entre nós que desconfiam de ti, olham para ti com desprezo ou simplesmente não gostam de ti porque pensam que estás a arruinar o planeta. Eu apresso-me a acrescentar que eu não sou um deles. Eu sempre tive dificuldade em entender tal misantropia, porque, em última análise, é uma forma de ódio próprio.
De onde vem essa desconfiança da humanidade? Numa investigação mais aprofundada, descobri que os infetados com ela têm uma imagem particular da humanidade que, na minha opinião, é completamente incorreta: eles vêem-na como uma espécie antinatural, que não pertence verdadeiramente à natureza romântica, bela e harmoniosa. Creio que este é um preconceito ingénuo que não nos ajudará a avançar, e devemos livrar-nos dele o mais rápido possível. Para entender essa ideia, precisamos de começar no início.
A Terra surgiu há mais de 4,5 mil milhões de anos. No início, não passava de uma pedra solitária no espaço, e levou mais de mil milhões de anos até que a biosfera do planeta se começasse a formar. Depois disso, levou cerca de 2 mil milhões de anos mais para as primeiras plantas multicelulares evoluírem. Outros mil milhões de anos depois, durante a explosão Cambriana, surgiu no planeta um tipo de vida completamente novo: os animais.
Os primeiros animais surgiram em cena há 500 milhões de anos. Não sabemos como as plantas, que já existiam há cerca de mil milhões de anos, sentiram o surgimento dos animais. Como sabes, as plantas gostam de ser deixadas em paz; Elas não se movem muito e retiram sustento do sol e do solo. Agora, eu não sei o que as plantas pensam, uma vez que eu não posso falar com elas, mas não me parece impossível que elas tenham achado agitado e desconfortável ter que aturar os animais ao seu redor. Talvez até tenham visto os animais como antiéticos, não apenas porque fundamentalmente não tinham raízes e viviam num ritmo inimaginável, mas mais porque faziam algo que naquela época era completamente novo, nunca visto e abominável: os animais comiam plantas.
Tudo considerado, a chegada dos animais pode não ter sido muito divertida para as plantas. A evolução é incessante, porém, e embora uma terra povoada apenas por plantas estava bem como estava, também era um pouco maçador, ou no mínimo, menos emocionante do que uma que continha animais também (eu vou poupar-te a uma descrição de como era no tempo em que a terra não tinha plantas, apenas pedras, o que era ainda mais maçador).
Então, de volta para o papel da humanidade. Assim como o surgimento dos animais abalou o mundo vegetal, a tua chegada também causou problemas. Lembra-te, acabaste de chegar aqui. Os animais existem há cerca de 2.000 vezes mais tempo que os humanos, e a vida vegetal simples há mais de 7.000 vezes mais tempo. Mas eu não estou a dizer isso para te obrigar à modéstia, porque eu penso que és incrível.
Embora sejas fundamentalmente uma espécie animal, há algo inteiramente único sobre ti, que tem menos a ver com a construção física humana – que, como eu disse, é menos do que impressionante – e mais com a tua tendência inerente para usar a tecnologia. Enquanto outras espécies de animais industriosos transformam os seus arredores – pensa em tocas de castor e montes de térmitas – nenhum deles o faz tão radicalmente como tu. Estou a usar a palavra “tecnologia” no sentido mais amplo: por “tecnologia”, quero dizer todas as formas como o pensamento humano tem um impacto no mundo que nos rodeia – roupas, ferramentas e carros, mas também estradas, cidades, alfabeto, redes digitais, e até mesmo empresas multinacionais e o sistema financeiro.
Desde que nasceste, estás a construir sistemas tecnológicos para te libertares das forças voluntárias da natureza. Começou com um teto sobre a tua cabeça que te protegeu de uma tempestade e tem prosseguido todo o caminho até às drogas modernas para o tratamento de doenças mortais. Tu és tecnológica por natureza. Mas como um peixe que não sabe que está a nadar na água, tendes a subestimar o quão intimamente a tua vida está entrelaçada com a tecnologia e quanto é feito para ti. Olha para a esperança de vida, por exemplo. No início da tua existência, o ser humano médio não poderia esperar viver muito além da idade de 30 anos. Em parte por causa das elevadas taxas de mortalidade infantil, podias contar com a tua própria sorte se ficasses por aí o tempo suficiente para te reproduzires. Da perspetiva da Mãe Natureza, isso é inteiramente normal. Se vires um casal de patos com uma dúzia de patinhos a nadar atrás deles na primavera, não deves surpreender-te se existirem apenas dois, ou com sorte talvez três, restantes até ao fim do verão.
A tecnologia faz parte de nós, da mesma forma que as abelhas e as flores evoluíram para serem interdependentes. À medida que as abelhas apanham o néctar, elas ajudam as flores a reproduzirem-se, espalhando o seu pólen. Os seres humanos são dependentes da tecnologia, e vice-versa. A tecnologia precisa de nós para se espalhar e reproduzir. E a humanidade, que ajuda enorme tem sido nesse ponto! A tecnologia tornou-se tão omnipresente no nosso planeta que abriu um novo ambiente, um novo cenário, que está a transformar toda a vida na Terra. Uma tecnosfera – uma ecologia de tecnologias interativas que evoluiu após a tua chegada – desenvolveu-se em cima da biosfera existente. O seu impacto sobre a vida na Terra dificilmente pode ser subestimado e é comparável, e talvez ainda maior, ao do aparecimento dos animais há 500 milhões de anos.
De uma perspetiva evolucionária, tudo isso é o habitual. A natureza baseia-se sempre nos níveis de complexidade existentes: a biologia baseia-se na química, a cognição baseia-se na biologia, o cálculo baseia-se na cognição. Mas do seu ponto de vista, é excecional. Não consigo pensar noutra espécie cuja presença tenha desencadeado uma nova fase evolucionária, libertando-se de uma evolução baseada em compostos de ADN, gene e carbono, com milhões de anos. Assim como o ADN evoluiu a partir do ARN, as tuas ações tornaram possível um salto para a evolução não genética em novos materiais, como chips de silício. Embora não tenha sido um ato consciente, as consequências não são menores. A tua presença transformou a face da Terra tão fundamentalmente que o impacto ainda será visível daqui a milhões de anos. Esta é a tua obra, mas, até agora, tu mal pareces tê-lo percebido, e muito menos foste capaz de tomar uma posição clara em relação a isso.
Agora, eu compreendo que isso está longe de ser uma tarefa simples, só porque tu, a humanidade, não és um único ser pensante, mas uma confusão de milhões de indivíduos, todos com os seus próprios pensamentos, necessidades e desejos, que não estão realmente equipados biologicamente para pensar a um nível planetário em larga escala. No entanto, parece-me ser a questão mais premente do momento. Tu estás numa encruzilhada. E é por isso que te estou a escrever.
No que diz respeito ao futuro, vejo dois caminhos possíveis ao longo dos quais podes desenvolver uma relação coevolucionária com a tecnologia: o caminho dos sonhos e o dos pesadelos. Vamos começar com os pesadelos. Toda a relação coevolucionária – seja entre abelhas e flores ou entre humanos e tecnologia – corre o risco de se tornar parasita. As relações parasitas, em contraste com as simbióticas, carecem de reciprocidade. Uma sanguessuga, uma ténia ou um cuco não devolvem nada ao seu hospedeiro; apenas tiram. Poderia a tensão que sentimos em torno da tecnologia ter algo a ver com isso? Apesar de usarmos a tecnologia desde tempos imemoriais, porque nos serve e estende as nossas capacidades, os seres humanos correm o risco de ser os que servem a tecnologia, de se tornarem um meio em vez de um fim, tornando-se hóspedes da tecnologia. Um exemplo pode ser visto na esfera farmacêutica. A medicação é, sem dúvida, uma tecnologia que salva vidas, mas quando as empresas farmacêuticas tentam maximizar os seus próprios números de crescimento, convencendo todos os que se desviam da média estatística de qualquer forma que ele ou ela tem uma doença e precisa do medicamento apropriado, temos que perguntar se eles estão realmente a servir a humanidade ou apenas a satisfazer as necessidades da indústria e dos seus acionistas.
Onde fica exatamente a fronteira entre as tecnologias que facilitam a nossa humanidade e aquelas que nos encaixotam e roubam o nosso potencial inato? O espectro final é que tu, a humanidade, acabas por te tornar nada mais do que o órgão sexual que um organismo tecnológico maior requer para se reproduzir e se espalhar. Formas de vida encapsuladas dentro de outras maiores podem ser encontradas noutras partes da natureza: por exemplo, pensa na flora intestinal que executa várias tarefas úteis dentro dos nossos corpos. Será que em breve não seremos mais do que os micróbios na barriga da besta tecnológica? Nesse ponto, a humanidade não será mais um fim, mas um meio. E eu não vejo isso como desejável, porque eu sou uma pessoa, e eu estou a jogar pela equipa da humanidade.
Agora para o sonho.
O sonho é que tu acordas e percebes que ser um humano não é um ponto final, mas um processo. A tecnologia não altera só o nosso ambiente, em última análise, altera-nos. As mudanças vindouras permitirão que tu sejas mais humano do que nunca. E se usarmos a tecnologia para ampliar as nossas melhores qualidades humanas e para nos apoiar nas nossas fraquezas?
Poderíamos chamar a essa tecnologia de humana, à falta de uma palavra melhor. A tecnologia humana tomaria as necessidades humanas como ponto de partida. Isso serviria os nossos pontos fortes, em vez de nos tornar supérfluos. Ela expandiria os nossos sentidos ao invés de os embotar. Seria sintonizada com os nossos instintos; pareceria natural. A tecnologia humana não só serviria os indivíduos, mas, em primeiro lugar, a humanidade como um todo. E por último mas não menos importante, iria perceber os sonhos que nós os seres humanos temos sobre nós próprios.
Então, com o que sonhas? Voar como um pássaro? Viver na Lua? Nadar como um golfinho? Comunicar pelo sonar? Telepatia com os teus entes queridos? Igualdade entre os sexos e as raças? A empatia como um sexto sentido? Uma casa que crescesse com a tua família? Queres viver mais? Talvez pudesses viver para sempre.
Ouve, humanidade: tu já foste uma espécie relativamente insignificante, mas os teus dias de infância acabaram. Graças à tua inventividade e criatividade, levantaste-te da lama da savana. Tornaste-te num catalisador evolucionário que está a transformar a face da Terra. Esse processo não está completo. Tu és uma dobradiça entre a biosfera de onde surgiste e a tecnosfera que surgiu após a tua chegada. O teu comportamento afeta não apenas o teu próprio futuro, mas o planeta como um todo e todas as outras espécies que vivem nele. Essa não é uma responsabilidade pequena.
Se não pensas que estás equipado para isso, devias ter ficado na tua caverna. Mas esse não é o teu estilo. Tens sido tecnológica desde o dia em que nasceste. O desejo de voltar à natureza é tão compreensível quanto impossível. Não só seria covarde diante do desconhecido, mas negaria a tua humanidade. Não podemos imaginar o futuro da humanidade sem pensar no futuro da tecnologia. Deves seguir em frente – mesmo que só agora tenhas chegado aqui. Tu és uma adolescente, mas está na hora de crescer. A tecnologia é o autorretrato da humanidade. É a materialização do engenho humano no mundo físico. Vamos fazer uma obra de arte de que nos possamos orgulhar. Vamos usar a tecnologia para construir um mundo mais natural e traçar um caminho para o futuro, que funcione não só para a humanidade, mas para todas as outras espécies, o planeta e, finalmente, o universo como um todo.
Para encerrar, eu gostaria de te pedir que faças algo. Gostaria de convidar cada um de vocês – vivendo e ainda não nascido, na Terra e noutros lugares – a fazer uma simples pergunta sobre cada mudança tecnológica que aparece na tua vida: isto aumenta a minha humanidade?
A resposta geralmente não será preto ou branco, sim ou não. Mais frequentemente, será algo como 60 por cento sim, 40 por cento não. E às vezes discordarás com outras pessoas e terás de debater o assunto antes de chegar a um acordo. Mas isso é bom. Se todos nós consistentemente optarmos por tecnologia que aumenta a nossa humanidade, eu sei que vais ficar bem. Como? Isso continua por ser visto. Ninguém sabe como serão os seres humanos daqui a um milhão de anos, ou se haverá até mesmo seres humanos, e se assim for, se eu os reconheceria como humanos. Vamos aceitar implantes? Reprogramação do nosso ADN? O dobro do tamanho do nosso cérebro? Comunicar telepaticamente? Brotaram asas? Eu não sei e não posso saber. Mas a minha esperança é que daqui a um milhão de anos ainda haverá uma coisa como a humanidade. Porque enquanto houver humanidade, haverá seres humanos.
Do núcleo da minha humanidade humilde e imperfeita, desejo-vos felicidade, amor e uma viagem longa e empolgante.
Na expectativa de que trarás triliões de pessoas mais, tudo de melhor,
Koert van Mensvoort
PS: Nota para o leitor individual: Depois de leres esta carta, por favor passa-a a um dos teus companheiros humanos. Se quiseres fazer mais, também podes copiar, traduzir, reimprimir e distribuí-la. A humanidade somos todos nós.

sábado, 28 de março de 2015

Esta água, passarinho bebe?


A sabedoria popular desenvolvida na convivência e na observação da Natureza, possibilitou às populações tradicionais a possibilidade de sobreviver, enquanto espécie, ao longo de milênios. Nossos ancestrais que viviam no campo, nas florestas e nas montanhas não bebiam água que passarinho não bebe, não comiam frutos e folhas que os animais não tocavam, corriam para seus abrigos quando viam as manadas em disparada, prenúncio seguro de temporais, ciclones e tsunamis. 

Transmitiam seus conhecimentos às novas gerações, que os retransmitiam aos seus descendentes mesmo quando estes já viviam na polis, na urbe. Mas nos últimos 250 anos, mais especialmente a partir da revolução industrial, quando o modelo de desenvolvimento adotado já começava a produzir pobreza e exclusão social, as populações passaram a se concentrar em grandes aglomerados urbanos, o que tornou a possibilidade de observância dos ciclos e fluxos da Natureza, cada vez mais rara. 

Assim, geração a geração, fomos esquecendo o que nossos ancestrais sabiam e intuíam e nos lançamos na consolidação de um inconseqüente paradigma civilizatório em que fizemos do Oikos, do Lar Terra, apenas uma fonte de recursos naturais.Em nossa ignorância, imaginamos que estes eram inesgotáveis e que podíamos impunemente seguir nossa trajetória de destruição. 

Conquistando novos territórios a cada vez que exauríamos o anterior, extraindo dele suas riquezas minerais, cortando e queimando suas florestas para construir nossas casas e obter a energia que necessitávamos, produzindo riquezas e descartando os resíduos em qualquer local, desde que fosse longe de nós. 

Voltamos as costas aos rios e demais cursos d’água, tratando-os como canais que levariam para longe, muito longe, os desagradáveis restos do que consumíamos. E os anos foram passando... Enquanto procriávamos íamos a busca de mais horizontes, de mais riquezas naturais, mais espaço. Inventamos novas tecnologias, descobrimos a força e o poder da energia fóssil que arrancamos do fundo da Terra, processamos, industrializamos e passamos a queimar diuturnamente nos quatro cantos do planeta. 

A ciência e a tecnologia nos trouxeram mais conforto, eliminaram distâncias físicas, nos possibilitaram cruzar os céus, até para a Lua fomos, e prosseguimos em nossa trajetória de glória e poder até que um dia, de repente (terá sido de repente?), a Natureza, esta que há tanto havíamos domado, nos mostra sua face mais dura, expõe a instabilidade de seus humores. 

Ataca e mata impiedosamente, sem aviso prévio, sorrateiramente, coloca-nos armadilhas. 

Comemos seus peixes e eles nos envenenam, bebemos sua água e adoecemos, vamos à praia e somos afogados por ondas gigantes, seus ventos varrem nossas casas, os rios ora secam, ora transbordam, transformam nossas cidades em depósitos de lixo, (de onde vem mesmo tanta sujeira?), o ar que respiramos nos destrói os pulmões, nos faz arder os olhos. 

Lembramo-nos então daqueles que há décadas vinham nos alertando sobre os perigos à espreita, demo-nos conta de que desde há muito, milhares, milhões de pessoas estavam à margem deste glorioso e triunfante processo de conquista do Universo e já enfrentavam, nas inóspitas regiões em que habitam sérias dificuldades de sobrevivência.

Mas quem se importaria então com a seca, com a fome, com as enchentes, com as pragas, as doenças de veiculação hídrica, com a exclusão, com a tragédia da miséria que assolavam sistematicamente algumas partes do Planeta?

Elas se passavam longe, muito longe de nós... 

Mas agora, quando a ciência que criamos e que julgávamos capaz de solucionar todo e qualquer problema dos humanos, começa a nos mostrar que, pela primeira vez na história da humanidade, está posta em xeque a continuidade da nossa caminhada enquanto espécie no Planeta Terra, sentimo-nos desamparados, indefesos, fragilizados.

A perplexidade toma conta de nós, quando, finalmente, percebemos a íntima relação entre o nosso modelo civilizatório predatório excludente, a destruição do meio ambiente, o rompimento do equilíbrio ecológico que a Natureza teceu em milhões de anos de trabalho cósmico e o caos que ameaça a todos em todos os recantos do mundo, sem distinção de etnia, de classe social, de gênero, de nacionalidade, de escolaridade. 

O que fazer agora, qual o papel de cada um de nós, cidadãos do Planeta? Como prosseguir à luz da tragédia anunciada? Como partir do temor que paralisa para a ação que pode trazer alternativas de caminhos, de soluções? O Dia Mundial da Água é um excelente momento para que façamos esta reflexão. Sem razões para comemorar, dediquemo-nos a pensar como vamos cuidar deste bem imprescindível para a nossa sobrevivência, vida e de todas as espécies que conosco compartilham a Terra. 

Lembremos-nos que Planeta Terra é azul quando visto do espaço, mas não tenhamos ilusões, uma vez que 97% dos 2/3 de sua superfície composta de água é salgada! Dos 3% restantes, a maior parte está nos icebergs em forma de gelo. Assim a água acessível ao consumo humano, que é encontrada em rios, lagos e alguns reservatórios subterrâneos, somam apenas 0,3%, ou 100 mil km³. 

Ao mesmo tempo em que aumentamos o consumo de água em nossas atividades produtivas e em nosso cotidiano, continuamos, de forma inadmissível, poluindo com lixo, esgoto e agrotóxicos, os recursos hídricos de que dispomos. Esquecemos, neste processo perverso, que a quantidade de água na Terra é praticamente invariável há 500 milhões de anos. 

As mudanças que ocorrem são em sua distribuição, pois a água não permanece imóvel, se recicla por meio do Ciclo Hidrológico, cujo equilíbrio encontra-se ameaçado pelo aquecimento global, pelo desmatamento e pela poluição. 

Enquanto isto a escassez de água potável já atinge 20% da população e a ONU afirma que se a população mundial continuar aumentando 80 milhões de habitantes por ano, entre os anos de 2025 e 2050, 40% da população já estará sem acesso à água potável. Somente nos últimos 50 anos, aconteceram em todo o mundo cerca de 500 conflitos armados tendo como causa prima à disputa pela água. 

Metade do leito dos hospitais é ocupada por doenças veiculadas pela água. A cada ano as doenças provocadas por ela causam 03 milhões de mortos no mundo, crianças na maioria, e provocam mais de 1 bilhão de enfermidades. No Brasil, que detém 12% da água doce do mundo, 80% das doenças são causadas ou disseminadas pela falta de saneamento e 40% das torneiras dos nossos lares derramam água com qualidade não confiável. 

São Paulo, a megalópole emblemática, resume em seus números toda fragilidade de um modelo de distribuição territorial que se esqueceu de levar em conta a geografia da Natureza. Aqui vivem 22% da população do Brasil e aqui só estão 1,6% da água de nosso país, consumimos 210 milhões de litros de água por hora (116 piscinas olímpicas) que vamos buscar a mais de 80 km de distância da capital. 

No dia de hoje, deveríamos parar tudo para debater em fóruns, na praça pública, nos palácios, este que é, ao lado das mudanças climáticas, o maior desafio do século XXI, o acesso à água de boa qualidade, o gerenciamento adequado dos recursos hídricos de que ainda dispomos.

A partir da reflexão, do debate, (e do medo), quem sabe tomamos juízo e passamos a agir como cidadãos conscientes, adequando nossas atividades cotidianas a padrões de sustentabilidade, participando ativamente da organização de nossa comunidade, articulando-nos nacionalmente para influenciar políticas públicas sérias e ecologicamente corretas, fiscalizando, reivindicando, sentindo-nos parte da imensa e maravilhosa comunidade biótica. 

*Miriam Duailibi é presidente do Ecoar, uma das principais ativistas ambientais brasileiras da atualidade. Autora de diversos livros, artigos e textos sobre o tema é reconhecida internacionalmente por seus inovadores projetos socioambientais. Fundou em 92 a Ecoar, organização sem fins lucrativos da qual faz parte o Instituto Ecoar para Cidadania, o Centro Ecoar de Educação para Sociedades Sustentáveis e o a Associação Ecoar Florestal, responsável pela produção anual de 2 milhões de mudas para a reposição de florestas no Brasil. 

AUTORIA: Miriam Duailibi 

Sobre o Instituto Ecoar para a Cidadania:

O Instituto Ecoar é uma organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP), sem fins lucrativos, que atua com educação ambiental, cidadania e projetos florestais. Sua missão é contribuir para a construção de sociedades sustentáveis e em equilíbrio com a natureza. 

Fundada por um grupo de ambientalistas e pesquisadores após a Eco-92 e o Fórum Global, é responsável pela implantação de mais de 50 projetos de meio ambiente e educação em todo país. Credenciada pelo IBAMA e DPRN para desenvolver o Programa de Reposição Florestal Obrigatória no Estado de São Paulo, possui dois viveiros que juntos produzem mais de 02 milhões de mudas por ano. 

Por.: Miriam Duailibi
Fonte: Trama Web / Site ANIMAL LIVRE
Matéria publicada em Hospital Espiritual do Mundo


segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Terra Proveitosa


“Porque a Terra que embebe a chuva, que cai muitas vezes sobre ela,
e produz erva proveitosa 
para aqueles por quem é lavrada, recebe a bênção de Deus,”
– Paulo – Hebreus, 6:7.
_______________________________________________________________

Os discípulos do Cristo encontrarão sempre grandes lições, em contato com o livro da natureza.

O convertido de Damasco refere-se aqui à Terra proveitosa que produz abundantemente, embebendo-se da chuva que cai, incessante, na sua superfície ,
representando o vaso predileto de recepção das bênçãos de Deus.

Transportemos o símbolo ao país dos corações.

Somente aqueles espíritos, atentos aos benefícios espirituais, que chovem diariamente do céu, são suscetíveis de produzir as utilidades do serviço divino, guardando as bênçãos do Senhor.

Não que o Pai estabelece prerrogativas injustificáveis. Sua proteção misericordiosa estende-se a todos, indistintamente, mas nem todos a recebem, isto é, inúmeras criaturas se fecham no egoísmo e na vaidade, envolvendo o coração em sombras densas.

Deus dá em todo tempo, mas nem sempre os filhos recebem, de pronto, as dádivas paternais. Apenas os corações que se abrem à luz espiritual, que se deixam embeber pelo orvalho divino, correspondem ao ideal do Lavrador Celeste.

O Altíssimo é o Senhor do Universo, sumo dispensador de bênçãos a todas as criaturas.
No planeta terreno, Jesus é o Sublime Cultivador.
O coração humano é a Terra.

Cumpre-nos, portanto compreender que não se lavra o solo sem retificá-lo ou sem feri-lo e que somente a terra tratada produzirá erva proveitosa, alimentando e beneficiando na Casa de Deus, atendendo, destarte, a esperança do horticultor.


Caminho, verdade e vida.
Emmanuel - Francisco C Xavier



sexta-feira, 29 de agosto de 2014

O Ser humano e a Natureza



Qual é o verdadeiro significado da necessidade da harmonia
entre o ser humano e a natureza no planeta em que vivemos?

Hermes: O que afirmaremos não é um verdadeiro significado, mas sim um significado ainda pouco compreendido entre os homens. Já afirmamos em livros anteriores, que Jesus não é o Cristo. Ele foi seu sublime medianeiro para trazer a mensagem do amor crístico aos povos ocidentais, assim como ocorreu com Buda, Krishna, Zoroastro, Moisés, Maomé, Antúlio entre outros grandes mestres que realizaram tarefa semelhante em seus povos.


Para melhor compreender o processo evolutivo da Terra, é interessante saber que os grandes mestres espirituais da Terra foram, na verdade, intérpretes de uma alma ainda mais avançada, que já não possui mais corpo espiritual, há muitas eras, e vive apenas no plano mental, sendo onipresente em toda a Terra. É a alma crística do planeta, que podemos chamar de Gaia, Cristo ou Logos Planetário.


Esse ser extraordinário “encarnou” no planeta Terra e estabeleceu a vida em seus primórdios. Ele é o Logos que mantém vivo o ecossistema, o campo magnético do planeta, as correntes marítimas, as dos ventos e todas as demais variantes que sejam necessárias para o equilíbrio de nosso mundo.

Ele possibilita ao planeta gerar vida, ser a “Grande Mãe” de seus filhos e nutri-los. Os corpos físicos que nossas almas utilizam-se para evoluir foram gerados a partir do “corpo de Cristo”, ou seja, a matéria prima da Natureza de nosso próprio mundo! Logo, agredir a natureza é agredir a nossa própria mãe!

Gaia, na verdade é uma integração do Cristo e nós. É composta pela biosfera (seres vivos) e os componentes físicos da Terra: atmosfera (ar), criosfera (gelo), hidrosfera (água) e litosfera (solo) que formam um complexo sistema integrado que mantém o clima do planeta e as condições bio-geo-químicas em perfeito equilíbrio. A Terra é de fato um organismo vivo que reage através de seus sistemas, buscando sempre uma condição de equilíbrio.

Da mesma forma que nosso corpo responde as interações de nossa alma, a Terra responde ao controle do Cristo. E quando ferimos o planeta com nossas atitudes antiecológicas ou com energias negativas, estamos literalmente ferindo o corpo da entidade espiritual máxima da Terra, ou seja, o representante direto de Deus em nosso mundo.

Quando o homem destrói a Natureza, através da poluição dos rios, do desmatamento das florestas, do ar onde são lançados produtos não biodegradáveis na Natureza, está agredindo diretamente o Cristo de forma vil, da mesma forma que foi feito com Jesus, seu sublime emissário, no dia de sua triste crucificação. Caro leitor, reflita sobre isso.

Quando acabar a vida em nosso mundo, esse será o dia de seu desencarne. Ele ficará livre para assumir novas incumbências dentro do Eterno Plano Divino. Espero que um dia a humanidade compreenda o quanto é importante respeitar e amar o verdadeiro “corpo de Cristo”!

É por esse motivo que o Universalismo Crístico entende que as questões ecológicas e humanitárias são tão importantes quanto as espirituais em nossa jornada evolutiva. Nós, habitantes da Terra, somos como as células de um grande organismo: Gaia. Só seremos verdadeiramente felizes e venceremos as trevas se orquestrarmos uma evolução conjunta. Mais uma vez se comprova a tese de que “somos todos um”.

Um exemplo disso está nos massacres dos animais em matadouros, que fere a alma grupo daquela espécie e, indiretamente, o corpo de Gaia. Essa atitude infeliz reflete em desequilíbrios no campo astral de todo o planeta, estimulando a ação das trevas e o desencadeamento da violência humana no plano físico. Por isso os budistas e espiritualistas mais conscientes defendem com afinco a vida e a natureza como um todo.

E sem contar os desequilíbrios ambientais como terremotos, furacões, tempestades e outros fenômenos destrutivos da natureza. Essas tragédias não se tratam de uma ação vingativa do planeta, mas sim uma reação natural de defesa e de busca de reequilíbrio gerada a partir de nossa ação depredatória contra Gaia. Quem planta espinhos, jamais colherá flores.

A resposta de Hermes foi retirada integralmente do livro “Universalismo Crístico Avançado”.

Fonte: www.universalismocristico.com.br

terça-feira, 27 de maio de 2014

AMADA TERRA...



“Amada Terra,
Tanto já fizeste por mim.
Que poderei fazer por Ti?
Sofro ao presenciar o que te fazem.
Sofro por saber que a Paz está distante,
A Paz que todos necessitamos
E pela qual a Vida na Terra tanto anseia.


Amada Terra,
Tanto já fizeste por mim.
Que poderei fazer por Ti?
Sou teu filho,
Em meu sangue corre a tua seiva.
Devo a minha existência a Ti.
Tantos maculam o teu solo sagrado,
Profanam as tuas entranhas,
Envenenam as tuas águas.
Exterminam a Sagrada Vida...
Sinto o teu sofrimento,
Tua angústia e tua solidão cósmica.
Contavas com os seres humanos
Para amenizar tamanha solidão.
Um triste engano...


Amada Terra,
Tanto já fizeste por mim.
Que poderei fazer por Ti?
Não sei mais o que dizer ou fazer...
Como um Filho do Sol,
Consciente de sua missão na Terra,
Devo pedir-te perdão.
Perdão em nome daqueles que te maltratam.
Mas também por todos aqueles que se calam
diante da tragédia que se abate por todo
o Planeta.
Perdão para mim mesmo
Por não ter tido a coragem de lutar,
Com todas as minhas forças,
Por Ti e por toda a Vida da Terra.
Perdão por tantas vezes eu também ter
ficado calado.
Quem sabe, um dia, todos digam:


Amada Terra,
Tanto já fizeste por nós.
Que poderemos fazer por Ti?”
Pela Terra, Vida e Humanidade.


Paulo R.C. Medeiros

Brasília, em 23/05/2014


Paz e Bem! 
Fonte: Fórum Entendimento Espírita

segunda-feira, 19 de maio de 2014

AÇÃO DE GRAÇAS






Terra — mãe devotada,
A ti, nosso eterno preito
De gratidão, de respeito
Na vida espiritual!
Que o Pai de Graça Infinita
Te santifique a grandeza
E abençoe a natureza
Do teu seio maternal!


Quando errávamos aflitos,
No abismo de sombra densa,
Reformaste-nos a crença
No dia renovador.
Envolveste-nos, bondosa,
Nos teus fluidos de agasalho,
Reservaste-nos trabalho
Na divina lei do amor.


Suportaste-nos sem queixa
O menosprezo impensado,
No sublime apostolado
De terno e infinito bem.
Em resposta aos nossos crimes,
Abriste nosso futuro,
Desde as trevas do chão duro
Aos templos de luz do Além.


Em teus campos de trabalho,
No transcurso de mil vidas,
Saramos negras feridas,
Tivemos lições de escol.
Nas tuas correntes santas
De amor e renascimento,
Nosso escuro pensamento
Vestiu-se de claro sol.


Agradecemos-te a bênção
Da vida que nos emprestas;
Teus rios, tuas florestas,
Teus horizontes de anil,
Tuas árvores augustas,
Tuas cidades frementes,
Tuas flores inocentes
Do campo primaveril!…


Agradecemos-te as dores
Que, generosa, nos deste,
Para a jornada celeste
Na montanha de ascensão.
Pelas lágrimas pungentes,
Pelos pungentes espinhos,
Pelas pedras dos caminhos:
Nosso amor e gratidão!


Em troca dos sofrimentos,
Das ânsias, dos pesadelos,
Recebemos-te os desvelos
De mãe de crentes e incréus.
Sê bendita para sempre
Com tuas chagas e cruzes!
Ás aflições que produzes!
São alegrias nos céus.


Ó Terra — mãe devotada,
A ti, nosso eterno preito
De gratidão, de respeito,
Na vida espiritual!
Que o Pai de Graça Infinita
Te santifique a grandeza
E abençoe a natureza
Do teu seio maternal!



André Luiz. Psicografia de Chico Xavier.
do livro: Obreiros da Vida Eterna

sábado, 3 de maio de 2014

O NOSSO MUNDO



Este é o “nosso mundo”.
É tudo o que temos e tudo o que somos.
Toda a nossa História aqui aconteceu e continua acontecendo.

Lá do alto, não percebemos as linhas que separam países e pessoas.
Vemos que tais linhas são, de fato, imaginárias. Só existem nas mentes humanas.

Diante de uma visão tão ampla do Universo, não é mais possível que o ser humano atribua a si mesmo a condição de “Coroa da Criação” e faça o que bem entender neste Planeta. Que ainda acredite que o Universo surgiu para atender, única e exclusivamente, aos seus desejos. 

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Carta a Todos...
 

Não podemos mais prosseguir, enquanto civilização, se não tomarmos providências imediatas, lúcidas e com a firme convicção de que o futuro da Humanidade, o nosso destino, está em jogo.

O futuro da Humanidade, a sua sobrevivência, é a grande prioridade atual. Não há outras que a superem em importância e urgência.

Estamos nos aproximando, em termos ambientais, de um nível crítico e to-dos os avisos já foram dados à Humanidade.
As mudanças planetárias já começaram e não podem mais ser negadas.
Se tais eventos cósmicos catastróficos vierem a acontecer, como aqueles previstos para 2012, estariam tão distantes de nossa capacidade de reação que pouco poderíamos fazer.
Só nos restaria aceitá-los, prepararmo-nos espiritualmente e aguardar os acontecimentos.
Contudo, na visão mostrada através destas mensagens, o ano de 2012 poderá representar um grande salto consciencial envolvendo toda a Humanidade.
Acreditamos que a maior parte
dos problemas ambientais planetários têm uma origem antropogênica, que é
a interferência humana nos ciclos naturais da Terra.

Fomos longe demais nessa tarefa...

Portanto, falaremos apenas da parte que nos cabe, das nossas responsabilidades pessoais e coletivas perante o Planeta, a Mãe Terra, e da sacralidade de tudo o que nos envolve.
Falaremos apenas para o coração, na esperança de que este possa alcançar a esfera racional e permita o surgimento de uma visão que conduza à esperança.
O coração contém as respostas que podem mudar o mundo. Não as encontraremos em nenhum outro lugar.
Vivemos em um planeta que é inteiramente sagrado, criado que foi por um Grande Arquiteto Cósmico.

Cada ser vivo, cada pedra, cada rio, cada montanha e cada oceano tem um certo grau de consciência, ainda que não consigamos percebê-la.
Em tudo existe a “marca do Criador”.

Estamos rodeados de Vida.
E todas as coisas possuem um valor intrínseco. Valem pelo o que são e não por aquilo que os seres humanos julgam que valha.

Há, na Natureza, uma completa interligação de tudo e todos.
Somente o ser humano conseguiu romper aquilo que os cientistas chamam de “teia da Vida”.

A Terra, este grande e belo ser cósmico, começa a dar sinais bem claros de que a presença humana não está mais sendo benéfica para a Vida.

A Natureza parece estar, no mundo inteiro, à procura de um novo caminho e um outro ponto de equilíbrio, diferente deste ao qual já estamos acostumados e que possibilitou o surgimento de nossa civilização.

Nossa civilização, por mais poderosa que aparente ser, é muito frágil e delicada como um cristal.
Uma pequena variação nas condições planetárias bastará para nos colocar em xeque.

Não há poder político, militar, econômico ou capacidade tecnológica e científica que possa garantir a continuidade de qualquer nação, se as forças da Natureza saírem do controle.

Essa fragilidade é o elemento que deveria unir a todos, independentemente de raça, condição social ou de crenças.
Portanto, é hora de esquecer o que nos separa e tratar das coisas que nos unem.

Chegamos, portanto, ao momento da grande decisão. Mas temos, primeiro, de responder a uma pergunta:
O que nós desejamos desta Vida?

Somente quando respondermos a tal pergunta é que teremos condições de definir o nosso destino planetário.

É o momento de decidirmos se queremos prosseguir com essagrande experiência cósmica chamada de “Humanidade”.

Nossa existência é uma jornada cósmica.
Somos Filhos das Estrelas de passagem pela Terra.
E por sermos Filhos das Estrelas precisamos recuperar a dignidade da condição humana.
Também temos o direito de continuar nossa jornada em direção ao futuro sem maiores preocupações e desligados da realidade que nos envolve.
Sempre poderemos alegar que somos insignificantes para que possamos fazer alguma diferença. Ou que os problemas da Terra não nos dizem respeito...
Mas seremos, em consequência, totalmente responsáveis pelo nosso próprio destino.
Todos somos, em maior ou menor grau, responsáveis pelo o que está ocorrendo no Planeta. Mas não podemos apenas ficar atribuindo culpa uns aos outros.
Interessa, isto sim, o que cada ser humano possa fazer para impedir o trágico destino da Terra. Todos são importantes neste momento.
Não podemos esperar da
Providência Divina mais do que ela
já nos deu: inteligência e consciência. Isso é mais do que suficiente para vivermos na Terra.
É o nosso maior tesouro. Um legado cósmico...
Contudo, se já temos os meios necessários, inteligência e consciência, por que estamos fracassando? Onde estamos errando?
Erramos quando criamos uma barreira entre nós e a natureza.
Erramos quando o orgulho humano estabeleceu que somos a “Coroa da Criação”.
Erramos quando esquecemos o caminho da humildade.
Erramos quando desprezamos a sacralidade da Criação.
Mas o principal erro é a falta de amor pela Terra, tratada que é como se fosse apenas uma fonte de recursos e criada para satisfazer as ambições humanas.

Mas até mesmo os projetos cósmicos poderão fracassar se nos mantivermos irredutíveis nos rumos atuais, pois eles contam com a nossa participação e um profundo envolvimento.

Há mais de três mil anos atrás, o grande sonho do Faraó Akhenaton foi enterrado na areias do deserto pelas mesmas razões.
Fazemos, aqui, o mesmo convite a todos os Irmãos, aa busca de novos rumos e horizontes para a Humanidade, todos, sem nenhuma exceção, são muito importantes.
Estendemos, aqui, o convite à todas as instituições que tenham como objetivo um mundo melhor.

As questões contemporâneas são tão complexas, imensas e abrangentes que exigem mudanças profundas e sistêmicas em todas as áreas:
econômica, política e social.
Se elas não ocorrerem, em breve ficaremos somente com a saudade de um mundo que era maravilhoso.
E não poderemos dizer que não sabíamos o quanto era maravilhoso o nosso mundo...
Isso nós sempre soubemos!

Você não apenas está aqui, mas “é” a própria Terra.
Acredite nisso e lute pela Humanidade e por toda a Vida.
Tenha fé e entregue o seu coração com a mesma pureza que uma criança o faria.

Medite quanto a tudo o que você leu nesta mensagem. Passe para o próximo quadro e fixe-se na imagem do Planeta.
Faça uma oração silenciosa e entre em comunhão com este belo ser planetário.
 


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Fonte: Forum Entendimento Espírita
 


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Planeta Terra, nossa casa...





Um dos arquétipos mais palpitantes da psique humana é a Casa. Não significa apenas o prédio de tijolos onde habitamos com nossa família, mas ela expressa a nossa necessidade de aconchego, de proteção, de ternura, que sentimos no âmago do ser. A Casa simboliza o amor que nos liga profundamente aos familiares e aos amigos queridos aos quais nos vinculamos pelos laços sagrados do coração.

Representa, também, segurança, conforto, tranquilidade e é também um refúgio doce e terno que nos protege das intempéries, dos perigos, da solidão. É o ninho acolhedor, pleno de calor, no qual nos unimos às pessoas que amamos. A Casa nos fornece orientação, equilíbrio e harmonia. Sabemos que no final do dia um abrigo aconchegante nos abrirá seus braços e poderemos adormecer em paz.

O planeta Terra é a nossa Casa. Ele nos hospeda com amor e nos oferece o seu regaço de mãe. Como avezinha implume, chegamos um dia com frio, amedrontados, frágeis e este Lar nos acolheu, oferecendo-nos proteção, alimento e as experiências necessárias ao nosso crescimento físico, mental e espiritual.


Freqüentamos as diversas salas de estudo deste Planeta-Escola, participamos de suas aulas, passando por provas, por desafios, que facultaram o nosso amadurecimento psicológico, auxiliando-nos a passar de um nível de consciência para outro mais alto, galgando, assim, paulatinamente, os degraus da grande escada evolutiva. Desta forma, um dia chegaremos jubilosos à angelitude que é o destino fulgurante que nos aguarda. Somos filhos da luz e devemos nos recordar dessa meta grandiosa, durante a romagem terrena.

A querida mentora Joanna de Ângelis em seu magnífico livro “Após a Tempestade”, através da mediunidade abençoada de Divaldo Franco, leciona, com propriedade, que ecólogos de todo o mundo preocupam-se com a poluição devastadora que resulta dos detritos que são jogados nos oceanos, nos rios, nos lagos, nos terrenos baldios, bem como, também, os ingredientes químicos das indústrias, como óleos e resíduos venenosos que são atirados displicentemente, sem a mínima consideração com a destruição de nossa própria Casa.

Os técnicos no assunto escrevem matérias profundas sobre a poluição atmosférica, acerca das substâncias venenosas que são expelidas pelas fábricas, pelos motores de explosão e sobre os inseticidas utilizados pela lavoura, convidando-nos a uma séria tomada de consciência. Há a necessidade de uma profunda educação ambiental para que as crianças, os jovens, como novos habitantes do planeta possam se conscientizar de que é necessário preservar a casa que recebemos de Deus para ser nossa morada, nossa escola, nosso canal de ascensão para o Alto.

Desenvolvendo em nós o espírito de fraternidade, de solidariedade, de gratidão, de humildade e, sobretudo, de amor ao Planeta que nos hospeda, inauguraremos de fato uma nova era de paz e de felicidade para todos. Joanna de Ângelis adverte-nos acerca do grave perigo da poluição mental, que envenena a alma, com grande repercussão, também, na contaminação da natureza.

São, como nos orienta a Mentora, os choques das vibrações negativas, das mentes em desalinho, procedentes das rudes batalhas do desamor, das ambições, do ódio, do abuso do poder, da busca das glórias efêmeras, das competições malsãs, estiolando as almas pela falta de compreensão, de entendimento, de fraternidade. A poluição moral é a mais cruel e tenebrosa porta de acesso para a poluição ambiental.

A mãe Terra nos hospeda, oferecendo-nos o seu seio amoroso. A Terra é a nossa casa comum, apresentando problemas, riscos, conflitos, desajustes, que nos cabe solucionar, utilizando as ferramentas do amor, da tolerância, do respeito, da compreensão, da gratidão pela vida que estua nos painéis vivos da Natureza.

É maravilhoso pensar que temos a mesma origem como filhos e herdeiros de Deus, membros da família universal, esta empolgante comunidade humana, sendo irmãos e irmãs uns dos outros e que finalmente um dia, amadurecidos pelo amor genuíno, nos daremos as mãos, entoando o cântico da sublime fraternidade.

Jesus, o Sublime Ecólogo, amou a Natureza, falando com ternura do grão de mostarda, dos lírios do campo, dos pássaros, das ovelhas, dos peixes, do trigo que produz o pão, da água viva que dessedenta para sempre. Abençoou a vida em todos os seus estágios, cantando a sinfonia de amor do Seu Evangelho nas belas praias da Galileia, nos montes verdejantes, envolvidos pelo sol ardente e orando ao Pai na calma da noite, aspirando a brisa perfumada, contemplando as estrelas luminíferas e a suavidade dos raios do luar.

E com o seu estilo fascinante a Benfeitora querida esclarece-nos que a Terra sairá do caos que a absorve e voltarão o ar puro, a água cristalina, a relva repousante, o trinar dos pássaros, o fulgor do sol e o faiscar das estrelas em nome do Pai Criador e de Jesus, o Salvador Perene de todos nós.

Atendamos, pois, ao convite maternal e o sintonizemos com as energias sublimes e revigorantes da vida em a Natureza, utilizando a linguagem do amor fraternal, esparzindo, desta forma, o Reino de Deus onde quer que estejamos.

Compilado da Revista Presença Espírita
Texto de Maria Anita Rosas batista
 
Fonte: Harmonia Espiritual